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A igreja no contexto urbano (parte II)

No último post comentei sobre os desafios da igreja no cenário urbano. Viver como igreja nas grandes metrópoles é um tanto diferente do mundo mais rural ou interiorano. A grande cidade é um ambiente mais individualista, violento, imediatista, pluralista etc. Quero apontar mais desafios nesta segunda parte do artigo.

1- A Escola Dominical

A Escola Dominical é essencial para a saúde doutrinária de uma congregação. Mas não é uma instituição estática. Por que começar tão cedo no domingo e se conformar com uma frequência baixa? Há muitas pessoas na minha igreja que acordam 4h30 todos os dias para trabalhar e é bem provável que essas pessoas desejem acordar mais tarde no domingo. Cobrar frequência na Escola Dominical é a minha função como professor, mas entendo a ausência de alguns.

O que fazer? Algumas igrejas já juntaram o horário da Escola Dominical com o culto dominical noturno. Ambos são separados por um intervalo de 30 minutos ou uma hora. O intervalo é usado como momento de interação e refeição entre os membros da igreja. Na criatividade é possível encontrar outros caminhos. Já li na revista pedagógica Ensinador Cristão (CPAD) que uma igreja mudou a Escola Dominical para Escola Sabática e no contexto daquela comunidade houve uma grande melhora na frequência.

2- As tribos urbanas

Um grande desafio para igrejas urbanas são as diversas tribos existentes em uma cidade. Os punks, emos, gays, anarquistas, ciganos, soul e outros alternativos estão em guetos e normalmente vivem como pequenas comunidades na grande rede da cidade. Muitas dessas tribos estão relacionadas com vícios e pecados, mas são tão distantes dos templos e das campanhas evangelísticas tradicionais, que são um desafio a parte para a evangelização da igreja.

O que fazer? Alguns igrejas investem diretamente nesses públicos, como a comunidade Projeto 242. É interessante apoiar trabalhos sérios de pessoas antenadas com essas tribos e comprometidas integralmente com o Evangelho. Conquistar um público tão distante do cristianismo tradicional é como matar um leão a cada dia. A missão urbana entre tribos é tão transcultural como evangelizar outro país, por exemplo.

3- Estrangeiros

Cidades como São Paulo e Rio de Janeiro estão atraindo inúmeros estrangeiros. Eventos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas aumentarão ainda mais esse fluxo de visitas. São Paulo ainda concorre a Bienal 2020, outro importante aglutinador de estrangeiros. É uma rica oportunidade de missão transcultural sem sair de casa. Oportunidades não faltarão.

Há dois tipos de estrangeiros chegando no Brasil. 1) Os qualificados profissionalmente. Esses vem ao país para pequenas temporadas. Normalmente trabalham em multinacionais ou estudam em grandes universidades e buscam aprimorar a carreira ao residir alguns meses ou anos no país. Eles dificilmente vem para morar durante toda a vida no país. Os Estados Unidos e a Europa são as regiões globais que mais mandam esse tipo de estrangeiro. 2) Os não-qualificados profissionalmente. Eles vem ao país em busca de oportunidade de vida. Normalmente trabalham em empregos braçais ou no comércio. Esses já procuram residir nas periferias das grandes cidades ou nas regiões centrais mais degradadas. A Bolívia, a Angola, a China, o Paraguai, o Peru etc. são os países que mais mandam essas pessoas em busca de uma vida melhor.

Os estrangeiros são como as tribos urbanas. Cada povo tem sua bagagem cultural diversificada. Lidar com cada um deve trabalhar com conhecimento da cultura e aplicação das Sagradas Escrituras em cada realidade. É um grande desafio. A igreja deve lembrar que esses grupos aumentarão a cada dia no país.

Bom, essas são algumas questões da vivência da igreja no contexto urbano. Há outros inúmeros desafios, mas vejamos cada um com carinho e buscando uma orientação bíblica na solução de cada conflito.  

Um comentário em “A igreja no contexto urbano (parte II)

  1. muito importantes estas reflexões sobre igreja no contexto urbano.
    a questão de mudança de horário de escola dominical é essencial. muitos reclamam da ausencia dos membros, mas tb não se pode exigir que o membro acorde cedíssimo de manhã em pleno domingo e passe o dia na igreja, quando este é muitas vezes o único dia onde pode passar com sua familia.
    a ed é importante, mas a familia e o descanso tb são. tb dentro do contexto urbano é ruim aquelas reuniões às 19:30 durante a semana… só para se locomover do trabalho até a igreja, o membro precisará, dependendo do caso, de 2 horas e nunca vai conseguir chegar a tempo. por isto entendo as igrejas que nem programação mais tem durante a semana.
    abraço
    matias

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