Ofertas · Transparência

A transparência com o dinheiro é necessária!


Por Gutierres Fernandes Siqueira
Você sabe como a sua congregação gasta o dinheiro dos dízimos e ofertas arrecadados? Você é informado sobre os custos rotineiros e os custos eventuais que sua igreja possui? Você recebe relatórios informando os detalhes dessa contabilidade? Afinal, há transparência com o dinheiro? Há transparência na liderança de sua igreja?

Infelizmente, eu presumo que poucos dos meus leitores podem dar uma resposta positiva. Há igrejas que são exemplos de transparência com seus gastos, mas a maioria não é, nem entre os membros com cargos na congregação, o conhecido “presbitério informal”. O mundo das finanças é um completo quarto escuro, cheio de surpresas e mistérios.

O discurso tido como espiritual costuma dizer: “Ah, eu dou o meu dízimo como louvor e não quero saber o que fazem com esse dinheiro, pois já fiz a minha parte”. Esse escapismo demonstra a completa falência do conceito de igreja. Afinal, igreja não é uma comunidade? É possível um casamento onde a esposa não sabe nada sobre os gastos do esposo e vice-versa? Que comunhão eclesiástica é essa?

A transparência da liderança

Ainda vivemos no Brasil uma cultura aristocrática (ao Rei tudo!), e a nossa cultura contaminada é a mesma que contamina uma igreja “mundanizada”. Ninguém pode contestar e a relação entre liderança eclesiástica e os seus membros é distante e sem transparência. O modelo congregacional, que era predominante dos primórdios do pentecostalismo brasileiro, simplesmente acabou. Hoje vivemos não um episcopado, pois essa ainda possui virtudes, mas um caciquismo.

É interessante ler as cartas de Paulo e observa o nível de comunhão que esse pastor-missionário possuía com as igrejas das quais ele havia fundado ou passado. Há um diálogo aberto, onde ele apresenta os problemas e soluções e fala do seu ministério, para transmitir confiança as suas ovelhas.

O nono capítulo de I Coríntios mostra essa face transparente do apóstolo. Ele apresenta uma justificação bem embasada sobre o motivo pelo qual um obreiro é digno de sustento. Ele não ignora a preocupação da igreja nesse tema, mas explica cada detalhe sobre o assunto. Ao final mostra, ele mesmo, que abnegou desse direito legítimo.

O teólogo canadense D. A. Carson comenta a atitude de Paulo:

Isso é admirável. Paulo se mostrou tão preocupado em provar sue próprio compromisso- sincero, espontâneo e voluntário- com a tarefa da pregação apostólica à qual havia sido chamado, que decidiu abandonar um de seus direitos. Ele renunciou o direito de ser sustentado, sabendo que essa decisão lhe custaria grande quantidade de tempo, esforço, labor e mal-entendidos adicionais. Mas ela o capacitou a pregar o evangelho “de graça” e ser um exemplo da liberdade da graça na maneira como servia. Essa renúncia também o capacitou a mostrar que servia não meramente por obrigação, mas também por conta de uma mente e vontade transformadas, de modo que, pela graça de Deus, ele estava, de fato, acumulando tesouros no céu. [1]

Veja como Paulo era um homem transparente. Mostrou a dignidade do salário, mas ainda assim renegou esse dinheiro. Eu não queria passar a ideia que pregasse o Evangelho em busca de uma recompensa. Evitava ao máximo a imagem de “aproveitador”, mesmo sabendo que era moralmente correto receber ajuda das igrejas. Paulo fala em I Co 9.18: “Nesse caso, qual o pagamento que recebo? É a satisfação de anunciar o evangelho sem cobrar nada e sem exigir os direitos que tenho como pregador do evangelho” (NTLH).

“Mulher de César” e o perigo do orgulho

E é curioso saber que hoje grandes lideranças evangélicas não estão “nem aí” com a imagem que passam para os seus rebanhos. Podem até ser honestos, mas não são transparentes. Muitos são até arbitrários, e não aceitam nenhuma contestação. Outros, bem desonestos, colocam a contestação legítima como “um grande pecado”, e assim escapam pelo medo que colocam nas ovelhas. E aí há os seguidores fanáticos que dizem: “Não toqueis no ungido de Deus” (sic)!

É como diz o ditado: “Não basta que a mulher de César seja honesta, ela precisa parecer honesta”. Um líder cristão que usa e abusa dos seus direitos não está em sintonia com o Evangelho, pois não há renúncia. Se um pastor acha humilhante a “prestação de contas”, então ele deixa de fazer pelo orgulho humano tomar o seu coração e passa a achar que é um sujeito incontestável, sendo o grande buraco da ruína.

O líder cristão transparente não ostenta e nem é cheio de autopiedade. Como disse John Piper:

Ostentação é a reação do orgulho ao sucesso. Autopiedade é a reação do orgulho ao sofrimento. A ostentação diz: “Eu mereço admiração por ter conseguido tanto sucesso”. A autopiedade diz: “Eu mereço admiração por ter me sacrificado tanto”. A ostentação é a voz do orgulhoso no coração dos fortes. A autopiedade é a voz do orgulho no coração dos fracos. [2]

O líder que esconde os seus feitos ou é desonesto ou é orgulhoso. É hora de prestar contas!

Referências Bibliográficas:

[1] CARSON, Donald A. A Cruz e o Ministério Cristão. 1 ed. São José dos Campos: Editora Fiel, 2009. p 162.

[2] PIPER, John. O Que Jesus Espera dos Seus Seguidores. 1 ed. São Paulo: Editora Vida, 2008. p 138.

8 comentários em “A transparência com o dinheiro é necessária!

  1. Tres pecados estão enraizados na mente da maioria dos pentecostais, e os fazem errar vez apos vez…

    1. Acreditam que profecias não devem ser julgadas. Esqueceram que a Biblia MANDA julgar as profecias.

    2. Acreditam que o pastor seja o dono das ofertas das ovelhas. Esqueceram que o proprio apostolo aos gentios deu o exemplo, prestando contas de tudo, chegando a solicitar que os irmãos enviassem representantes com ele a Jerusalem para acompanhar a entrega das ofertas.

    3. Acreditam que a autoridade não tem limites. Esqueceram da exortação do Cristo “a ninguem na terra chameis pai”, “a ninguem na terra chameis mestre”. Todos os crentes são irmãos, mas os pentecostais acreditam que alguns são mais irmãos que os outros.

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  2. Mano Gutierres,

    Sem palavras…
    Estou gostando muito de conhecer seu blog e ler seus textos.
    Faz-me pensar.
    Como é bom pessoas que nos fazem pensar,ao invés de manipular.
    Gostei muito.Parabéns!
    O texto aqui em questão está excelente.
    Como faz falta a transparência com o dinheiro e todas as demais questões e relações na igreja,não?!
    Penso que transparência é vital.
    Um grande abraço de sua leitora,

    Patrícia.

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  3. Como é prazeroso ler os teus artigos… A cada leitura me passa um filme de tantas situações vividas ao longo da minha vida na igreja. Parece que em toda parte do Brasil, esses “líderes” são sempre iguais. Teu blog é libertador. Eu encontro em cada texto uma corroboração para o meu sentimento de inconformismo com muitas atitudes de certos líderes.

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