Legalismo · Tradição · Tradicionalismo

A traditiolatria!

A tradição é um deus para muitos. É a traditiolatria!


Tradição significa votar na mais obscura das classes, nossos ancestrais. É a democracia dos mortos. A tradição recusa a se submeter àquela arrogante oligarquia que, por acaso, se encontra por perto. [G. K. Chesterton, jornalista inglês]

Tradição é a fé viva daqueles que já morreram. Tradicionalismo é a fé morta dos que ainda vivem. [Jaroslav Pelikan, teólogo luterano]

A tradição é uma bênção. O tradicionalismo é uma maldição. Sem querer ser viciado em novidades e, também, sem abraçar o passado como um museu sem dinâmica, logo sugiro alguns pontos para a convivência pacífica entre o passado e o futuro, entre a tradição e a modernidade, entre o mundo dos livros e dos tablets. Vejamos:

01. Por que não mesclamos a liturgia com a beleza do passado e as boas coisas do presente? É uma bênção a congregação que consegue ter, ao mesmo tempo, uma orquestra e coral (tradição) e uma banda afinada com uma “equipe de louvor” (modernidade). Por que resumir a musicalidade para uma tendência? Sábia é a liturgia centralizada em Cristo que mescla tendências passadas e presentes.

02. Por que não mantemos a centralidade do púlpito sem resumir a pregação a um monólogo distante com um público distraído? Uma igreja saudável sempre terá a centralidade das Escrituras, mas o púlpito é uma tradição que pode ser adaptada para os nossos tempos. Como assim? O que impede que em uma pregação se utilize data-show e outros recursos tecnológicos? O mais importante é que a mensagem seja a mais clara possível. Como ajudaria a figura de um sacerdote para ilustrar a pregação sobre o livro de Hebreus!

03. Por que não usamos as traduções mais clássicas para o preparo do sermão e para os estudos bíblicos, mas tomemos versões mais contemporâneas em pregações públicas? Mais uma vez é importante destacar que as pregações devem ser claras, objetivas e compreensíveis. As traduções são importantes como parte da leitura pública. É claro que as versões mais clássicas são maravilhosas (ninguém está negando isso), mas qual é o nível cultural médio para entender palavras que não são usadas no cotidiano?

Esses são apenas exemplos, mas poderíamos falar de inúmeros outros…

4 comentários em “A traditiolatria!

  1. Gutierres

    A discussão sobre traduções tem uma face visivel (contemporaneidade das palavras escolhidas pelo tradutor) e uma face invisível, que é muito mais importante, e o real motivo da rejeição às versões mais modernas. Essa “face oculta” da discursão tem três aspectos:

    1. Manuscritos usados como base. Há uma polarização entre os que defendem os manuscritos majoritários, e os que defendem os manuscritos alexandrinos. Mais do que uma discussão sobre textos, é uma discussão sobre critérios e uma discussão sobre teorias sobre o desenvolvimento dos textos. Pessoalmente acredito que, uma vez que já está provado que a teoria proposta inicialmente pelos defensores do texto alexandrino (lembremos que essa teoria foi o argumento principal para aceitação da primazia desses manuscritos) é atualmente insustentável, a defesa da primazia desses manuscritos é impossível. Dentro desse debate exite uma outra questão, das pessoas que acreditam na primazia do aramaico, pelo menos para alguns livros, e que acreditam que em alguns casos, textos divergentes em grego podem trazer evidências de uma tradução do aramaico.

    2. Há a discussão sobre os critérios para tradução, e sobre como o tradutor pode deixar (ou não) claro para o leitor as particularidas das línguas dos manuscritos. Tradutores mais tradicionalistas sentem que não devem eliminar as “dubiedades” da língua original, que devem ser melhor esclarecidas em notas de rodapé. Já os tradutores mais modernos, buscam clareza através de escolhas de palavras que não deixem dúvidas, de certa forma obrigando o leitor a entender da forma como ele mesmo entendeu. Pessoalmente, acho muito mais correto usar critérios claros de tradução, e deixar que hajam aparentes dubiedades e contradições no texto. Melhor uma tradução fiel do que uma tradução clara.

    3. Exite também um grande número de pessoas que são fãs de paráfrases, e as tratam como se fossem traduções, e isso é um sério motivo de discussões. Esse é um aprofundamento do ponto anterior. Interpretações muito pessoais são tratadas como sagradas quando se chama uma paráfrase de tradução.

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  2. Sobre a pregação, eu tenho uma opinião particular. Penso que no primeiro século, havia mais interação com a congregação do que imaginamos. Conforme eu imagino, as pregações comportavam perguntas e intervenções do público, dentro de certas regras.

    Atualmente, penso que seria prático, no caso de séries de estudos, publicar com antecedência um resumo de tópicos, e textos de estudos, para que a congregação já viesse preparada, abrindo-se também espaço para questionamentos e debates. Acho que a formatação ideal dependeria da “personalidade” de cada congregação.

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