Espiritualidade · Família · Subsídio da EDB

Lição 12 – As consequências do jugo desigual

Por James I. Packer

[Obs: Subsídio preparado pela equipe de educação da CPAD]

A CONSAGRAÇÃO DA VIDA NO LAR

“[Prometemos] que não daríamos as nossas filhas aos povos da terra, nem tomaríamos as filhas deles para os nossos filhos” (10.30), preceituava o “firme concerto”. Na ocasião em que ele fora firmado, a pureza racial fora tema de preocupação comum, e eles “apartaram de Israel toda mistura” (13.3), indo além do que mandava a lei, que excluía apenas amonitas e moabitas. Não obstante, o zelo pela pureza do sangue israelita, e em fazer tudo para agradar a Deus, que presumivelmente instigara tal exclusivismo, evaporara-se. Quando Neemias retornou a Jerusalém, encontrou lá “judeus que tinham casado com mulheres asdoditas, amonitas e moabitas” (13.23). O motivo pode ter sido a paixão, é claro, porém é mais provável que haja sido a prudência (se é que se pode chamar assim), que tinha os olhos na oportunidade e nos casamentos por dinheiro, prestígio ou alguma outra forma de lucro mundano. E, em alguns casos, Neemias descobriu que a língua falada em casa, por decisão dos pais, era a estrangeira. “E seus filhos falavam meio asdodita e não podiam falar judaico, senão segundo a língua de cada povo” (13.24). Isso enfureceu Neemias, não apenas pela quebra do voto, mas porque as crianças seriam incapazes de partilhar da adoração em Israel, ou aprender eficazmente a Lei; consequentemente, não estariam aptas a transmitir a fé aos filhos que viriam a ter, e assim estaria em risco a futura unidade espiritual da nação israelita.

Enxergando isso claramente, e não gostando do que via, Neemias convocou uma reunião, na qual fez um discurso aos judeus do sexo masculino que haviam quebrado o “firme concerto”, recordando-lhes a queda de Salomão, cujas “mulheres estranhas o fizeram pecar”, e exigindo que jurassem em nome de Deus não realizar qualquer casamento misto, não mais tomando noivas estrangeiras “nem para vossos filhos nem para vós mesmos”, nem dando as filhas em matrimônio a estrangeiros. Esdras, muitos anos antes, fizera-os romper com os casamentos mistos, por serem totalmente contrários à vontade de Deus (Ed 9 – 10). Neemias não foi tão longe, mas decidiu pela não proliferação e a não recorrência. Este foi um compromisso de estadista. Neemias, sabiamente, não quis fender a comunidade mais que o necessário; apenas requereu uma promessa ajuramentada de que não mais haveria casamentos mistos.

Para assegurar que o juramento seria mantido, ele transformou em exemplo alguns dos ofensores mais notórios: “E espanquei alguns deles, e lhes arranquei os cabelos”. Isto significa tão somente que, em seu papel de cabeça do judiciário, como governador que era, ele ordenou chicotadas de acordo com a prescrição de Deuteronômio 25.1-3 e impôs sentenças de raspar a cabeça, evocando, talvez, em seu discurso, o gesto de Esdras, que arrancara os próprios cabelos por causa do mal dos casamentos mistos (Ed 9.3); entretanto, pode significar ainda que ele infligiu-lhes essa violência punitiva. E então, ele “mandou embora” o neto de Eliasibe – presumivelmente pelo decreto peremptório de banimento, embora “afugentar” seja o significado literal, e a possibilidade de a fúria de Neemias escorraçando o homem da sala ou do prédio não possa ser excluída. Em todo caso, as palavras de Neemias mostram que ele reivindica responsabilidade pelo que foi feito, num alegre retrospecto pelo que fez acontecer, e quer que vejamos o fato como uma expressão apropriada e efetiva de seu zelo reformador e seu propósito pastoral – o que de fato era.

Não devemos supor que Neemias tenha tido prazer em fazer qualquer uma dessas coisas. Podemos estar certos de que ele preferiria não ter de voltar ao começo e tornar a reformar a já deformada reforma de Israel. Mas a vida é repleta de necessidades inoportunas para todo o mundo, e principalmente aos líderes pastorais da Igreja de Deus, que, constantemente, precisam da combinação do zelo de Neemias por Deus e do cuidado pelas pessoas, a fim de poder lidar com as desordens emergentes. O pecado e o Diabo nunca cessarão de corromper a crença e o comportamento dentro da comunidade que carrega o nome de Deus; desordens, perversidades e confusões devem ser esperadas, e os que conduzem a comunidade não devem desanimar ao descobrirem-se obrigados a tratar dos mesmos problemas e desvios, inúmeras vezes, além dos novos que vão aparecendo. Neemais, com a sua paixão por fidelidade e sua piedosa persistência em proceder corretamente, é um modelo a todos nós.

Pastores cuidadosos como Neemias sempre focalizam as famílias e a vida doméstica, porque a família é a primeira e mais básica forma de comunidade humana. A formação familiar, para o melhor ou pior, cala mais fundo nas crianças que qualquer outra forma de criação de qualquer outro lugar, e o ideal bíblico é que as famílias sejam as unidades das quais se constituem as igrejas. A piedade é para ser modelada na família, e a fé, transmitida nela. Em toda parte do mundo ocidental hodierno, e estendendo-se a algumas comunidades urbanas de toda a face do globo, a vida familiar tem sido enfraquecida e minada por pressões de várias espécies; e isso, provavelmente, vai piorar. Então, é grande a necessidade de trabalhar como Neemias trabalhou para conservar a vida familiar forte, piedosa e saudável; e todo aquele que ministra e cria estratégias para ampliar o Reino de Deus, hoje e amanhã, deve considerar a família e a vida doméstica um assunto de primordial interesse.

Texto extraído da obra: “Neemias: Paixão Pela Fidelidade”, editada pela CPAD.

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