entrelinhas · Entrevistas

Entrelinhas 03: Os pentecostais e a Reforma Protestante

Ainda falando sobre a Reforma Protestante, segue abaixo a resposta do pastor Paulo Romeiro sobre a importância dos pentecostais para esse seguimento do cristianismo. O pastor Paulo Romeiro é mestre em teologia pelo Gordon-Conwell Theological Seminary, em Boston nos EUA e doutor em Ciências da Religião pela Universidade Metodista de São Paulo. Atualmente o pastor integra o corpo docente da tradicional Universidade Presbiteriana Mackenzie. Romeiro é de tradição pentecostal e dirigente de uma igreja na zona sul de São Paulo, cuja teologia é assembleiana.

Blog Teologia Pentecostal: Qual o papel do pentecostalismo na construção de um protestantismo mais autêntico aos seus propósitos originais?

Paulo Romeiro: Creio que o pentecostalismo, mais do que as igrejas protestantes históricas, tem um poder muito grande de mobilizar as massas. Com isso, o pentecostalismo tem a oportunidade de colocar muita gente em contato com a Bíblia Sagrada, a principal ferramenta de trabalho do protestantismo. Muitos crentes do pentecostalismo estão descobrindo a teologia e estão buscando educação teológica em instituições de linha reformada. Um dos exemplos é a EST, a Faculdade de Teologia da Universidade Mackenzie, que recebe cada vez mais, alunos de segmentos pentecostais. Isso explica também a preocupação de vários pentecostais interessados na produção de obras confiáveis e na pesquisa acadêmica. É bom lembrar que a CPAD tem publicado, nos últimos anos, excelentes obras por excelentes autores, respeitados também pelos irmãos de linha reformada. Creio que com isso, o pentecostalismo passa a contribuir para o fortalecimento do protestantismo no Brasil.

19 comentários em “Entrelinhas 03: Os pentecostais e a Reforma Protestante

  1. Caros Paulo e Gutierres,Eu só posso louvar a Deus por termos essa aproximação, tanto de reformados para a atualidade do dons como de pentecostais para as doutrinas da graça, conforme ensinadas pelos reformados.Creio que haverá um genuíno avivamento quando as águas desses dois rios se encontrarem de forma representativa.Em Cristo,Clóvis

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  2. Gostaria de ver tal “aprofundamento” teológico nas questões práticas do dia-a-dia da igreja. Muitas vezes o teólog é um ser alado, alheio ao que se passa em sua própria congregação, porque supostamente sabe tudo e só poderia liderar (na verdade, ele se auto-impõe essa característica).Traduzindo, influência perto de zero, apenas enfado na carne.

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  3. Cinco Solas, paz!!O encontro desses dois rios [como andam as águas dos mesmos?] deverá redundar em uma nova denominação… qual seria?… REFORTENCOSTAL?PENTEFORMA?PENFORCOSTAL?REPENFORTEMACOSTAL?Algum nome novo vocês vão acabar dando… porque pra vocês é Deus no céu e as denominações na terra…Agora, o grande problema mesmo será quando brotar um novo cisma [taí um povo que gosta de “rachas”: os denominacionalistas]… como se chamarão, no pós-guerra, as partes envolvidas? não vou nem me arriscar a supor os nomes que podem surgir…Antes que eu me esqueça, preciso lembrar-vos que acima da PRESUNÇÃO TEOLÓGICA E DENOMINACIONALISTA dos senhores, está o ORGANISMO VIVO, o CORPO de CRISTO, a AUTÊNTICA IGREJA…“”E o SENHOR conhece os que são SEUS…””Aleluia!!!Só mais uma coisinha: a qualquer hora, em qualquer lugar, estarei pronto para APONTAR e PROVAR os muitos erros de interpretação bíblica que infestam suas denominações, suas teologias, suas cabecinhas, boas, para algumas coisas, mas ôcas para outras…ERRO é ERRO aqui, no céu e no inferno… quer seja de NEOPENTECOSTAL, reformado ou pentecostal…

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  4. Prezado irmãos, saúde e paz!Concordo com o Paulo Romeiro e com o Victor, sobre a importância dos pentecostais na produção teológica. É sobre isso que eu vinha falando no outro texto sobre a reforma. Essa importância está em não somente reproduzir o que os tradicionais já disseram, mas contribuir para a produção teológica sob um viés pentecostal. Creio que a contribuição dos pentecostais na produção teológica vai além da pneumatologia, mas envolve o teologizar sobre a vida e a missão. O que significa isso? O fazer teológico pentecostal parte da Bíblia posta em prática, do fazer missões e não só teorizar sobre elas, do ter vida com Deus e não somente teorizar sobre a doutrina da santidade, do praticar a piedade em oração, em busca sincera do Senhor e não somente na idealização dessas coisas, no confiar em Deus em todos os momentos da vida e não somente teorizar sobre a segurança dos crentes, etc. Teologia que nasce da vida (da vida com Deus). Nossa luta deve ser por uma teologia sadia aliada a uma vida sadia. O valor da teologia é servir a Igreja de Deus. A história demonstra que Deus usou tanto calvinistas como arminianos, avivamentos surgiram (por obra soberana do Senhor) nesses dois arraiais. Sabe por quê? Eles não estavam preocupados em ser isso ou aquilo, mas dentro de suas convicções estavam preocupados em serem bíblicos e servirem a Deus com sinceridade. Nosso (único) modelo é Jesus Cristo e sua Palavra. Lutero, Calvino, Wesley, etc só se tornam referências na proporção que buscaram semelhança com Jesus. A nossa Igreja não nasceu com Lutero ou com reforma do século XVI, ela nasceu com Cristo (antes dos tempos eternos) e por Ele, que é o seu Senhor, ela foi, é e continuará sendo preservada até a consumação de todas as coisas.

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  5. Victor, a paz!Os pentecostais podem e devem teologizar! Isso parece que começamos a aprender. Vejo que um exemplo bem positivo está na construção hermenêutica desenvolvida por Roger Stronstad no livro “The Charismatic Theology of St. Luke”. Stronstad faz uma leitura profunda do Evangelho de Lucas e o livro de Atos e apresenta interessantes argumentos a favor da teologia pentecostal. Esse é só um exemplo! É uma pena que esse livro não esteja publicado no Brasil!

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  6. Clóvis, a paz!É sempre importante ver podemos aprender com outras correntes do cristianismo evangélico. Alguns podem não gostar, mas devemos aprender até com o David Miranda. Não na teologia ou doutrina, mas sim na identificação com o povo, pois esse líder evangélico está longe do elitismo que enche as igrejas mais preparadas teologicamente. Portanto, temos muito a aprender com alguns neopentecostais. Repito que não na teologia, mas na práxis.

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  7. Daladier, a paz!Esse é um dilema milenar: ortodoxia casada com ortopraxia. Quanto mais consciente dessa necessidade, mas perto estaremos da realização. Não podemos esquecer disso nunca. Mas vejo que muitos têm conseguido e dou o exemplo do pastor Paulo Romeiro, a quem conheço pessoalmente. Romeiro é um homem erudito, porém com uma homilética simples (não simplista) e profunda. A igreja que o pastor Paulo dirige tem um bom nível teológico, mas exerce os dons e é missionária. Eis um exemplo bem positivo!

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  8. Zwinglio, a paz!Tenho conseguido desenvolver uma boa comunhão com muitos irmãos reformados e tradicionais. Parece que você vê isso como impossível. Tenho vivido isso na prática! Portanto não vamos precisar de novas denominações e cismas, mas sim de compartilhamento de idéias e práticas.

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  9. Marcos Viera, a paz!Como pentecostal só posso concordar com tudo que você escreveu! Não só na pneumatologia, mas na missiologia, espiritualidade e o “sacerdócio universal de todos os crentes”. Estou otimista, pois haverá uma grande produção teológica num futuro recente com pentecostais conscientes da missão didática da igreja.

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  10. Parabén pela entrevista com o Pastor Paulo Romeiro.Todos nós como cristãos, devemos buscar um profundo conhecimento das Escrituras.Seja Pentecostal, reformado, neo, etc, qualquer que seja a denominação.Principalmente nestes tempos de frieza e falta de amor entre as pessoas.AbçsSandre

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  11. Gutierres, paz!!“Tenho conseguido desenvolver uma boa comunhão com muitos irmãos reformados e tradicionais. Parece que você vê isso como impossível. Tenho vivido isso na prática! Portanto não vamos precisar de novas denominações e cismas, mas sim de compartilhamento de idéias e práticas.”Irmão, você é um romântico e não um realista…Dialogar, conversar, trocar idéias é uma coisa… outra coisa é rever posicionamentos teológicos… a unidade verdadeira se dá em torno das Escrituras e seus ensinos CRISTALINOS [quem faz a confusão são os intérpretes]…Vou te dar um exemplo:Eu tenho um programa de rádio aos sábados das 16:00 às 17:00… após o meu programa, tem um dos irmãos congregacionais… dois desses pastores que fazem o programa foram professores meus no seminário… um deles, o reitor, no primeiro dia de programa, logo que o meu acabou, ele me pediu para que eu falassse do programa deles pedindo aos meus ouvintes que continuassem sintonizados… fiz e estou fazendo isso…indo pra casa, sintonizei o programa deles e pra minha supresa, disseram [em outras palavras]: esse programa prega a “VERDADEIRA DOUTRINA da PALAVRA de DEUS”… daí concluo que o meu prega a FALSA DOUTRINA visto que sou NEOPENTECOSTAL…em síntese, o que quero dizer é o seguinte:os congregacionais sorriem pra mim e eu pra eles… conversar, bater-papo- estabelecer algum nível de relação é fácil, é possível, agora, quando chegar a hora de se tratar de posicionamentos teológicos, TODOS são extremados e muitos tornam-se irredutíveis… assim como Zwinlgio e Lutero em Marburg…Só o Espírito Santo… somente Ele é capaz de quebrar o orgulho teológico dos orgulhosos… será pelo programa dEle que a Igreja demonstrará a verdadeira unidade… não será pelo progrma de crentes genuínos, mas vaidosos, que pensam que o seu mundinho denominacional é o reduto da VERDADE…Gutierres, só você e outros por aí e por aqui é que acreditam numa UNIDADE CRISTÃ AUTÊNTICA que não mistura, mas que valoriza o “você lá e eu cá”…esse tipo de COMUNHÃO eu tenho com muitas pessoas de outras religiões, e vc certamente também…a COMUNHÃO dos santos é a de se assentar à mesma mesa… compartilhando do mesmo pão [os asmos da sinceridade] e do mesmo vinho… sabe quando isso vai acontecer… quando os pentecostais e os reformados abandonarem suas teologias comrpometidas e respeitarem os demais filhos de Deus que não fazem parte dos seus respectivos universos denomincaionais [vice-versa]…o resto é conversa pra boi dormir… é a busca do ser politicamente correto… coisa que cheira ao farisaísmo…

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  12. Nobre Gutierres“Paulo Romero é dirigente de uma igreja na zona sul de São Paulo, cuja teologia é assembleiana”.Esta frase indica:Paulo Romero é assembleiano, mas não conveniado à CGADB?Ele é conveniado à CONAMADE?Ele é líder de uma Assembléia de Deus independente?Ele não é assembleiano?A sentença acima é enigmática. Seria bom decifrar o enígma aos leitores deste blog.Paulo Martins

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  13. Zwinglio, a paz!Lamentável sua experiência com os congregacionais. Posso dizer pra você que como pentecostal sou respeitado pelos meus amigos reformados… Mas um respeito de verdade! É claro que já me encontrei com reformados fundamentalistas, cuja arrogância os fazia exalar de suas narinas a verdade absoluta em Calvino, mas graças ao Bom Deus que esses foram exceção na minha lista de amigos!

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  14. Paulo Martins, a paz!Paulo Romeiro dirigi a “Igreja Cristã da Trindade”, que não é filiada nem a CGADB ou a CONAMAD e a nenhuma convenção assembleiana. Mas como o próprio Romeiro afirma a ICT é uma igreja de linha assembleiana em sua doutrina, inclusive defende os quatorzes pontos da confissão de fé assembleiana. Na Escola Dominical da ICT as revistas usadas são da CPAD. Romeiro se converteu na Assembléia de Deus e foi ordenado ao pastorado na AD norte-americana!

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