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O seu pastor não é o seu pai. Você não deve ser uma criança!

Por Gutierres Siqueira

A ninguém sobre a terra chameis vosso pai; porque só um é vosso Pai, aquele que está nos céus. [Jesus Cristo em Mateus 23.9]

Muito tempo passou para que eu entendesse essa frase de Jesus Cristo. Como assim? Eu não posso chamar o meu pai de pai? Seria isso? Até que um dia li a maravilhosa interpretação de Jonh Stott sobre o texto. Ora, Jesus na verdade estava condenando o paternalismo. É bom lembrar que o contexto da frase é um sermão contra os fariseus.

A igreja não interpretou a máxima de Cristo literalmente (cf. I Co 4.15; Fp 2.22 e I Jo 2. 1, 13, 14) e, também, não houve tendências fortes na história da Igreja contra a palavra “pai” ou “mestre”. Seria um grave erro ler esse texto literalmente, pois perderíamos a essência daquilo que Cristo de fato está condenando: o paternalismo, ou seja, a liderança que infantiliza e a membresia que se deixa infantilizar.

O paternalismo é defino pelo Dicionário Houaiss como: “sistema, princípio ou prática de dirigir pessoas, negócios ou nações de forma paternal”, ou seja, é a infantilização de indivíduos consensualmente entregues a lideres que querem determinar os passos e a vida dos liderados. Como um pai cuida do seu pequeno filho dependente e inseguro, o filho “espiritual” acaba igualmente dependente. Mas a criança um dia cresce, enquanto  muita criança “espiritual” é eternamente presa no paternalismo.

O líder cristão deve ensinar princípios, mas não dirigir vidas. O líder cristão, por exemplo, deve ensinar os princípios de um casamento cristão, mas não deve tentar dirigir com palpites o casamento de um casal de sua igreja. O aconselhamento não é o mesmo que intervenção na vida alheia. O líder precisa de discernimento para não misturar as coisas. Aconselhar é necessário. Determinar é abominável. Ensinar valores é essencial, mas mandar qual rota deve ser seguida é ser totalitário.

A insegurança é uma posição de conforto

“Eu posso fazer isso?”, eis uma pergunta costumeira feita aos pastores por cristãos inseguros. Ora, onde está a maturidade desse cristão? Um cristão tutelado é um cristão fraco espiritualmente. É normal que um neófito faça essas indagações, mas infelizmente inúmeros cristãos “velhos na fé” estão como no leite materno. Um cristão que sempre depende da resposta alheia para agir certamente precisa conhecer melhor a Deus e sua Palavra. Não, não estou defendendo um individualismo daqueles que pensam em viver de modo independente, como numa bolha isolado dos conselhos dos outros (pastores, pais, amigos etc.). Mas não podemos correr para o extremo da completa dependência. Viver é um arte individual. Ninguém pode viver por você. As escolhas não podem ser terceirizadas.

É grave saber que em nome do cuidado muitos pastores querem aprovar ou reprovar namoros ou noivados em suas congregações. É uma interferência indevida. Ou ainda um pastor que determina ou proíbe um divórcio. Cabe o conselho, o ensinamento de princípios, mas nunca uma intervenção como essa. A decisão é pessoal, mesmo que a decisão seja errada. O pai do filho pródigo, mesmo sendo pai, não impediu que o filho saísse de casa.

Caro irmão, o pastor não é o seu pai. Caro pastor, o membro de sua igreja não é o seu filho pequeno para ser tutelado. Que todos nós possamos crescer em maturidade na vida e na liderança. Que o membro não seja infantil na busca de conforto e proteção, quando deveria agir. Que o líder não seja paternalista, querendo ser mais do que realmente foi chamado pelo Senhor Soberano. Que o líder não infantilize ninguém com sua mensagem água com açúcar. Que a igreja seja um lugar onde as pessoas cresçam no dia a dia “até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo” (Ef 4. 13 ARA).

4 comentários em “O seu pastor não é o seu pai. Você não deve ser uma criança!

  1. GRAÇAS A DEUS POR ESSE BLOG E TANTOS OUTROS(VOLTEMOS AO eVANGELHO, MONERGISMO, BLOG DO CIRO, ETC) QUE ME TEM ENSINADO MUITO E CONFIRMADO MUITAS COISAS QUE NÃO CONCORDO COMO EM RELAÇÃO A ESTE ASSUNTO…jA FIQUEI SABENDO NA IGREJA Q FREQUENTAVA QUE UM CASAL JOVEM TERMINOU NAMORO E O PASTOR FALOU Q IRIA ORAR PARA DEUS CONFIRMAR PARA ELE (O PASTOR) SE REALMENTE O JOVEM CASAL TERIA QUE TERMINAR O NAMORO….PENSEI CMG QM TEM Q ORAR JOVEM CASAL E O DEVER DO PASTOR ERA APENAS ORIENTAR AMBOS PARA OS PRÓPRIOS BUSCAR A GUIA DE DEUS E NAUM ELE FAZER ISSO PRO CASAL….

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  2. Achei interessante o texto,…

    Esse pensamento é semelhante ao pensamento Pr. Ricardo Gondim…

    Interessante…

    Pois muitos sistemas teológicos infantilizam pessoas, como o calvinismo, por exemplo,…

    Pois, assim como os fariseus se agarravam na sua predestinação e exclamavam “somos filhos de Abraão”, ou seja, num linguajar inadequada (mas, popular): “é, nóis!!” (Hehehe), ou, “ninguém nos tira essa”, acaba infantilizando, pois não há perspectiva de crescimento, pois, como um crente a lá Peter Pan (ou, Michael Jackson), quer perpetuar sua adolescência sem o peso das contradições da vida.

    É preciso compreender a responsabilidade de nossos atos e construir um futuro, que está aberto às possibilidades, com Deus.
    Pois a própria Bíblia diz que os discípulos, ao disporem suas vidas, o Senhor cooperava com eles, confirmando a Palavra (Mc. 16.15ss)

    htpp://www.teologiaesociedade.com

    Abraços!

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  3. Noto que ha dois séculos atrás, numa igreja protestante ninguém precisava dizer isso, pois todos entendiam assim. Lembro de minha infância na Igreja Batista. As pessoas eram muito mais independentes do que hoje, cada um tinha opiniões firmes e as defendia, ninguém ficava tentando parecer “politicamente correto”.

    Pontos importantes ara compreender a questão.

    1.O aprofundamento da infantilização dos crentes é um fenômeno relativamente recente nas igrejas de tradição protestante. Logo, suas causas são recentes.
    2.Essa infantilização começou a se tornar um fenômeno grave nas igrejas pentecostais.
    3.As igrejas neopentecostais adotaram e ampliaram os meios de infantilização.
    4.Todas as igrejas tem sido influenciadas, de muitas maneiras, entre elas o emocionalismo. Um culto excessivamente emocionalista é um meio mais sutil de infantilização e controle, mas justamente por isso é perigoso.

    Quanto ao Gondim, Já li depoimentos de mais de uma pessoa, egressas da Betesda, que consideram o Gondim um tiranete. Não vou dizer se é ou não é, pois eu nunca estive la. Só digo que discursos em favor da liberdade são fáceis, todos os tiranos os fazem. Agora, o que eu posso dizer sem titubear é que ele é herege, suas declarações são publicas.

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