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A Imoralidade em Corinto

Subsídio das Lições Bíblicas (CPAD)- I Coríntios – Os problemas da Igreja e suas soluções

A imoralidade tolerada por uma comunidade eclesiástica rói a estrutura da mesma. Sendo esse o problema que existia na igreja de Corinto, cabe aos cristãos do século XXI refletir sobre as conseqüências do pecado no âmbito evangélico mediante a ausência de disciplina. O pecado sempre será sério e precisamente necessário a expurgação do mesmo, por meio de sangue de Cristo e da santidade pela Graça do Senhor.

1.       Escândalo na Igreja

Um jovem pertencente à comunidade de Corinto mantinha relações sexuais com a sua madrasta (I Co 5.1) [1]. Esse tipo de relacionamento é chocante em qualquer cultura, com um potencial de escândalo enorme. Porém, esse caso era tolerado pelos membros e liderança da igreja de

 Corinto. Todos estavam fazendo “vista grossa” ao caso. Onde uma igreja leniente com o pecado pode parar? Se não na vergonhosa humilhação e no pavoroso escândalo.  Aonde os pecadores arrependidos recorrerão quando buscarem um lugar diferente do seu antigo mundo, e não acharem? Certamente se sentirão imóveis, como quem nunca saiu do mesmo lugar.

Mesmo diante desse quadro mal pintado, os coríntios estavam orgulhosos de alguma coisa ( I Co 5.2). Cegos pela arrogância, não enxergavam o fruto podre entre eles, que contaminava toda a fruteira.  Assim vive a igreja brasileira, pois mediante tantos escândalos e modismos doutrinários, boa parte dessa comunidade comemora em vão um suposto avivamento, que está longe de existir. Ufanistas da última hora, não conseguem ver a realidade, enganando a si mesmos na sua própria ignorância.

Quando, então, alguns líderes evangélicos comentem crimes, os membros de suas respectivas igrejas logo acusam a mídia pela dita “perseguição”. Deveriam então ser repreendidos (II Tm 5.20), porém são aclamados ou colocados na posição de “mártir”. Alguns caem em adultérios e roubos e voltam “mais ungidos” na “restauração” de seus ministérios. Sendo que nesses casos é evidente a falta de prudência na real recuperação de um desviado.

2.       Ação Pastoral Disciplinar na Igreja (vv. 9-11)

A disciplina eclesiástica [2] é o tema central desse capítulo. Paulo, mesmo ausente fisicamente, ordena que o rapaz incestuoso seja “entregue a Satanás” (I Co 5.5), ou seja, banido da comunhão e atraído pela ira de Deus, sofrendo corporalmente [3]. Disciplinar é um dever eclesiástico, sempre aplicado a quem quebra princípios morais e éticos fundamentalmente baseados nas Sagradas Escrituras.

Ninguém pode ser disciplinado simplesmente por desobedecer a costumes e tradições de uma determinada denominação, mas infelizmente isso acontece no meio evangélico brasileiro. Algumas mulheres ainda são submetidas à disciplina por cotarem os seus cabelos ou até mesmo pelas “chapinhas” artificiais. Isso soa ridículo, pois nenhuma dessas pessoas feriu princípios baseados exclusivamente na Bíblia, a regra de fé e prática dos cristãos.

Disciplina aplicada

É curioso que nas igrejas pentecostais as pessoas só são disciplinadas por pecados sexuais, como adultério, fornicação ou prostituição. No máximo algumas disciplinam jovem que mantém laços de namoro com não-cristãos. Pronto, não passa disso. Disciplina não descrimina pecado, pelo contrário, a mesma tem por objetivo pedagógico corrigir qualquer pecador, de qualquer tipo. Como pode igrejas não disciplinar os fofoqueiros, os caloteiros, os mentirosos etc.?  Raramente um pregador de modismos doutrinários é disciplinado nas igrejas brasileiras. Então, todos podem ver a conseqüência dessa negligência.

Tipos de disciplina

Conforme textos como Mt 18. 15-17 e I Co 5, pode-se concluir que a disciplina é progressiva. Portanto, algumas pessoas devem receber advertência, porém quando permanecem rebeldes em seu pecado, devem ser excluídas da comunhão.

Disciplina como um ator de amor

Disciplina não é autoritarismo de um líder des

pótico. Nem deve ser usado para humilhar alguém. Disciplina serve com o propósito de correção, educação e resgate daquele que peca. Deve ser usado com cuidado, discernimento e muita base bíblica, correndo o risco de abusos e práticas antibíblicas.

Notas:

[1] “Nos tempos judaicos, a expressão esposa de seu pai significava madrasta”. In KISTEMAKER, Simon. I Coríntios. 1 ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2004. p 222.

[2] “Deve ser observado que toda a assembléia seria envolvida nesta ação disciplinar, a qual devia ser corretiva e não judiciosa”. 

In HORTON, Stanley M. I e II Coríntios, Os Problemas da Igreja e Suas Soluções. 4 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2007. p 57. Diferente de condenar alguém à prisão, a disciplina eclesiástica não quer punir simplesmente e muito menos se vingar, mas somente corrigir o infrator.

[3] “Ninguém pode se arrogar o direito de infligir a outros a ‘ruína da carne’”. Por isso Paulo insiste no ‘poder de nosso Senhor Jesus’ (v.4) como agente último da ‘entrega a Satanás’, o que limita a autoridade e o arbítrio da comunidade. É necessário, sim, afastar que ultrajou a santidade da comunhão cristã. Não obstante, o julgamento último sobre a pessoa é privilégio divino.” In BRAKEMEIER, Gottfried. A Primeira Carta do Apóstolo Paulo à Comunidade de Corinto- Um comentário exegético-teológico. São Leopoldo: Sinodal/EST, 2008. p 69.

Um comentário em “A Imoralidade em Corinto

  1. Shalom!

    1. CAro Gutierres, ótima exposição. Toda disciplina deve ser um ato de amor. A disciplina que afasta os irmãos da igreja, nunca foi e nunca será disciplina.

    2. Sobre o pecado deixo uma pérola de Spurgeon:

    “O pecado e o inferno estão casados, a não ser que o arrependimento anuncie o DIVÓRCIO”

    abraços do amigo, Pr Marcello

    P.s veja o texto:

    Os termos da adoração no A.T

    Curtir

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