Crescimento Evangélico · Desigrejados · Igreja Evangélica Brasileira

A expansão evangélica e alguns pontos do Censo 2010 [Parte 02]

Gráfico do jornal O Globo

Por Gutierres Fernandes Siqueira

Leia a primeira parte aqui.

1. O crescimento dos evangélicos, como todos sabem, foi puxado pelos pentecostais, mas sem ajuda dos tradicionais. Portanto, o Censo 2010 mostra que era somente impressão um possível crescimento das Igrejas Protestantes Históricas. Em agosto de 2011, a FGV-RJ (Fundação Getúlio Vargas) lançou o Novo Mapa das Religiões e com aqueles dados alguns especialistas especularam que estaria havendo um aumento significativo de evangélicos tradicionais. Não foi o que aconteceu, pois embora tenham crescido, a membresia das “igrejas de missão” continua estável na proporção perante a população do país. Eram 4,1% dos brasileiros em 2000 e agora são 4%. O número de luteranos e presbiterianos, por exemplo, diminuiu na última década.

2. O trânsito religioso se consolidou. Há pelo menos cinco anos os especialistas falam sobre o “trânsito religioso”, ou seja, a migração de igreja em igreja de evangélicos sem uma raiz denominacional. Não confunda esse grupo com os “desigrejados”, pois esses não congregam em lugar algum, mesmo que se considerem evangélicos. O Censo 2010 classificou esse grupo como integrantes de religiões “evangélicas não determinadas”. Em 2000 havia 1,7 milhão nesse grupo, agora são 9,2 milhões. Eles equivaliam a apenas 1% da população em 2000, mas hoje são 4,8% dos brasileiros, ou seja, mais do que os espíritas (2%).

3. O número de pequenas igrejas neopentecostais (ou pentecostais) continuam explodindo. Aquela famosa lista da Revista Eclésia que apresentava os nomes mais exóticos de igrejas evangélicas precisa ser atualizada urgentemente.

4. Não é nem necessário dizer, mas crescimento não é avivamento. Os evangélicos continuam crescendo e, mantendo esse ritmo, serão maioria na década de 2040 (ou até antes). Agora, a qualidade é a chave. E, assim, é também um desafio, pois precisamos investir pesadamente em discipulado e continuar lutando pela igreja, principalmente com educação teológica de qualidade que seja acessível a essa nova massa de evangélicos.

3 comentários em “A expansão evangélica e alguns pontos do Censo 2010 [Parte 02]

  1. Uma estatística muito importante e auspiciosa! Porém, assaz inquietante. Receio que o “joio” cresça mais que o “trigo”. Biblicamente falando, é difícil distinguir estes dois competidores de espaço no orbe da comunidade cristã. A história tem mostrado que o “joio” usurpa espaço como muita penetração, às vezes sufocando o “trigo”, muitas das vezes extinguindo-o por completo. Gostaria muito que este crescimento, indiscutivelmente vertiginoso, fosse pari passu com a ortodoxia doutrinária que rege os princípios da Igreja de Cristo.
    Um abraço!

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  2. '4. Não é nem necessário dizer, mas crescimento não é avivamento.'

    Gostei bastante desse tópico Gutierres, acho importante enfatizar o que fica depois que acaba todo teatro de prosperidade, auto-ajuda e política que tem sido feito nas igrejas.
    Se os líderes se preocupassem mais com as pessoas, com certeza teríamos evangélicos sadios e não pessoas manipuladas por uma forma errada de pregar o que está na biblía.

    Abs

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