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O sonho litúrgico!

Entrei numa Igreja Evangélica Assembleia de Deus. O culto começou no horário, depois de um período de oração. Um grupo de jovens iniciou o louvor com o hinário oficial, a Harpa Cristã, juntamente com uma orquestra bem ensaiada. Depois, esse mesmo grupo e a banda cantaram hinos contemporâneos com maravilhosas letras de adoração. O líder da banda se limitava a cantar e não pregava nos intervalos dos hinos. O pastor subiu no púlpito e fez uma leitura devocional das Sagradas Escrituras. O início da liturgia estava formado.

Um grande e afinado coral iniciou novos louvores alternando entre as músicas clássicas e os novos cânticos. A igreja não estava dividida em inúmeros departamentos com suas cansativas apresentações “automáticas”, mas o coral englobava todas as faixas etárias da igreja e cantavam porque simplesmente gostavam e estavam comprometidos com os ensaios. Os vocais de departamento quase que obrigavam todos os membros a cantarem, mas no coral isso não acontecia, já que somente os vocacionados para o louvor faziam parte do grupo.

Um diácono apresentou os visitantes de forma simpática, rápida e objetiva. Entre os visitantes havia um pastor de outra cidade que era amigo do pastor local. Ele foi apresentado pela referida função eclesiástica, mas sem delongas, papo furado e louvores. A visita era surpresa, então o pastor visitante não assumiu o microfone já que os pregador desse culto é sempre escolhido com planejamento e antecedência. O culto, mesmo na dependência do Espírito Santo, tinha uma ordem. O pastor tinha consciência que a espontaneidade da espiritualidade pentecostal não era inimiga do planejamento.

Os diáconos não ficavam sentados como uma estátua no púlpito esperando “a oportunidade”. Aliás, ninguém ficava sentado como enfeite de plataforma. Os diáconos auxiliavam os visitantes e coordenavam a organização do templo, sempre bem educados e simpáticos. Os diáconos com os cooperadores também estavam responsáveis no recolhimento dos alimentos e roupas doadas para a assistência social.

No momento das ofertas não houve apelos desesperados, mas uma rápida lembrança que a oferta é um ato de adoração espontânea. Os diáconos distribuíam uma pequena cartilha de prestação de contas sobre o último mês. Não houve ameaças de um suposto “demônio devorador” segundo uma exegese sofrível do profeta Malaquias. A oferta recolhida naquela noite faria parte do próximo caderno mensal de prestação de contas.

O pastor iniciou o sermão. Com voz clara, sem gritos, histerias e shows particulares; o pregador fazia uma pregação expositiva no capítulo três do Evangelho de João. O sermão expunha o contexto histórico, gramatical e fazia uma aplicação para os nossos dias. A pregação discorria versículo por versículo. Os membros da congregação ouviam com atenção e anotavam frases do sermão e referências citadas pelo pastor. A pregação não tinha tom monótono e nem histérico. A voz do pregador não lembrava enfermeira de hospital e nem narrador de futebol.

No final do sermão, o pastor foi usado no dom de profecia para uma palavra de consolação à igreja. A profecia era atentamente avaliada pelos ouvintes. Não houve malabarismo, nem emocionalismo barato para a manifestação da profecia, mas era expressa de maneira objetiva. A igreja era orientada a julgar todas as profecias e ninguém agia com credulidade ou incredulidade prévia.

No final do culto houve um apelo. O esposo de uma dos membros da igreja “aceitou a Jesus”. Ele foi convidado pela esposa e bem recepcionado. No decorrer do culto ele ouviu uma pregação cristológica que lembrou sobre a necessidade do novo nascimento. Se falou como o homem é um pecador necessitado pela graça sem apresentar uma “graça barata” e nem agir com pregações grosseiras que são confundidas com “autoridade espiritual”.
E culto foi encerrado com mais um hino, breves avisos e uma oração.

Então, o despertador tocou e com tristeza concluí: Era apenas um sonho litúrgico. No próximo domingo vamos estudar “o genuíno culto pentecostal” nas escolas dominicais assembleianas. Que os professores usem essa oportunidade para alertar sobre a distorção atual.

14 comentários em “O sonho litúrgico!

  1. É meu caro Gutierrez, acho que você dormiu de barriga cheia. kkkkkkkkk
    Lembrei-me da “Utopia” de Thomas More.
    Se lá no céu houvesse cultos em templos, já iria pensar que você tinha sido arrebatado até lá, por que aqui na terra está difícil encontrar uma liturgia assim. kkkkkkkkk

    Pb. Edinei, Th.B

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  2. Muito bom…rs

    Cânticos automáticos, o “ministério esperando a oportunidade”, as péssimas exegeses para pressionar o dízimo, um pastor visitante desfazendo todo o planejamento inicial e deixando de lado o ministro que se preparara para trazer a mensagem….rsr…
    eu já vi tudo isso, mas não foi só na AD….
    Sei que há igrejas que melhoraram isso, mas muito ainda precisa ser feito!
    Deus te abençoe!

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  3. Quem dera fosse sempre assim…

    Sem querer “puxar a sardinha” para o nosso lado, pela graça de Deus o ministério AD Betânia, no qual eu congrego, tem apresentado uma liturgia não perfeita como a do post, mas bem ordenada, com ordem e decência, manifestações do Santo Espírito, e bastante maturidade através das pregações e cânticos.
    Melhorias? Sempre serão necessárias. Mas temos conseguido bons avanços, rumo a uma liturgia o mais bem estruturada possível em nossa congregação.

    Abraço!!!

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  4. Muito apropriado para os dias atuais, na proxima escreva algo sobre o comportamento dos crentes durante os cultos, o que mais me chama a atenção são os mascadores de chicletes. Parabéns.

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  5. e meu caro pensei que esse negocio de apelo era coisa inventada nao aprovada pelos puritanos e reformados

    pensei que o apelo fosse apenas uma formalidade pentecostal

    !

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  6. Parabéns pelo “Post” realmente é um sonho em muitos lugares. Os pastores tem se afastado do verdadeiro sentido da adoração.
    Na minha igreja eu já vi de tudo! Um certo dia alguém disse que quando a igreja estivesse “fria” era para dar uma “empurrada” que a mesma pegaria fogo. Imagine?!?! A igreja é um carro velho para pegar no tombo? Os animadores de auditório perdem para muitos dirigentes de culto. É tanto malabarismo que dá vontade de ir embora.
    Valeu mesmo! Foi muito divertida esta visão de um liturgia perfeita.

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  7. Caro Gutierrez,parabéns pelo texto.
    Também sonho com uma liturgia parecida com essa, porém na AD que congrego a realidade é : “cânticos automáticos” não faltam, avisos…(só por Deus), esplanação para oferta…(sempre levando a igreja a plantar, porque semente não se come se planta ou quando não o devorador). Mensagem expositiva, muito raro, infelizmente cultos desgastantes.
    Oro para que Deus tenha misericordia de nós.
    Abçs
    Paulo

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  8. Com toda a certeza vou atender esse apelo, que não ressoa só em seu coração mais também no meu, no de tantos irmãos que conheço, e no coração do Espírito!
    Chega de tanta superficialidade em nosso meio!
    Chega de improvisos “exegéticos” e “hermenêuticos”. Estou cansado de “retetés” e de movimentos enlatados movidos a hinos de “fogo” que ao serem entoados já sabemos o que vai acontecer! Sou pentecostal, porém, gosto do genuíno fogo do Espírito!
    Estou com saudade daqueles cultos movidos por pessoas intimas de Deus! Cultos onde não só o pecador como também os crentes eram movidos a se arrependerem de seus pecados!
    Ah que saudade!
    Aviva Senhor a tua obra!
    Um grande abraço a todos!

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  9. Gutieres

    Não serão as práticas litúrgicas reflexo do que pensam e sentem as pessoas? É possivel mudar essa prática sem mostrar, primeiro, aos irmãos, quais são os seus conceitos e decisões errados.

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  10. A PAZ DO SENHOR JESUS PARA OS VERDADEIROS FILHOS DE DEUS, PELA MISSERICORDIA DE DEUS SOU UM DISCIPULO,(CRENTE), DA IGREJA EVANGELICA ASSEMBLEIA DE DEUS EM NAZAREZINHO PARAIBA, AUTO SERTÃO, E AQUI NOS TEMOS O COSTUME DE ADORAR-MOS AO SENHOR DOS CÉUS COM ORDEM E DESCENCIA, É BEM VERDADE QUE NÃO EXISTE UMA PERFEIÇÃO PORQUE A PERFEIÇÃO SÓ NOS CÉUS, MAS UMA COISA EU GARANTO QUE MEDIANTE A BIBLIA NÃO HÁ HERESIAS NEM BAJULAÇÕES,NÃO HÁ ROSA UNGIDA, NEM ACEPÇÃO DE PESSOAS´É BEM VERDADE QUE OS PASTORES AQUI NÃO SÃO FORMADOS COM TEOLOGIA PORQUE OS FORMADOS FICAM NA CIDADE GRANDE, MAS EU FALO UMA COISA AQUI TEM PODER DE DEUS, BATISMO COM O ESPIRITO SANTO, CURA , SALVAÇÃO. AQUI O SENHOR JESUS É O SENHOR!

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