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Ei apologista! A década de 1980 acabou!

Muitas vezes nós, os aspirantes a apologistas, respondemos perguntas que ninguém faz. A apologética cristã não pode ficar presa nos assuntos “quentes” das décadas de 1980 e 1990. A ameaça de hoje não é a mesma de ontem e não será a igual amanhã. Cada período da história tem a sua própria ameaça à fé cristã. É necessário entender o problema de hoje para responder as inquietações contemporâneas. 
O gnosticismo era a principal ameaça à igreja do primeiro século, mas hoje é praticamente inexistente. O agressivo liberalismo teológico francês-iluminista-alemão bateu em nossas portas no século XIX, mas hoje não apresenta a mesma força. Hoje os filhos de Roussel são mais sutis e “pós-modernos”.Os liberais de hoje não negam divindade de Cristo, mas sim a ideia “arrogante” de verdade.  O neopentecostalismo, com sua falsa promessa de prosperidade, nos sacudiu na década de 1990, mas agora dá sinais de desgaste. A prosperidade deu lugar ao triunfalismo infantil que quase não é combatido.

E as seitas? São uma ameaça? Sem dúvida, mas hoje o perigo é mais interno do que externo! O mundo muda e os problemas também. Hoje o problema é: 1) o racionalismo ou o emocionalismo? 2) A fé de uma seita exótica ou um professor sedutor que, mentindo, diz “pensar fora da caixa”? 3) O budista ou o líder que briga e disputa o poder burocrático de uma denominação? 4) A ignorância doutrinária ou a arrogância do teólogos que compraram diploma? 5) O espírita ou o evangélico supersticioso? Etc.
Caro apologista, apesar do Sarney ainda mandar, a década de 1980 já passou. 
Exemplo
O apologista que ainda acha que as universidades são fábricas de ateus mostra a sua “desconexão” com a realidade. Sim, um dia foram, mas hoje o problema é outro. A religião é bem aceita, mas o cristianismo é simplesmente mais uma verdade entre as demais. Sim, você pode ser religioso, mas jamais “arrogante” na reivindicação da verdade singular de Jesus Cristo. Vejam que a questão é bem outra. Ninguém é discipulado do ateísmo (cara algumas exceções), mas sim discipulado na romântica e “humanista” ideia que o lindo Jesus é tão bacana quando o bondoso Buda. Na vida universitária é importante ser feliz e ter uma “fé” (palavra genérica que designa qualquer superstição).

O ponto é entender o mundo para não exercer uma apologética desconectada com as necessidades imediatas. Como nos exorta Alister McGrath:

A apologética tradicional parece muitas vezes radicada em um mundo moribundo, um mundo em que as reivindicações de verdade do cristianismo eram testadas sobretudo nas salas de seminário de velhas universidades, onde a racionalidade era vista como critério máximo de justificação. Acreditava-se que as estratégias apologéticas não dependiam de tempo ou lugar […] A apologética não tem que ver com a vitória de uma argumentação sobre outra; seu objetivo é conquistar pessoas. [1]

E hoje, mais do que respostas inteligentes de apologistas, as pessoas buscam cristãos que vivam o Evangelho integralmente. Ravi Zacharias comenta: “Não tenho dúvida de que o maior obstáculo individual para o impacto do evangelho não seja a sua inabilidade para fornecer respostas, mas a falha de nossa parte em vivê-lo completamente” [2].

 Outro ponto é saber que a apologética muda conforme a ameaça. Logo porque “estejam prontos para falar e explicar a qualquer um que perguntar por que vocês adotaram esse estilo de vida, sempre com a maior gentileza” (I Pedro 3.15 A Mensagem).

Referências Bibliográficas:

[1] MCGRATH, Alister. Apologética Cristã no Século XXI. 1 ed. São Paulo: Editora Vida, 2008. p 10,15.

[2] ZACHARIAS, Ravi e GEISLER, Norman. Sua Igreja Está Preparada? 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2007. p 23.

3 comentários em “Ei apologista! A década de 1980 acabou!

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