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Se eu tivesse visto um milagre…

O grande filósofo Blaise Pascal escreveu vários “pensamentos” que expressam bem a espiritualidade cristã. Nesse trecho dos Pensamentos Pascal escreve sobre aqueles incrédulos que supostamente se converteriam mediante um milagre. A conclusão é fantástica: 

Se eu tivesse visto um milagre, dizem eles, eu me converteria. Como garantem que fariam o que ignoram? Imaginam que essa conversão consiste numa adoração que se faz de Deus como um comércio e uma conversão tal como a representam para si. A conversão verdadeira consiste em aniquilar-se diante desse ser universal a quem se irritou tantas vezes e que pode legitimamente pôr-vos a perder a qualquer momento, em reconhecer que nada se pode sem ele e que nada se mereceu dele, afora estar em desgraça. Ela consiste em conhecer que existe uma oposição invencível entre Deus e nós, e que, sem um mediador, não pode haver comércio [1]. 

Infelizmente, hoje são os próprios cristãos que encaram Deus como um comerciante. Como escrevi recentemente, várias igrejas estão sendo inauguradas no meu bairro e numa delas, uma Assembleia de Deus, há um cartaz dizendo que a inauguração é um oferecimento do Zé…, um pré-candidato à Câmara dos Vereadores de São Paulo. Lamentável, mas virou um comércio.

[1] PASCAL, Blaise. Pensamentos. 2 ed. São Paulo: Martins Fontes, 2005. p 143. 

Um comentário em “Se eu tivesse visto um milagre…

  1. Como bem disse Pascal, eles dizem que se converteriam, mas não podem afirmar isso.

    Mas, com base na história, devo supor que, provavelmente, a maioria não só não se converteria, mas ficaria ainda mais endurecida. Pois em todas as ocasiões em que o Todo-POderoso se manifestou de forma mais clara diante dos homens, com sinais e maravilhas vistos publicamente e continuamente por milhares ou milhões, a maioria se endureceu.

    Foi assim na época de Adão, quando, por muitos séculos as pessoas podiam falar diretamente com o primeiro homem, ouvir seu testemunho. Mas os homens se endureceram.

    Foi assim na época de Noé e seus filhos, quando por muitos séculos as pessoas podiam falar diretamente com aqueles que viram o mundo antigo, viram o castigo divino, mas a maioria não deu atenção ao seu testemunho e se desviaram.

    Foi assim na época de Moisés, quando os homens que viram maravilhas e prodígios se tornaram incrédulos. Primeiro os egípcios, depois os próprios hebreus, a grande maioria deles se endureceu.

    Foi assim na época de Elias e Eliseu. Não importava quantos milagres fizessem, o povo queria seguir o mal.

    Foi assim na época de Yeshua. Dentre os que viram seus sinais, não foi a maioria que creu.

    Foi assim na época dos apóstolos. Os milagres fizeram que muitos se endurecessem ainda mais.

    Será assim no futuro, quando os homens, vendo o poder do Eterno, em vez de se arrependerem blasfemarão.

    Sinais e maravilhas convertem os que se abrem para crer. E endurecem ainda mais os outros…

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