Teologia da Prosperidade

Não adianta condenar a “teologia da prosperidade” e pregar o “triunfalismo”


No início dos anos 90, um pastor bem apresentado, com pinta de radialista e de jornalista, ganhava as audiências da madrugada na Rede Record de Televisão. Ronaldo Didini, o apresentador do 25º Hora exerceu o pastorado nas duas mais famosas igrejas neopentecostais desse país, sendo primeiramente a Igreja Universal do Reino de Deus e depois na Igreja Internacional da Graça de Deus. Didini ainda passou pela Assembléia de Deus e chegou a fundar uma denominação chamada Igreja do Caminho. Esteve ao lado de Edir Macedo e R.R. Soares. Agora, Didini se destaca por sua nova aliança: Igreja Mundial do Poder de Deus, do “apóstolo” Valdomiro Santiago. Hoje ambos gerenciam 22 horas de programação em uma emissora do Grupo Bandeirantes.

Valdomiro Santiago era um bispo da Igreja Universal do Reino de Deus e fundou a Igreja Mundial do Poder de Deus em 1998. Essa igreja tem atraído membros de outras denominações carismáticas e inclusive coloca-se como perseguida pelos “maiores”, sendo uma clara referência do “apostólo” Valdomiro ao bispo Edir Macedo. Quem mora em cidades como São Paulo, pode observar a olho nu o rápido crescimento dessa nascente denominação neopentecostal. Valdomiro centraliza os cultos em torno de “milagres” e “curas”, sendo forte a ênfase em testemunhos. Teoricamente não prega a “teologia da prosperidade”. Mas “teoricamente”? Por quê?

Discurso que decai nas práticas

Ronaldo Didini afirmou categoricamente, em entrevista para a Revista Cristianismo Hoje (janeiro 2008) que a “teologia da prosperidade é diabólica”. Em entrevista para a Revista Carta Capital (Ano XV, n. 511), Didini declarou que “levar o fiel a dar carro, casas, cheque pré-datados para a igreja é estelionato”. Valdomiro também verbera contra a “teologia da prosperidade” e diz que ninguém precisa pagar os milagres em sua igreja.

Apesar desse discurso inovador no seio neopentecostal, Didini e Santiago continuam embevecidos pelo triunfalismo, onde pregam para as classes mais pobres desse país uma vida livre de percalços, como doenças, crises familiares, desemprego etc. É claro que ninguém está impedido biblicamente de pregar milagres e maravilhas, mas não tornando tais coisas como o centro da pregação, além de usar meios nada convenientes como lenços, flores e até o próprio suor. Pura superstição herdade do catolicismo popular.

Leia as próprias palavras de Valdomiro Santiago e observe a apresentação do triunfalismo:

Eu, Valdemiro Santiago, constituído Apóstolo, tenho certeza absoluta de que, se você abrir sua porta e deixar o Senhor entrar, a sua vida será somente de vitórias, de alegrias, porque a palavra d’Ele não falha e nunca falhará. Em II Coríntios 9.6, está escrito que o que semeia pouco, pouco ceifará, e o que semeia com fartura, com fartura também ceifará. E é poressas palavras escritas e testificadas que eu convido-lhe a participar deste propósito de prosperidade, ajudando a patrocinar esta obra. Ao ser um escolhido para ajudar a manter a obra de Deus, o seu nome será escrito no nosso livro e levado para o Monte para orarmos em seu favor. Se você estiver desempregado ou em dificuldades financeiras, vamos orar ainda mais por você. Confie, creia e participe, porque a sua vida será como uma árvore adubada, regada, e cada vez mais frutífera. Ligue agora na Central de Atendimento e faça parte deste propósito, ajudando a patrocinar esta obra.[1]

Nunca é tarde para lembrar que o triunfalismo uma versão mais light da “teologia da prosperidade”, mas sendo tão anti-bíblica quanto! Não é só o “apóstolo” Valdomiro Santiago com o seu assessor que comete esse engano. Já vi vários pregadores pentecostais que “condenam” esse evangelho da saúde e prosperidade, mas a ênfase ministerial está nas bênçãos e conquistas. Pura incoerência! Portanto, não adianta condenar aquilo que pratica!

Nota:

[1] SANTIAGO, Valdemiro. O grande livramento. São Paulo. Igreja Mundial do Poder de Deus. 2006. p. 39.

13 comentários em “Não adianta condenar a “teologia da prosperidade” e pregar o “triunfalismo”

  1. A paz do Senhor Jesus Cristo!Caro irmão,realmente não adiantar ser contra a teologia da prosperidade e pregar o triunfalismo,pois é contraditório.Vale destacar aqui o que é ensinado na Soteriologia do ICP(Instituto Cristão de Pesquisa)acerca do termo Sozo:“Sozo pode designar ainda a salvação de uma pessoa da morte(Mt 8.25;At 27.20,31); de enfermidade física(Mt 9.22;Mc 10.52;Lc 17.19;Tg 5.15); de possessão demoníaca(Lc 8.36) e ainda da morte que já sobreveio(Lc 8.50). Entretanto, a grande maioria das ocasiões mostra no termo a salvação espiritual que Deus providenciou através de Cristo( 1Co 1.21;1Tm 1.15) e que as pessoas provam a partir da fé(Ef 2.8). Portanto, as mensagens cristães deveriam girar em sua maioria em torno da salvação espiritual operada por Cristo Jesus.Mas,caro amigo isso não dá Ibope e nem dá…Em Cristo

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  2. Wilson Junior, a paz!A teologia da prosperidade (prefiro o termo “movimento da fé” ou “evangelho da saúde e prosperidade plena”) são realmente grande desserviço para o Reino de Deus!Infelizmente milhares de pessoas estão nesse momento machucados por causa dessas mentiras, além de serem privadas do verdadeiro Evangelho!

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  3. Uma coisa é verdade, podemos triunfar, podemos ter prosperidade e ser as pessoas mais felizes do mundo e Deus quer isso. Mas essa felicidade, esse triunfo e essa alegria é o amor de Deus e a Salvação através do Cristo, o Mediador.Só pra finalizar, eu não vejo diferença entre teologia da prosperidade e o discurso triunfalista. Os dois são distorcer a Palavra e dizer o que o povo quer ouvir.<>E Neemias, que era o governador, e Esdras, sacerdote e escriba, e os levitas que ensinavam o povo, disseram a todo o povo: Este dia é consagrado ao Senhor vosso Deus; não pranteeis nem choreis. Pois todo o povo chorava, ouvindo as palavras da lei.Disse-lhes mais: Ide, comei as gorduras, e bebei as doçuras, e enviai porções aos que não têm nada preparado para si; porque este dia é consagrado ao nosso Senhor. Portanto não vos entristeçais, pois a alegria do Senhor é a vossa força.<> – Neemias 8:9-10

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  4. Gutierrestenho acompanhado seu blog e gostei bastante deste post visto que muitas vezes você tem cometido exageros em seus comentários (como por exemplo no post sobre adoração extravagante).Eu vejo diferença entre TDP e triunfalismo, embora a primeira englobe a segunda. No caso do Valdemiro Santiago, ele está mais pendendo ao triunfalismo, visto que sua ênfase está demasiadamente focada em curas, milagres e campanhas para tanto arrecadar dinheiro como também ver seu povo prosperar.É bom termos em mente que o problema não é a Igreja Mundial e sim a ênfase que é dada em certos pontos, que não deveriam ser um foco. Eu considero isso mais como defeitos humanos, visto que na história dele, ele sempre teve ensinamentos errados (pois é oriundo da Universal). É como uma criança que aprende algo errado e comete o mesmo erro quando é adulta e então a condenamos. A responsabilidade do ato errado é dela mas ela sempre aprendeu errado, talvez nunca ninguém a esclareceu.Também não concordo com o uso de objetos nos cultos e campanhas, isto se assemelha muito ao catolicismo e para mim é anti-bíblico. Se for pra “copiar” algo, devemos ver se isto se adequa à palavra e uso de objetos leva à idolatria e à falta de maturidade do cristão. Quanto a pedir ofertas para ajudar a manter o programa de TV, não vejo mal nisso, desde que não classifique os ofertantes ou a oferta. O que quero dizer com isso? O Valdemiro classifica 33 reais como uma “oferta pequena”. Para uns pode ser e para outros não, isso gera constrangimento. Outra coisa é uma classificação conforme a oferta da pessoa (se der 30 reais é “gideão”, se der mais é “fiel”, etc). Esta é outra forma de constrangimento e acaba criando um ambiente de “quase-obrigação” de os demais ofertarem.Ou cremos na obra do Espírito Santo ou faremos pelas nossas próprias mãos e a Palavra diz em Zacarias que não é por força, mas pela ação do Espírito SantoNaquele que não faz acepção de pessoas,André (Sapão)

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  5. A FALÁCIA DA PROSPERIDADE
    QUANDO A BÍBLIA FALA

    “Porque o filho do homem veio BUSCAR e SALVAR o que se havia perdido”
    Lucas 19:10

    Existem alguns aspectos da vida e do ministério de Jesus que parecem não interessar aos defensores da “TEOLOGIA DA PROSPERIDADE”, pois estes depõem literalmente contra tais práticas e crenças. Ao ler a narrativa do encontro de Jesus com Zaqueu fica evidente que há contradições nos argumentos de quem prega este conceito como sendo algo Bíblico. Zaqueu era um homem “RICO” de berço, mesmo não conhecendo e não temendo a Deus e assim como ele existem milhões pelo mundo que ostentam suas posses sem qualquer vínculo religioso seja lá com que igreja for. Portanto, aqui já há algo que depõe contra os TEÓLOGOS DA PROSPERIDADE.

    Zaqueu, ao perceber do alto daquela figueira, que Jesus havia notado a sua presença e sendo chamado, desceu foi até a sua casa e lá tomou uma decisão no mínimo inusitada, decisão que bate de frente com os que pregam a posse de bens materiais como graça divina, ele disse: “Senhor, eis que dou aos pobres metade dos meus bens; e, se alguma coisa tenho defraudado alguém, restituo quadruplicadamente” – Lucas 19:8. A atitude de Zaqueu é de causar constrangimento a quem vive na ilusão da prosperidade uma vez que ele abriu mão de bens para seguir a Cristo. Ora, se o Evangelho é sinal de PROSPERIDADE neste caso as coisas não batem, até porque Jesus arremata dizendo: “Porque o filho do homem veio BUSCAR e SALVAR o que se havia perdido” – Lucas 19:10. Este texto derruba qualquer argumento dos TEÓLOGOS DA PROSPERIDADE, pois ele deixa claro que Jesus veio para tratar dos problemas da “ALMA” e não do “BOLSO” do cidadão, buscando e salvando sem prometer riquezas materiais como recompensa. O fato curioso é que estes textos não são lembrados nos sermões dos donos das EMPREJAS, muito menos o de Jesus tratando com o Mancebo de Qualidade quando diz: “Se queres ser perfeito, vai, vende tudo que tens, e dá aos pobres; E terás um tesouro nos Céus; E vem, e segue-me” – Mateus 19: 21. Para seguir a Cristo ele precisava se livrar de seus bens o que é algo no mínimo estranho para os conceitos de PROSPERIDADE modernos. É inquietante notar que Jesus jamais falou sobre prosperidade material, até porque Ele multiplicava PÃES e PEIXES, mas jamais multiplicou BENS MATERIAIS! Para aquele cidadão que a Bíblia afirma ter qualidades, o dinheiro e as suas riquezas falaram mais alto e ele foi embora triste, porque possuía muitos bens.

    A Bíblia é imperativa ao afirmar que Jesus é “O CAMINHO”, “A VERDADE” e “A VIDA”, ele não é um Banco, um Agente Financeiro ou uma Bolsa de Valores, muito menos uma Casa da Moeda. Ao recomendar que devemos buscar PRIMEIRO o Reino de Deus e a sua Justiça ela não abre brechas para a exploração de mecanismos que permitam negociar com a fé na troca pela prosperidade material. A Bíblia trata das riquezas CELESTIAIS e não das MATERIAIS; Trata também dos problemas pertinentes à alma e não aos do bolso; Ela afirma que Jesus veio romper com o modelo capitalista da época onde a riqueza era sinal de poder e de exploração do homem pelo homem.

    Continua…

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  6. Continuação…

    Veja o que diz Paulo: “MANDA AOS RICOS DESTE MUNDO QUE NÃO SEJAM ALTIVOS, NEM PONHA A ESPERANÇA NA INCERTEZA DAS RIQUEZAS, MAS EM DEUS, QUE ABUNDANTEMENTE NOS DÁ TODAS AS COISAS PARA DELAS GOZARMOS. QUE FAÇAM O BEM, ENRIQUEÇAM EM BOAS OBRAS, REPARTAM DE BOA MENTE, E SEJAM COMUNICÁVEIS. QUE ENTESOUREM PARA SI MESMOS UM BOM FUNDAMENTO PARA O FUTURO, PARA QUE POSSAM ALCANÇAR A VIDA ETERNA” – I Timóteo 6:17 a 19. Este é um tratado nas questões que envolvem a vida material que jamais pode ser desprezado por qualquer pessoa, mas que, no entanto foi literalmente retirado da Bíblia dos Agentes da Prosperidade das igrejas modernas para não lhes causar nenhum problema.

    Outro texto surrupiado das páginas da BÍBLIA DA PROSPERIDADE é: “E esta é a confiança que temos nele, que, se pedirmos alguma coisa, SEGUNDO A SUA VONTADE, ele nos dá” – I João 5:14. Não creio que alguém sábio precise de argumentos mais sólidos dos que acima estão citados para ver que há algo PODRE dentro destas igrejas de fachada que fizeram da promessa de PROSPERIDADE uma bandeira para as suas pretensões materiais.

    Carlos Roberto Martins de Souza
    crms2casa@otmail.com

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