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O mundo está piorando?

A teologia escatológica dispensacionalista sempre prega que o mundo está indo de mal a pior. Será? Sem querer ser taxativo em assuntos de escatologia, mas os dispensacionalistas precisam responder algumas perguntas importantes. A premissa que o mundo está piorando tem muitas sustentações, mas elas são frágeis. Vejamos:

a) É comum falar que a imoralidade está crescente em nossos dias. É uma grande verdade. Os valores estão sendo trocados pelo relativismo moral. Mas o passado era melhor quando as pessoas acreditavam em valores absolutos?

No passado das famílias tradicionais, cheias de “valores cristãos”, os pais iniciavam a vida sexual dos filhos homens nos prostíbulos. E a coisa mais “normal” do mundo eram os homens mantendo amantes, enquanto as esposas ficavam abandonadas. Hoje existe muita traição entre os casais, mas dificilmente uma mulher aceita “pacientemente” uma amante.

E a Roma antiga? Aquilo era pior do que carnaval baiano ou carioca. E não era uma festa semanal, mas sim a constante da “Cidade Eterna”. Não é à toa que Paulo escreveu o capítulo um da Carta aos Romanos. Era um bacanal só! Aliás, o culto a Baco mostra bem essa realidade pervertida daquela sociedade.

b) É comum falar no constante aumento do secularismo. É verdade. Mas a religião está morrendo? O cristianismo está encolhendo? Depende do ponto de vista.

Olhar para a Igreja Anglicana na Inglaterra é uma experiência extremamente triste. O avanço do secularismo faz dessa igreja mera instituição social sem voz profética. Mas é motivo de grande alegria olhar para a Igreja Anglicana na Nigéria, por exemplo. O crescimento do cristianismo no continente africano é uma das grandes notícias deste início do século.

Quer encontrar um evangélico praticante? É mais fácil no Rio de Janeiro do que em Londres. É mais fácil em Pequim do que em Berlim. É mais fácil em Lagos do que em Paris. Nigéria, China, Brasil e os Estados Unidos são os países campeões em cristãos evangélicos, mas em proporção diferente.

Com exceção dos Estados Unidos, os países ricos enfrentam uma secularização radical, enquanto que países emergentes, como China e Índia, o cristianismo cresce com a todo vapor. E esses são países sem tradição cristã. Hoje, a Índia já é um “celeiro” missionário.

c) A violência é assustadora. Estamos assistindo crimes horríveis, como o massacre de pré-adolescentes em Realengo ou a morte de uma criança pelo próprio pai, como da menina Isabela ou ainda a explosão dos índices de violência nas capitais nordestinas. Mas antes era melhor?

Estudar a história das guerras é estudar a atrocidade humana. Genocídio sempre foi uma constante na humanidade. Hoje ficamos espantados com histórias como de Ruanda ou Dafur, e não é para menos, mas nos séculos passados a situação era bem mais crítica e, podemos dizer, basicamente trivial para aqueles povos.

A violência é grande nos dias atuais, mas ainda controlável pela vontade política, como aconteceu na Colômbia ou na cidade de Nova York. A Alemanha, que foi palco do regime cruel e totalitário de Hiltler há poucas décadas, hoje é exemplo de segurança e civilidade. Os índices de morte em alguns países da Europa são tão baixos que em nada lembram o continente que protagonizou duas grandes guerras.

O que falta mesmo é pulso político para controlar a tendência pecaminosa para a maldade por meio da violência.
________________

Essas são somente três provocações. Há inúmeras outras. O mundo está piorando? A resposta é mais complexa do que imagina a nossa vã filosofia.

17 comentários em “O mundo está piorando?

  1. Gutierres, paz!

    Sim! O mundo está piorando.

    A 1ª guerra matou mais de 15 milhões de pessoas.

    A 2ª guerra matou 45 milhões de pessoas.

    Violência sempre houve, é claro.

    Início:

    Caim mata Abel.

    Que número assustador!

    Uma morte!

    De 1 para 60 milhões nas duas grandes guerras que aconteceram “ontem” [esse “ontem” é no sentido histórico], não há como não pensar em uma piora acentuadíssima, você não acha?

    Isso também é assustador!

    Isso é só um dado comparativo irmão.

    Quando você fala em poder político pra refrear o pecado, a maldade, a violência, citando como exemplo ações de países europeus não dá esperança nenhuma visto que fora por lá que aconteceu as duas grandes guerras.

    Se os índices de violência por lá baixaram, que bom.

    Mas não nos esqueçamos que eles mesmos são capazes de inciar um outro conflito mundial.

    A maldade [humana] política pode ser adormecida, mas nunca deixa de ser latente.

    Exaltar a Europa como prova da neutralização da violência por suas terras, é um erro, a meu ver, visto que por lá, por exemplo, crassa um outro tipo de violência chamado de xenofobia. Este carrega em si a violência moral e física.

    Bom, não sei mesmo se concordo com suas palavras meu irmão.

    A discussão é muito mais profunda…

    Pra mim, o mundo está piorando sim.

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  2. Este post resultou da nossa conversa de fim de semana? 🙂

    Conversando com um pastor certa vez, ele tentou me explicar uma certa teoria missiológica de onda, que funcionaria no seguinte sentido: a força da onda de evangelização/conversão a Cristo começou no Oriente Médio, foi para a Europa, depois para as Américas (momento atual), mas agora irá ganhar cada vez mais força na região da África. Sinceramente não me lembro onde se encaixaria a Ásia neste teoria (foi há muito tempo), mas você já tinha ouvido falar nisso?

    God bless.

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  3. Cristiano, a paz!

    Ah, certamente a conversa colaborou com esse post. rs Aliás, a conversa do sábado rende vários posts. rs.

    Eu não conheço essa teoria missiológica da onda. Mas o historiador Philip Jenkins trabalha muito com esse conceito de deslocação do cristianismo do Norte (EUA, Europa) para o Sul (América Latina, África e Ásia).

    O livro do Jenkins foi lançado em 2002 nos EUA, mas penso que expressa bem a realidade atual dos fluxos do cristianismo pelo mundo.

    Veja: JENKINS, Philip. A Próxima Cristandade: A Chegada do Cristianismo Global. 1 ed. Rio de Janeiro: 2004.

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  4. Gutierres,

    “Mas parece não existir uma graduação constante dessa violência, mas sim ciclos.”

    Já que você fala em ciclos, pergunto:

    Eles não surgem carregados de graus de violência? A cada um deles não temos maneiras novas, mais sádicas e mais brutais de exercer a violência contra o outro?

    Se se pode constatar o “mais”, então temos aí uma graduação e isso prova que o mundo está piorando.

    Os experimentos humanos nazistas não são mais um degrau na escalada da violência perpetrada pelo animal homem dentro daquilo que você chama de ciclos?

    Eu acho que sim.

    “os homens perversos… irão de mal a pior…” [2Tm 3:13].

    Se os homens vão, o mundo também vai.

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  5. Eu teria como argumentar, consistentemente, que o mundo esta se deteriorando.

    Mas nao o farei, daria muito trabalho e seria inocuo. Tanto o dispensacionalismo como qualquer outra forma de premimilenismo, nao exigem que o mundo piore continuamente, apenas prevem que o mundo ficara terrivel no final dos tempos. Essa teoria nao necessita que essa piora seja continua, e perfeitamente coerente sem isso.

    De qualquer forma, as profecias que falam sobre tempos trabalhosos e terriveis no final sao tao comuns na Biblia, que mesmo que alguem nao seja premilenista, seria obrigatorio crer nisso, apenas para ser coerente com a Biblia.

    A proposito, sou premilenista mas nao dispensasionalista.

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  6. Zwinglio e Aprediz,

    Parece ser consenso que os textos bíblicos que falam “nos últimos dias” se referem a era entre a primeira e a segunda vinda de Cristo. Nesse caso, podemos ver esses sinais no decorrer desses dois mil anos de cristianismo.

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  7. Gutierres

    Consenso entre os amilenistas, certamente. Um consenso que exclui grande parte (talvez a maioris) dos evangélicos, não é consenso. Grande parte dos evangélicos crê, como eu, crê que grande parte do Apocapse não se cumpriu.

    Na sua explicação sobre os últimos dias, Jesus afirmou que quando houvessem muitos terremotos, e guerras e rumores de guerras em muitos lugares, estariam começando as dores.

    Defendo que:

    1. Isso não aconteceu ainda. Sempre houveram terremotos e guerras, não vivemos numa época de mais conflitos do que de costume. Pequenas guerras, em que morrem poucas pessoas, são amplamente noticiadas, mas a história está lotada de guerras, não creio que se possa provar que esta é uma época mais conflituosa do que a antiguidade. Logo, isso ainda há de se cumprir.

    2. Também é previsto que o amor de quase todos esfriará, por causa da iniquidade. Mas a iniquidade tem sido comum desde a antiguidade, inclusive no momento em que foi dita essa profecia. Como a profecia fala de um aumento da iniquidade no futuro, logo, isso ainda não se cumpriu.

    3. Se a natureza será mais violenta, se os homens terão mais conflitos, se a maldade será ainda maior do que tem sido, então os tempos futuros serão particularmente ruins.

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  8. O que é já foi,e o que será ensaia-se hoje.E assim segue a vida como díz o Eclesiastes:”O que foi é o que há de ser;e o que se fez,isso se tornará a fazer;nada há,pois,novo debaixo do sol”.(Ec 1.9. É isso aí!A diferença é que agora o mal é globalizado e ao vivo,basta apertar o botão do controle remoto.
    Paz,Gutierres!
    Vosso em Cristo:José Nascimento Rodrigues.

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  9. Gutierres,

    Concordo com Donald Stamps. No entanto, ápices existem.

    Deixe-me dá um outro rumo à questão.

    Nos estudos sociais, tem-se constatdo que as relações humanas cada vez mais são líquidas (Zygmunt Bauman).

    Exmeplos:

    Cada vez mais as pessoas rebaixam os elevados padrões do amor.

    A sociedade cada vez mais deseja. Ou seja, não ama. O desejo destrói, o amor cuida.

    “Para o parceiro, você é a ação a ser vendida ou o prejuízo a ser eliminado…” (Bauman)

    Independente da idoelogia de Bauman, isso é visível e pode ser constatado. A humanidade nunca foi assim, intensamente falando.

    Você concorda?

    OBS.: Tudo isso é violência!

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  10. Zwinglio,

    Eu concordo com o Bauman, mas antes era pior. rs As noivas eram moedas de troca da família.

    Na Índia, por exemplo, ainda hoje os casamentos são “arranjados” pelos pais.

    É difícil uma relação profunda em casamentos forçados.

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  11. Sem ser demasiado simplista creio que tanto a visão cíclica como linear estão presentes na Bíblia.
    Percebe-se o ciclo no texto de Ec 1.9 e a seta do tempo nos texto escatológicos.
    Uma possível interpretação é visualizar o tempo como uma espiral com um começo e um fim.
    Isso pode harmonizar em parte o ciclo com a idéia de seta.

    Um abraço.

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  12. Gutierres

    Há muita coisa ruim prevista nas profecias, que não aconteceram nunca. No momento em que elas acontecerem, o mundo necessariamente tera tornado-se pior, pelo simples fato delas acontecerem.

    1. “O” anticristo não chegou. O fato dele chegar tornará o mundo pior.

    2. Várias guerras previstas nas profecias não aconteceram. Toda guerra é um estado pior do que não guerra. Visto que há guerras previstas que são de escala maior do que as que já ocorreram, elas farão o mundo ser pior do que é.

    3. Os terremotos previstos são piores do que aqueles de que já tivemos notícia.

    4. A maldição lançada sobre o mundo é que “quem é sujo torne-se mais sujo ainda”. Disso resulta necessariamente que o mundo piora.

    E note que crer nestas coisas não advém necessariamente de crer no dispensasionalismo. Há uma tendencia geral, na Bilbia, de descrever os tempos próximos ao fim de maneira terrivel. É algo tão constante, que é inescapável.

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