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O trânsito religioso

A matéria da revista Istoé também trata do “trânsito religioso”. O conhecido “trânsito religioso” não é um fenômeno recente, logo visto que sempre uma denominação protestante nasce de outra e causa uma migração. O protestantismo desde sempre conhece o intercâmbio de crentes entre suas denominações. Mas a matéria destaca dois fatos que são realmente novos: evangélicos virando espíritas e pentecostais aderindo à igrejas tradicionais. 

Em 2005, o teólogo Paulo Romeiro já fazia observações sobre o “trânsito religioso”: 

Existe hoje no Brasil um contingente significativo de evangélicos, principalmente nos grandes centros urbanos, que estão sempre circulando de igreja em igreja. Não criam raízes, não conseguem cultivar relacionamentos e são avessos aos compromissos que normalmente surgem do relacionamento entre o fiel e a igreja: frequentar os cultos, contribuir sistematicamente com a igreja local e participar de suas atividades. [1] 


Nos acostumamos a ouvir histórias de espíritas  que se converteram ao evangelicalismo, mas dificilmente víamos o caminho contrário. Agora já é uma realidade. O “trânsito religioso” deixou de ser mera troca de denominação protestante, mas sim a troca de religiões pelos evangélicos, seja espírita, budista, oriental ou islâmica. O número é ainda pequeno, mas crescente.  

Como negar que tal fenômeno seja resultado de falta de estrutura espiritual, doutrinária, ética e relacional. As nossas igrejas vivem uma espiritualidade água-com-açúcar (autoajuda), sem firmeza doutrinária, com ética duvidosa e pouco relacionamento comunitário. O resultado não poderia ser outro. Há exceções? Sim, graças a Deus, mas ,infelizmente, essa tem sido a regra.  

Apostasia sempre existiu, é verdade, mas a questão não pode ser tratada como mero fatalismo. Mas tenho pouca esperança que o quadro melhore, pois vemos que os principais nomes da igreja evangélica tem ganhado três tipos de fama: 1) adeptos de uma nova versão do modernismo teológico, ou 2) adeptos da politicagem eclesiástica e secular, ou 3) adeptos do evangelho triunfalista e da prosperidade, ou 4) adeptos do conformismo determinista- hipercalvinista ou milenarista- dispensacionalista- arminiana. Não é uma situação fácil. 

Antes pentecostal, agora tradicional 

A pesquisa fala superficialmente desse fenômeno que parece crescer a cada dia. Não necessariamente de pentecostais virando meramente tradicionais por questões de ética e costumes, mas por mudanças doutrinárias. Isso mostra que o “trânsito religioso” não é somente aquele crente que pula de igreja em igreja atrás de “bênçãos”, pois já há um contingente do trânsito que busca de igreja em igreja pregações mais profundas e firmeza doutrinária. O quadro que Romeiro fala ainda é verdade, mas já há uma versão “doutrinária” do “trânsito religioso”. Conheço muita gente que tem buscado uma comunidade mais “séria” e comprometida “com a Escrituras”.    

A pesquisa ainda não aponta os pentecostais-calvinistas, que é de fato é fenômeno crescente e novo. Será que a condução da chamada Teologia Reformada se dará pelos pentecostais? 

Referência Bibliográfica:

[1] ROMEIRO, Paulo. Decepcionados com a Graça. 1 ed. São Paulo: Mundo Cristão, 2005. p 159.

4 comentários em “O trânsito religioso

  1. Sou evangélico de berço e nunca saí de minha igreja de origem. Tenho acompanhado, há algum tempo, este fenômeno e nunca me senti incomodado com ele porque ele existe de longos anos, embora seu crescimento não se pode negar. O que, porém, me assusta é a afirmação de evangélicos fazendo o caminho inverso para o espiritismo. Embora em grande parte possamos atribuir tal fato à fragilidade doutrinária latente em nossa geração, torna-se preocupante a qualidade de crentes que estão sendo gerados em nossas igrejas. Respeito e concordo com Paulo Romero e creio que ele não sozinho em suas conjecturas. Leiam o livro de Enrique Rojas “O Homem Moderno” e verão que não é só nos preâmbulos religiosos que iremos encontar esta falta de firmesa e perspectiva de vida.

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  2. Sinceramente, não me surpreende que haja um movimento de evangélicos para o espiritismo. Com essa fé supersticiosa que muitas igrejas pentecostais ensinam, sem nenhuma fidelidade à Palavra, porque, afinal, essas pessoas não olhariam para o espiritismo como uma vertente válida do cristianismo?

    Como alguém que começou numa igreja neopentecostal (Sara Nossa Terra – fui batizado pelo Robson Rodovalho e pelo Bené), e que foi para um tradicional, mas não sem ter um contato contínuo com o pentecostalismo, entranhado numa igreja tão grande que o pastor não fazia a menor ideia do que fazíamos por lá, só tenho a dizer que também não me surpreendo com esse movimento para as igrejas tradicionais. Quando confrontado com a Bíblia, nem os pastore pentecostais mais antigos e preparados que conhecia, conseguiam responder a questionamentos bíblicos, que acabaram por me convencer que o evangelho era outra coisa que não o que estava aprendendo nos meios pentecostais que frequentava. Quanto aos que não frequentava não me reporto a eles, para não ser injusto.

    Penso que já tá mais que na hora de percebermos que a verdade é velha (e eterna) e que não precisamos de novos meios para nos achegarmos a Deus. Isso tem custado nossa imagem, fidelidade e relacionamento com Deus.

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