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Emergentes aqui do lado!

Quando falamos em igrejas emergentes parece ser um fenômeno norte-americano distante da nossa realidade. Puro engano. Há igrejas emergentes em São Paulo com uma década de vida. Há também muitos que pensam que todas as igrejas emergentes são de tendência teológica liberal. Ledo engano. Nem todo emergente é um Rob Bell ou um Brian McLaren. A escola Mark Driscoll, ou seja, os emergentes reformados ou conservadores são parte importante dos emergentes.

Driscoll define o emergente evangélico com a seguinte conta: Evangelho + Cultura + Igreja = Reformissão. Os missionais não estão reivindicando o fim das igrejas tradicionais, mas sim um trabalho complementar. É fato, as igrejas mais tradicionais não alcançam várias tribos e “culturas” urbanas presentes neste mundo pós-moderno. Essa dificuldade de comunicação prejudica a proliferação do Evangelho.

“Proibido a entrada de pessoas perfeitas”

Imagine a Rua Augusta. Se você não conhece a cidade de São Paulo talvez já tenha ouvido a fama dessa rua. A Augusta liga o bairro nobre do Jardins ao centro decadente da cidade, sendo um reduto de prostitutas, homossexuais, pucks, emos e alternativos. Não há igrejas tradicionais nessa rua. Aliás, é inimaginável famílias vestidas socialmente descendo e subindo essa rua.

Mas lá existe uma igreja emergente. É a Capital Vineyard: Uma Igreja na Augusta, esse é o lema da comunidade. Lá você ouvirá uma pregação focada na Bíblia como inspirada por Deus e ao mesmo tempo um ataque ao secularismo no Ocidente. É um tipo de mensagem ausente de muitas igrejas históricas de catedrais centenárias em estilo gótico. E em um dos cultos, o integrante banda de rock cristão Palavrantiga, Marcos Almeida, falava sobre o desafio de vencer esse secularismo.

Alguns cultos dominicais são realizados no vão do MASP (Museu de Arte de São Paulo) em plena Avenida Paulista. Sempre levando em conta que a igreja “somos nós” e não templos físicos.

A recepção é: “Proibido a entrada de pessoas perfeitas”.

Site: http://capitalaugusta.com/

Baseado em Atos 2.42

O Projeto 242 foi criado há mais de uma década. Localizado na Rua da Glória, no bairro da Liberdade, uma região de imigrantes orientais próximo ao centro da cidade. O Projeto 242 tem como líder o pastor Sandro Baggio, aquele que se define não como moderno, nem pós-moderno, mas pré-moderno. A igreja também tem o propósito da alcançar aqueles que dificilmente chegariam numa igreja tradicional. A comunidade também mantém projetos que buscam ajudar prostitutas.

Site: http://www.projeto242.com/2011/

O trabalho dessas igrejas é importante pelo foco específico em um público que as igrejas tradicionais estão muito longe. O melhor para os cristãos é que esses dois grupos colaborem um com o outro. Uma grande igreja precisa também pensar na necessidade de comunicar com diversos públicos, desde de uma idosa que sempre valorizou o cristianismo até um adolescente emo totalmente ignorante de Bíblia. Jesus morreu por todos.

Saiba mais:

Para entender os emergentes conservadores leia o livro: DRISCOLL, Mark. Confissões de um Pastor da Reformissão: Duras Lições de uma Igreja Emergente Missional. 1 ed. Rio de Janeiro: Tempo de Colheita, 2009.

Para uma análise completa da teologia emergente mais liberal leia o livro: CARSON, Donald A. Igreja Emergente: O Movimento e Suas Implicações. 1 ed. São Paulo: Edições Vida Nova, 2010.

Um livro que formou o pensamento emergente é de um pastor presbiteriano chamado Francis A. Schaeffer, escrito na década de 1970: SCHAEFFER, Francis A. A Arte e a Bíblia. 1 ed. Viçosa: Ultimato, 2010.

13 comentários em “Emergentes aqui do lado!

  1. Partindo do princípio de que “emergente” é aquilo que emerge, ou seja, que sai de baixo para cima, que sai do fundo e aparece na superfície, o termo em si não deveria ter uma conotação positiva ou negativa.
    No meio evangélico, sobretudo entre os conservadores – e me incluo entre eles – a segunda hipótese tem prevalecido.
    Eu tinha lido uma matéria na revista Época (http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI161475-15228,00-A+NOVA+REFORMA+PROTESTANTE.html) e outra na Cristianismo Hoje, e percebi que até no meio secular (caso da primeira revista) se dá uma conotação, se não negativa, pelo menos de leve apreensividade temerária diante disso que surge, apesar, paradoxalmente, da roupagem ligeiramente eufórica. Não será talvez aquele nosso ancestral medo (ou pelo menos receio) do novo?
    Oportuno o seu post, pois mostra que o que emerge nem sempre é o monstro do Lago Ness – às vezes é, mas nem sempre.
    No final das contas, é o que se está pregando que importa. Se se emerge apresentando uma fidelidade às Escrituras e ao projeto de salvação de Deus para o homem, ainda que com roupagem diferente do que estamos acostumados – o pessoal dos usos e costumes que nos perdoem (Ih! tomara que o “DEFENDENDO A FÉ…” não nos leia!) – emergiu coisa boa. Do contrário, aí é o monstro mesmo.

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  2. Essas tais “igrejas” são reflexos espúrios do Pós-Modernismo.

    Gostaria de saber o que um Billy Graham,um David Wilkerson,um Leonard Ravenhill,um Jean Porto,um Antônio Gilberto,um Elinaldo Renovato de Lima pensam dessas igrejas que pregam que Cristo só quer o coração a qualquer custo…

    Ridículo.

    Há muito tempo atrás um homem sapientíssimo já profetizou acerca desses tais pastores e líderes “emergentes”quanto disse do alto da sua sabedoria:

    “Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; e desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas.” [2 Timóteo 4:3-4].

    Pra mim o povo que “tendo comichão nos ouvidos, amontoa para si doutores conforme a sua própria concupiscência”,tem bem os mestres que merecem.

    MARANATA!

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  3. Gutierres,

    como sempre, ótimo post! Embora seja pastor de uma igreja numa denominação histórica, me identifico muito com os emergindos reformados e missionais (nos EUA , os conservadores reformados e emergentes missionais são chamados de emerging enquanto os liberais e/ou pós-modernistas são chamados de emergents).

    Por ser carioca da gema e ter conhecido o Evangelho no início da vida adulta sei que esse perfil tem uma linguagem que alcança a juventude pós-moderna.

    Quando você me conhecer pessoalmente vai achar estranho e engraçado um pastor falando “mermo”, bicho e brother, heheheh, no estilo ex-playboy da zona sul do Rio. 🙂

    Viva o Evangelho que alcança e muda o coração de todos os tipos de pessoas para a glória de Deus e nossa alegria.

    Abração fera,
    Juan

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  4. Gutierres

    Não nego que existem cristãos bíblicos que se definem como emergentes. Mas eu os considero incongruentes. Digo isso porque o movimento emergente tem história, tem início. E a história de seu início é anti-bíblica por natureza.

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  5. Bom, à exceção da igreja da Rua Augusta, que não conheço, a do Mark Driscoll e a do Projeto 242 não ensinam “que Cristo só quer o coração a qualquer custo…”, como quis ressaltar nosso querido “DEFENDENDO A FÉ…”.
    Aliás, ensinam, sim, afinal, não é isso mesmo que o Senhor quer de nós, o coração, todo, estando incluídos aí nossa mente, nossa vontade, nossas emoções e nossa consciência? E Ele não pagou o mais alto custo por esse nosso coração? Acho que a expressão do comentarista não foi apropriada.
    Ressalva feita ao grande apreço e carinho que se tem pelos “bons usos e costumes”, eu penso que com o passar do tempo nós não poderíamos mais nos reunir como Igreja nos moldes, por exemplo, dos puritanos do século XVIII. Então se a referência a uma eventual reprovação de um Billy Graham e outros irmãos ao procedimento de culto de um Mark Driscoll ou do pessoal do Projeto 242 se refere a liturgia ou aos “bons usos e costumes”, poderíamos nos perguntar o que um Spurgeon pensaria da igreja do Billy Graham – olhando somente para a mudança dos “bons usos e costumes” -, isso levando em conta que o próprio John MacArthur Jr. afirmou no livro “Com vergonha do Evangelho” que certamente Spurgeon estranharia a forma de culto da sua (do MacArthur) igreja, não obstante ele, o MacArthur, estar defendendo a mesma tese teológica que o Spurgeon no final de sua vida.
    Já quanto a teologia, não penso que se escandalizariam alguns irmãos com Driscoll ou o 242.
    Foi citado o desvio dos ouvidos da verdade e a volta às fábulas. Sim, é verdade, mas tenho certeza que Paulo não aludiu a verdade no texto mencionado se referindo a liturgia de culto, à roupa do pastor, à arrumação das mesas e assentos no templo ou a qualquer outro “bom uso e costume”, mas à verdade doutrinária, teológica, de um lado, e às fábulas, de outro, estas últimas como sendo a idéia que penso tenha tentado o “DEFENDENDO A FÉ…” transmitir com a inadequada expressão “que Cristo só quer o coração a qualquer custo.
    Então, não caberia aqui, em princípio, a deselegante classificação de “ridículo”.
    Tudo bem quanto à ressalva que o Aprendiz fez, sobre uma história que já estaria por trás da classificação de “emergentes”, no entanto, a distinção que nos esclareceu Juan de Paula entre emerging e emergents, que em nosso idioma ainda não coube, lança outra luz sobre o ponto, mas, como eu disse, considerando-se que emergente é o que emerge, nos seria prudente ouvir o que o que emerge está pregando para depois dizer se emergiu o que já vinha emergindo antes – Bell, Gondim, Kivitz, Brabo, MacLaren (emergents) – ou se emergiu a sã doutrina, ainda que com roupagem diferente, sem os “bons usos e costumes” (emerging).

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  6. Gutierres,

    Essa informação de que o pensamento emergente tem como base Francis A. Schaeffer (A Arte e a Bíblia) é nova pra mim. Todas as outras obras dele divergem dessa ideia, mas ainda não li esse livro especificamente.

    Vou fazê-lo para averiguar.

    abç

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  7. Valmir

    É estranho dizer que o pensamento emergente tem por base Francis Schaeffer. As raízes do movimento emergente estão em Thomas Merton e outros monges, antes dele. Estude o assunto e verá que é assim.

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  8. PS:

    “Emergentes” que nunca leram Thomas Merton estão no mesmo nível que “marxistas” que nunca leram Marx. Nem mesmo podem ser convencidos de seus erros, porque eles mesmos não sabem em que acreditam.

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