Calvinismo · Evangelicalismo Brasileiro

Pentecostais com Calvinistas. Motivo de preocupação?

Caros pentecostais, sejamos humildes, pois podemos
aprender de Cristo com esse senhor austero!

Por Gutierres Fernandes Siqueira

Alguns pentecostais andam preocupados com o movimento crescente de aproximação do pentecostalismo com o calvinismo. Na minha opinião, essa inquietação é totalmente desnecessária. E, neste artigo, quero apresentar que, ao contrário, esse diálogo entre as duas correntes é saudável e encorajador, pois torna as duas tradições mais ricas teologicamente.

Não escrevo isso em causa própria, pois não sou calvinista. Aliás, tenho sérias dificuldades com o calvinismo, pois creio na possibilidade da apostasia, no livre-arbítrio e na resistência de alguns à graça de Deus. Não tenho tempo neste post para afirmar as minhas posições contrárias ao calvinismo, mas ainda assim sou um ávido leitor de Teologia Reformada mesmo não sendo um adepto dessa teologia.

Hoje sou adepto da Teologia da Antinomia, ou seja, creio que duas posições aparentemente excludentes são compatíveis. Como assim? Ora, isso porque são questões que estão além do nosso alcance racional. Nesse sentido, creio que Deus é plenamente Soberano e que o homem é, ao mesmo tempo, plenamente livre. Creio que Deus predestinou e elegeu, mas que ainda assim somos agentes livres. Sim, seria um híbrido de calvinismo e arminianismo ou algo assim…

Leia atentamente 2 Pedro 1.3-9 e veja expressões como que Deus é aquele que “deu tudo de que necessitamos para a vida e para a piedade” (calvinismo), mas exorta-nos assim: “empenhe-se para acrescentar à sua fé a virtude…” (arminianismo). Diante de um texto como Filipenses 2.12-13 eu tenho dificuldades de ser um calvinista ou arminiano militante. Diz Paulo: “Assim, meus amados, como sempre vocês obedeceram, não apenas em minha presença, porém muito mais agora na minha ausência, ponham em ação a salvação de vocês com temor e tremor, (arminianismo) pois é Deus quem efetua em vocês tanto o querer quanto o realizar, de acordo com a boa vontade dele (calvinismo)”. O que Paulo diz parece contraditório, mas é apenas a antinomia bíblica.

C. S. Lewis, comentando esse texto, afirmou:

Talvez sejam apenas nossos pressupostos que tornem esse raciocínio paradoxal. Em nosso secularismo, partimos do princípio de que a ação divina e a humana são mutuamente excludentes, tal como as ações de criaturas da mesma espécie, de modo que “Deus fez isto” e “eu fiz aquilo” não podem ambas verdades do mesmo ato, exceto no sentido de que cada um teve sua participação. [1]

Por que dialogo com os calvinistas mesmo não sendo um deles?

Já afirmei algumas vezes que abraço com entusiasmo o neocalvinismo na sua interpretação e no exercício comunicacional do Evangelho. Os pastores reformados como Timothy Keller e Mark Driscoll, por exemplo, representam bem o que quero dizer com a “comunicação neocalvinista”. Esse novo calvinismo procura entender bem a cultura contemporânea ao mesmo tempo que apresenta o bom e velho Evangelho do Nosso Senhor Jesus Cristo. Admiro bastante essa transição entre a comunicação com a cultura sem renunciar aos valores das Boas Novas. Não é à toa que o neocalvinismo crença com força entre os jovens enquanto os “emergentes da vanguarda” fazem sucesso entre senhores de meia-idade.

Os neocalvinistas fazem o mesmo papel de evangelismo cultural que os anglicanos evangelicais faziam décadas passadas. Assim como os teólogos da Igreja da Inglaterra, esses novos reformados aprofundam o conhecimento cultural e, ao mesmo tempo, oferecem respostas bíblicas sem o simplismo maniqueísta do fundamentalismo protestante. Além disso, sabem bem que as gerações mudam e não se fecham em guetos ultraconservadores contra mudanças inevitáveis. Eles também entendem que o cristianismo precisa viver a tensão equilibrada da tradição com as mudanças que o tempo impõe.

Outro ponto que abraço da Teologia Reformada é a conceituação de santificação. A santificação wesleyana/arminiana/ pentecostal e suas manifestações populares tendem a nos levar a um esforço moralista como apêndice da salvação ou coloca-nos (nosso esforço) como a própria essência da salvação. Não estou acusando o arminianismo de pelagianismo, pois isso seria um baita exagero, mas existe uma tendência ao moralismo como centro salvífico. O calvinismo sempre condenou essa tendência.

O debate sobre a santificação é sutil e aparenta ser um consenso na teologia cristã, mas há diferenças conceituais importantes [2]. Mas os reformados nos alertam sobre o grande perigo do Evangelho Moralista. É um alerta quase ausente nas demais tradições cristãs, especialmente no pentecostalismo e no catolicismo popular. O Evangelho Moralista é basicamente a crença, mesmo que subconsciente, que eu preciso fazer para ser. Nisso, um legalista pentecostal une-se a um liberal bultmanniano, pois enquanto o primeiro confunde santificação com um esforço no campo sexual, por exemplo, o segundo confunde salvação com ativismo social. Ao mesmo tempo sabemos que o remédio ao Evangelho Moralista não é a ausência de leis (antinomismo), mas saber que quem opera a santificação é a ação da graça de Deus por intermédio do Espírito Santo.

Neste semana, por exemplo, eu li um texto que me deixou espantado. Um pastor pentecostal rejeitava com veemência a doutrina do pecado original e se posicionava como um pelagiano. Ele até chamou Agostinho de herege. E quando lia o artigo eu lembrei do que G. K. Chesterton escreveu: “Certos novos teólogos questionam o pecado original, que constitui a única parte da teologia cristã que pode realmente ser provada” [3]. E é até espantoso que tal concepção não cause escândalo no nosso meio. E aí o calvinismo poderia nos ajudar. Nesse momento precisamos mergulhar em mais doutrinas da graça.

Conclusão

Portanto, conversar com autores reformados só me faz bem. Isso não me tornou um calvinista, mas se assim tivesse acontecido isso não teria sido um problema. Conversar com calvinistas ajudou-me a ver a conexão saudável entre a cultura e o Evangelho. Conversar com calvinistas ajudou-me a rejeitar o moralismo como Evangelho. Conversar com calvinistas ajudou-me a considerar suas críticas a um Evangelho que se resume a um ativismo social ou uma busca pelo perfeccionismo inexistente ou uma terapia de autoajuda.

É um perigo a conexão de pentecostais com calvinistas? Não! E eu desejo que os pentecostais também dialoguem e aprendam com outras escolas: os Pais da Igreja, a Teologia Medieval, a Reforma Protestante, o Calvinismo, o Arminianismo, o Puritanismo, o Movimento de Avivamento, o Movimento de Santidade, o Wesleyanismo, o Evangelicalismo, o Anglicanismo, o Novo Calvinismo, a Erudição Católica etc. E, é claro, quero que as demais tradições cristãs também aprendam conosco.

Referências Bibliográficas:



[1] LEWIS, C. S. Oração: Cartas a Malcolm: Reflexões sobre o diálogo íntimo entre homem e Deus. 1 ed. São Paulo: Editora Vida, 2009. p 66.

[2] Para esse debate sobre perspectivas diferentes a respeito da santificação, leia: GUNDRY, Stanley (ed.) Cinco Perspectivas sobre a Santificação. 1 ed. São Paulo: Editora Vida, 2006.

[3] CHESTERTON, Gilbert K. Ortodoxia. 1 ed. São Paulo: Editora Mundo Cristão, 2008. p 27.
Leia Mais:

O que me atrai no calvinismo…


O que me atrai no calvinismo (parte 2)…

A mania da “autoafirmação calvinista”

Sou arminiano ou calvinista? Eis a questão!

48 comentários em “Pentecostais com Calvinistas. Motivo de preocupação?

  1. Concordo que o diálogo com outras correntes teológicas não são prejudiciais. Os calvinistas, no entanto, precisam de melhor esclarecimento sobre o pentecostalismo clássico. Em uma palestra recente, um calvinista de renome afirmou que os pentecostais desvalorizam a Bíblia pois colocam os dons acima dela (o que é obviamente falso). Este fato os afastam do diálogo. Um abraço.
    (www.gracaesaber.com)

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  2. George,

    Concordo plenamente. Eu sei que alguns pentecostais ficam receosos justamente pelo preconceito que muitos reformados possuem em relação aos pentecostais. E esse desconhecimento acomete até mesmo muitos eruditos reformados. O que é uma pena.

    Mas vejo que estamos tenho progresso nesse sentido…

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  3. Paz, Gutierres

    Um texto muito equilibrado, e como você disse ao irmão acima, é exatamente o que acontece como muita parte dos pentecostais, o receio pelo preconceito da parte deles, afinal já estou cansado de ver comentários “terríveis de calvinistas”.
    O caminho certo é do equilíbrio, veja só o que David Wilkerson disse acerca de Wesley e Whitefield:

    “O grande evangelista George Whitefield e João Wesley foram dois dos maiores evangelistas da história. Eram homens que pregaram a milhares de pessoas em cultos ao ar livre, nas ruas, parques e prisões, e através de seus ministérios muitos foram levados a Cristo. Mas uma disputa doutrinária surgiu entre eles quanto a como uma pessoa é santificada. Ambos os lados doutrinários defenderam suas posições intensamente, e algumas palavras fortes foram trocadas, com seguidores de ambos os lados discutindo de um jeito inadequado.
    Um seguidor de Whitefield foi até ele um dia e perguntou: “Nós vamos ver João Wesley no céu?”. Ele na verdade estava perguntando, “Como João Wesley pode ser salvo se prega um erro desses?”.
    Whitefield respondeu, “Não, não veremos João Wesley no céu. Ele estará tão nas alturas junto ao trono de Cristo, tão perto do Senhor, que não teremos capacidade de vê-lo”.

    Texto muito bom, agora espero ver isso de um reformado, se souber de um texto deste por parte deles, me avisa!

    Abraço.

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  4. Gutierres,paz!

    Meu bom irmão, sobre isso

    “a santificação wesleyana/arminiana/ pentecostal e suas manifestações populares tendem a nos levar a um esforço moralista como apêndice da salvação ou coloca-nos (nosso esforço) como a própria essência da salvação”

    devo lhe dizer que as coisas não são assim. Exemplo: sou arminiano e não cogito as coisas dessa maneira. Conheço outros tantos arminianos que de igual modo sabem separar as coisas.

    Qusetiono também tal fala devido ao seguinte fato: a maioria esmagadora dos evangélicos são arminianos mas não sabem o que é isso; se aproxima do pelagianismo e semipelagianismo sem saber o que significam essas coisas. Razão: falta de sólido ensinamento.

    Os reformados tem como característica um ensino mais sofisticado – disso todos sabemos. No entanto, isso não faz com que necessariamente uma aproximação entre arminianos [pentecostais] e calvinistas seja a solução. Basta os mestres arminianos treinarem outros mestres apresentado equilibradamente os pressupostos pentecostais ou arminianos [como queira] que as coisas serão ajustadas.

    Vejo a aproximação, digamos, perigosa, porque a diferença de subsídios teológicos são quase que abissais. Tenho informação de que calvinistas andam praticando uma espécie de proselitismo entre os pentecostais/arminianos.

    O construto teológico arminiano e o calvinista são auto-excludentes. Não são paradoxos. Não são lados de uma mesma moeda.

    Essas observações não visam findar oportunidades de diálogos. Longe disso! Somos irmãos de fé! No entanto, cautela e caldo de galinha não faz mal a ninguém.

    Sou um arminiano militante.

    Acho que é isso.

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  5. Parabéns Gutierres, ótimo texto. Creio que vivemos uma fase da História da Igreja na qual precisamos reavaliar nossas posturas e ver como nossas escolhas nos fizeram chegar até aqui. Creio que há coisas muito boas no Calvinismo como a contínua afirmação da soberania de Deus e coisas que ao meu ver, são péssimas, como a predestinação incondicional e expiação limitada. Igualmente o Arminianismo traz consigo consequências terríveis no que tange ao apego excessivo às obras e a ação do homem. Igualmente, tem a vantagem de produzir pessoas mais comprometidas e devotas à Deus. Vemos que sistemas filosóficos nunca correspondem à própria Palavra de Deus e que Ela sempre deve ser o juiz de nossos pensamentos. A realidade dessa discussão histórica, já prova em si mesmo que nenhuma das duas visões explica com clareza a palavra de Deus. Deixemos mais uma vez a Palavra do Senhor nos guiar e não filosofias humanas.
    Compartilho com os irmãos o link vídeo abaixo, da visão do Pastor Caio Fábio sobre a questão em pauta. Não concordo com tudo que o Caio Fábio diz, mas acredito que ele tenha chegado em um nível mais próximo da realidade nesta explicação: http://www.youtube.com/watch?v=z5nTAF-voWQ

    Deus abençoe à todos!

    Jônatas O. Duarte

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  6. O pentecostalismo no que diz respeito à teologia acadêmica, no Brasil, praticamente inexiste. É só procurar quem são os nomes que temos, pode-se contar nos dedos. Ah, concordo com você, a aproximação destas concepções teológicas podem enriquecer a ambos. Também sou pentecostal, mas 90% das minhas leituras teológicas são provenientes de escritores reformados, brasileiros e gringos. Quanto às visões concernentes à salvação, temo que haja problemas nas duas concepções e problemas inconciliáveis, de resto é possível conviver.
    O C. S. Lewis, se eu não estiver errado, quando mais velho, tornou-se universalista. Enfim, parabéns pelo ótimo texto!

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  7. Irmão Siqueira, sinceramente eu não vejo com bons olhos esse envolvimento dos pentecostais com os calvinistas. Isso se deve a fragilidade da nossa soteriologia. Veja um relato feito no blog do Temporas:

    “O efeito dramático do Livro “O Culto espiritual em nossa Igreja”
    Rev. Augustos, minha pergunta precipitada foi respondida na pag. 145, rsrsrsrsrs…
    Não sei se o Rev. Tem consciência do despertamento que está acontecendo, e de como o Senhor Deus tem utilizado seus livros e os livros do Rv. Hernandes.
    Por exemplo:
    O livro “O Culto Espiritual”, Fez nossa Igreja inteira parar de falar em línguas, e mudamos toda nossa liturgia. Tivemos até que tirar a placa Assembléia de Deus e nos “transformamos” rsrsrs.. Em Igreja Reformada em Jf.
    Éramos Assembleianos calvinistas, um movimento singular que tem surgido em nossos dias.
    Por causa dessa atitude corajosa de nossa parte, a nossa pequena Igreja começou a crescer numericamente como nunca antes.
    Primeira mudança básica: Seminário de Teologia gratuito toda terça de 20:00 as 22:00, temos alunos de muitas denominações: Ass. de Deus, Batista, Quadrangular, inclusive “Presbiterianos Arminianos” que estão sendo reformados acredite se quiser, sem contar os da Mundial, Universal etc.
    O Livro que estamos utilizando como base nesse trimestre é “Salvos pela Graça”,
    Sexta feira Teologia bíblica, com o comentário de Gálatas do Rev. Hernandes
    E domingo à noite nosso culto simples: Oração, Louvor, Palavra e “Fim”, sem mencionar o fato de que na terça e na sexta, por causa do grande entusiasmo pela palavra, estamos dividindo o culto em duas partes com duas mensagens, e as vezes fico com alguns irmãos até as cinco da manhã estudando e orando. Se eu não morrer..rsrsrsr…. eu pretendo convidá-lo para o nosso congresso sobre Santificação Pela fé, o que chamamos por aqui de o sexto ponto do calvinismo,rsrrsrsr.
    Enfim espero que essas minhas palavras possam alegrar o seu coração, pois eu sei como é a vida de um homem que se dedica ao ensino, e esses resultados são o que nos impulsionam a continuar acreditando em reforma hoje ….”

    fonte: http://tempora-mores.blogspot.com.br/2012/06/heresia-biblicista.html

    Essa é a minha preocupação irmão Siqueira, é que haja uma calvinização no meio pentecostal, para mim isso poderia causar outro racha.

    JEan Patrik

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  8. Zwinglio, a paz!

    De fato, os arminianos sérios podem colaborar com a educação teológica do povo evangélico. E concordo que um arminiano aplicado saberá separar as coisas. Mas, sinceramente, temo que a maior parte dos evangélicos seja pelagiana. Falo isso por experiência própria, pois estou cansado de ver membros da minha igreja com a ideia de salvação por obras.

    Abraço

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  9. Gilvan, a paz!

    Eu desconheço qualquer aproximação do C. S. Lewis com o universalismo. Sei que esse movimento foi feito pelo brilhante teólogo suíço Karl Barth, mas não pelo Lewis.

    E a melhor crítica ao universalismo que li veio da pena de Lewis no livro “O Grande Abismo” de 1945.

    O livro “Letters to Malcolm: Chiefly on Prayer” que citei no artigo é uma obra póstuma publicada em 1964, ou seja, um ano após a morte de Lewis. E não há qualquer indício de universalismo.

    E concordo plenamente. A produção erudita no pentecostalismo brasileiro é quase inexistente. Só temos livros de vida cristã e alguns obras de teologia bem básicas.

    Abraço

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  10. Gutierres, bom dia!
    Parece que seu texto é uma ampliação de meu questionamento (comentário) feito aqui: http://www.teologiapentecostal.com/2012/07/encontros-teologicos.html?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+TeologiaPentecostal+%28Teologia+Pentecostal%29 , muito embora você (eu acredito que da parte dos pentecostais é verdadeiro a abertura para o diálogo, mas os reformados não estão dispostos a aprender nada conosco, apenas nos ensinar sua “flor” TULIP)acredite que esta convivência possa ser pacifica, uma leitura na história da teologia cristã lhe frustrará a expectativa. O próprio Wesley foi perseguido por quase todo seu ministério com a pecha de pelagiano, de ensinar salvação pelas obras, acredito que sua concepção é fruto do não conhecimento da artilharia reformada. Nós que acreditamos na eleição pela graça por meio da presciência Divina, a expiação ilimitada, a depravação total,graça resistível e a perseverança condicional em Cristo (isso é arminianismo) somos chamados pelos melhores deles(reformados) de heréticos, pelagianos e alguns questionam até mesmo nossa salvação, somos chamados de romanistas. Agora eu te pergunto, você (e outros líderes da AD)realmente acreditam que eles querem aprender alguma coisa? você acredita que alguém que pensa assim de você (por sua crença) possa se aproximar sinceramente com boas intenções? Veja, em seu artigo você já comprou algumas idéias dos reformados, por exemplo:
    1. ” Esse novo calvinismo procura entender bem a cultura contemporânea ao mesmo tempo que apresenta o bom e velho Evangelho do Nosso Senhor Jesus Cristo”
    2. “A santificação wesleyana/arminiana/ pentecostal e suas manifestações populares tendem a nos levar a um esforço moralista como apêndice da salvação ou coloca-nos (nosso esforço) como a própria essência da salvação.mas existe uma tendência ao moralismo como centro salvífico. O calvinismo sempre condenou essa tendência. “
    3. “Conversar com calvinistas ajudou-me a ver a conexão saudável entre a cultura e o Evangelho. Conversar com calvinistas ajudou-me a rejeitar o moralismo como Evangelho. Conversar com calvinistas ajudou-me a considerar suas críticas a um Evangelho que se resume a um ativismo social ou uma busca pelo perfeccionismo inexistente ou uma terapia de autoajuda.”. O os argumentos 1 e 3 não são particularidade do calvinismo, isso é cristianismo e aqui é que começa o problema, você sem perceber já engoliu um camelo, acreditar que o calvinismo e não o evangelho nos desafia a questões do 1 e 3 argumentos é um erro grave. No 2 argumento não existe nenhuma relação causal entre ser arminiano/pentecostal e ser moralista, se isso existe é fruto das pregações não bíblicas práticas nas Assembléia de Deus, da falta de formação teológica dos pastores e um tanto de outras coisas que poderíamos a quiza de informação enumerar. Se os líderes/crentes são pelagianos e semipelagianos é apenas uma evidência que a AD não está cumprindo seu papel doutrinário. Se você acredita que estou exagerando confira (aqui: http://www.arminianismo.com/index.php?option=com_content&view=article&id=1354:eric-hankins-uma-afirmacao-do-entendimento-batista-do-sul-tradicional-do-plano-de-salvacao-de-deus&catid=261:eric-hankins&Itemid=38) o estrago que o calvinismo vem provocando na Convenção Batista do Sul nos E.U.A, e os ataques são os mesmos, os crentes e líderes foram chamados de pelagianos e outras coisas mais, pelo movimento neocalvinista, esse que você acredita ser pacifico e bem intencionado. Com todo respeito a sua sinceridade é preciso se precaver sim, e guarde este comentário, pois se a AD não se precaver, teremos aqui no Brasil um episódio idêntico ao que acontece lá (E.U.A).
    Em Cristo sempre.

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  11. Douglas, a paz!

    Calma, calma. Eu não estou confundindo cristianismo com calvinismo. Abomino a mistura do conceito “cristianismo” com a vinculação à uma corrente teológica.

    O que quis dizer no texto é que os calvinistas estão melhores na comunicação de alguns aspectos do Evangelho do que muitos não-calvinistas (E eu sou um não-calvinista).

    Por exemplo, a Assembleia de Deus é uma igreja protestante que crê na salvação pela graça e é, em essência, arminiana. A doutrina é maravilhosa. Mas a maioria dos assembleianos que conheço (e eu sou assembleiano) são pelagianos de fato e direito. Ora, são pessoas que acreditam na salvação por obras. E isso é lamentável.

    Portanto, quando vejo um assembleiano bebendo em fontes calvinistas eu fico feliz, pois sei que esse ficará longe do pelagianismo. Mas é claro que ele pode abraçar outras ideias perigosas como o determinismo.

    Eu sei que se esse assembleiano lesse e levasse o arminianismo a sério ele não seria pelagiano. Mas aí pergunto: onde estão os teólogos arminianos para defenderem a sua doutrina e descontaminarem o meio evangélico do pelagianismo?

    Os arminiamos estão falhando bastante nessa batalha. E, nisso, eu preciso aplaudir a ênfase que os calvinistas dão na salvação pela graça. Aliás, no conceito da graça como um todo.

    Não estou dizendo que abraçar o arminianismo é abraçar o pelagianismo. Essa acusação seria infame. O que estou dizendo é que os arminianos estão longe de educarem o povo evangélico com eficácia. É, talvez, a escola teológica mais tímida em defender o seu legado e jogar fora aquilo que a sua conceituação popular distorce.

    Não acho que a maior parte da população evangélica seja arminiana, pois, se assim fosse, seria ótimo. Acho que a maior parte dos evangélicos são, infelizmente, pelagianos. E isso é extremamente preocupante. E repito: os arminianos precisam educar o seu povo. Os arminianos estão perdendo os seus crentes para o pelagianismo.

    A maior ameça ao arminiano bíblico não é o calvinismo, mas o pelagianismo.

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  12. Aos leitores arminianos,

    Eu escrevi: “A santificação wesleyana/arminiana/ pentecostal e suas manifestações populares tendem a nos levar a um esforço moralista como apêndice da salvação ou coloca-nos (nosso esforço) como a própria essência da salvação. Não estou acusando o arminianismo de pelagianismo, pois isso seria um baita exagero, mas existe uma tendência ao moralismo como centro salvífico”.

    Como isso eu não quis dizer que o Arminianismo é Pelagianismo ou Semipelagianismo.

    O que eu quis dizer?

    a) A maior parte dos evangélicos que nós afirmamos serem arminianos são, na verdade, pelagianos. E Armínio ficaria chocado com eles.

    b) O Arminianismo é vítima de uma conceituação popularizada, ou seja, é vítima da sua própria popularidade. O mesmo acontece como o Calvinismo, o Pentecostalismo etc. Quando muita gente diz crer em um dogma, normalmente essa doutrina sofre com conceituações e pregações populares que não condizem com sua formulação inicial. É o preço da banalidade.

    c) Quando um arminiano dá ênfase demasiada em sua doutrina ele pode cair na tentação de aprofundá-la. E arminianismo muito aprofundado torna-se pelagianismo. Assim como calvinismo muito aprofundado torna-se determinismo. Eu, sinceramente, não sei qual é o extremo pior.

    d) Os arminianos e calvinistas devem combater os extremos de suas próprias doutrinas. A maior ameaça para uma doutrina é a sua própria extremidade.

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  13. Olá Gutierres.
    O Grande Abismo, Cristianismo Puro e Simples e Narnia, em minha opinião, são os melhores livros do Lewis. Não estou certo da postura universalista de Lewis, mas não gostaria menos dele se, afinal, o fosse. (rs) Abraço!

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  14. será que a maioria esmagadora dos evangélicos são arminianos mas não sabem o que é isso? Penso que não. G. K. Chesterton está certo: “O homem comum sempre cuidou mais da verdade do que da coerência. Assim, ele sempre acreditou que existia isso que se chama de destino, mas também isso que se chama de livre-arbítrio”. É do esforço teológico de compreender como estas duas coisas paradoxais se relacionam que nasce os sistemas, calvinista, arminanos e similares.

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  15. kakakakaka!!! A flor calvinista TULIP?! Muito bem lembrado pelo Douglas – ela parece ser venenosa e os pentecostais incautos/anti-intelectuais devem tomar todo cuidado para não se contaminarem, apesar de perceber que muitos já têm se deixado levar pela sua aparente beleza!

    Muito bom o texto e todo o debate!

    Abraços
    Orlando
    souteológico.blogspot.com

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  16. Paz,Guitierres !

    Sou da AD e depois de estudar em seu seminário FAESP,durante um longo Período aprendendo doutrinas arminianas,conheci através de um professor da instituição o trabalho do Rev.Hernandes dias lopes,Rev Augustus Nicodemos,Rev Mauro Meister e outros,não só eu mas alguns amigos de seminário, e daquele momento em diante me interessei mais pelo ensino REFORMADO e fiquei maravilhado,tendo acesso aos seus materiais.
    Hoje continuo na AD, porém hoje me identifico como calvinista.Não vejo nisso um problema nesta aproximação,e conheço mais pessoas dentro da própria AD se aproximando e se identificando com o calvinismo.
    Considero tudo que estudei no seminário da instituição que já citei, mas hoje estou concluindo meu bacharel em um seminário de confissão reformada!
    É bem verdade que alguns dentro da AD nos veem com outros olhos,principalmente por que sou professor na Escola Bíblica.
    Mas estou muito contente com tudo que tenho aprendido nestes dias,e vejo que esta aproximação de pentecostais e calvinistas não é prejudicial e sim benéfica.

    Muito bom seu texto ! Parabéns

    Abraço

    THIAGO JESUS
    BLOG KENÓSIS
    http://marcosramires.blogspot.com.br/

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  17. Gutierres boa noite.

    Gosto muito dos seus textos e acompanho o seu blog.

    A questão, ao meu ver, é muito mais uma questão de fundo. Não vejo como possa ser possível ler um autor reformado e não ficar com a orelha empinada com o fato de que toda a argumentação deles, por mais bonita e piedosa que pareça, tem como pano de fundo o determinismo e o voluntarismo divino.

    Além do mais, por mais que exista o perigo do evangelho moralista em nossos meios, o determinismo calvinista tem o gravíssimo defeito de trazer em si a um raciocínio fatalista do “o que tiver de ser será”. Por conta disso corre-se o risco de “deixar tudo nas mãos de Deus” e não fazer nada.

    Claro que isso não é o que necessariamente acontece, mas esse tipo de pressuposto de fundo é tão incomodo que eu não acho que os pentecostais devam ser iniciados em autores calvinistas sem serem expressamente alertados a respeito dos pressupostos dos quais eles partem, afim de que possam se focar no que é realmente bom nessa teologia, rejeitando o que não vale a pena.

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  18. Eu fico pensando se o Thiago de Jesus realmente conheceu a soteriologia arminiana. Dificilmente quem conhece o arminianismo clássico se tornaria um calvinista. E é disso que estou falando, a calvinização no meio pentecostal está forte, e tudo isso é por nossos professores não conhecerem de fato o que é arminianismo como os calvinistas conhecem o calvinismo.

    Jean Patrik

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  19. Não sei se dá para dizer com toda certeza que Lewis era universalista. Ele era declaradamente inclusivista, isto fica claro no seu 'Cristianismo Puro e Simples'.
    Alguns de seus escritos davam a entender uma 'misericórdia aos condenados'. Mais ou menos neste gênero: a porta do inferno está aberta, mas nem todas as pessoas lá dentro desejarão sair.

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  20. Gutierres, paz.

    O caso de Thiago Rocha é uma prova do que disse anteriormente.

    Ele estudou em um seminário da AD e ainda assim deixou-se levar pelo canto da sereia calvinista.

    Ora, lendo Nicodemus, Lopes e Meister… só poderia dar nisso, se ele, no seminário assembleiano, ouviu, com todo respeito, apenas o “zé das couve”.

    Como você mora em SP, uma cidade grande e certamente conhece uma tonelada de assembleianos, pergunte a alguns deles se eles sabem que em seu construto soteriológico, Agoastinho, viveu duas fases? Pergunte a eles se sabem que o livre-arbítrio era o ensino defendido pelos pais apologistas anteriormente a Agostinho?

    Tenho a impressão que questões como essa que precedem o calvinismo são desconhecido da maioria esmagadora.

    Muitos desses pentecostais que estão aderindo ao calvinismo nunca souberam dialogar sobre o arminiasnmo, sua história e pressupostos.

    Está faltando mestres arminianos. O que tenho visto é que enquanto os mestres calvinistas publicam, palestram, ganham notoriedade, os mestres arminianos não existem {ou existem e eu não os conheço?}.

    Ensinamento arminiano sólido evitará essa adesão esdrúxula ao calvinismo e sua teorias de expiação limitada, voluntarismo, graça irresistível que nega o livre-arbítrio, etc.

    Considero lamentável a experiência do Thiago. É claro que digo isso com todo respeito e toda fraternidade.

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  21. Sobre isso:

    c) Quando um arminiano dá ênfase demasiada em sua doutrina ele pode cair na tentação de aprofundá-la. E arminianismo muito aprofundado torna-se pelagianismo. Assim como calvinismo muito aprofundado torna-se determinismo. Eu, sinceramente, não sei qual é o extremo pior.

    O calvinismo TULIP é inerentemente determinista. Não importa como se redefinem os termos, o calvinismo, se consistentemente seguido, é a mesma coisa que ler Lamentações 3:26.

    Já o 'arminianismo extremado' não tem nada a ver com pelagianismo. O máximo de extremo que se pode chegar é a teoria de que perdemos a salvação a cada pecadinho cometido.

    d) Os arminianos e calvinistas devem combater os extremos de suas próprias doutrinas. A maior ameaça para uma doutrina é a sua própria extremidade.

    Eu acho particularmente impossível não se chegar ao extremo a partir que alguém adote o supra-lapsarianismo. Basta ler Cheung…

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  22. Graças a Deus estou na Paz –
    Tenho acessado constantemente este blog – ótimo blog –

    Deus tem dado a liberdade de escolha para o homem. Tem várias passagens bíblicas que diz – Adão mesmo teve uma escolha não foi?

    este versículo de Jo.15 o seu contexto fala da escolha dos doze discípulos , e não fala da escolha dos eleitos de Deus para a Salvação eterna. Jesus esta falando aos onze (jo15.8; 16.17) a palavra “escolhido” é usado a respeito de pessoas que não são eleitas. Judas, por exemplo , foi “escolhido” por Cristo , mas não era dos eleitos – Jo.6.70.

    não estou defendo o universalismo – doutrina está errada. em lugar algum das escritura afirma que Cristo morreu apenas só pelos – Eleitos.

    a expiação de Cristo é limitada em sua aplicação, mas não é limitada em sua extensão. –

    Deus é amor – se Ele ama apenas os eleitos que amor é este? a bíblia diz que Ele -Senhor – é bom até para os ímpios
    amor que faz acepção de pessoas?
    e se Deus faz com que as pessoas acreditem, por que Deus não salva todas as pessoas?
    abraços –

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  23. Graças a Deus estou na Paz –
    Tenho acessado constantemente este blog – ótimo blog –

    Deus tem dado a liberdade de escolha para o homem. Tem várias passagens bíblicas que diz – Adão mesmo teve uma escolha não foi?

    este versículo de Jo.15 o seu contexto fala da escolha dos doze discípulos , e não fala da escolha dos eleitos de Deus para a Salvação eterna. Jesus esta falando aos onze (jo15.8; 16.17) a palavra “escolhido” é usado a respeito de pessoas que não são eleitas. Judas, por exemplo , foi “escolhido” por Cristo , mas não era dos eleitos – Jo.6.70.

    não estou defendo o universalismo – doutrina está errada. em lugar algum das escritura afirma que Cristo morreu apenas só pelos – Eleitos.

    a expiação de Cristo é limitada em sua aplicação, mas não é limitada em sua extensão. –

    Deus é amor – se Ele ama apenas os eleitos que amor é este? a bíblia diz que Ele -Senhor – é bom até para os ímpios
    amor que faz acepção de pessoas?
    e se Deus faz com que as pessoas acreditem, por que Deus não salva todas as pessoas?
    abraços –

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  24. A paz do Senhor!

    Guttierres, eu também creio na doutrina misturada armicalvinista rsrsrsrs. Até porque já ouví muitas profecias (sou da AD) que Deus falava a alguém tipo ” eu te escolhí e tú és meu”.

    Pedro Paulo Santos

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  25. Caro irmão Gutierres, a Paz do Senhor!

    O texto é oportuno e reflete uma realidade que já não é tão tímida: o surgimento de pentecostais calvinistas. Posso falar por experiência própria, pois me considero um deles. Sou pentecostal na Pneumatologia e calvinista na Soteriologia.

    Não me tornei calvinista sem antes conhecer o arminianismo; pelo contrário, estudei a fundo homens assembleianos de posição contrária ao acróstico TULIP, como Ciro Sanches Zibordi e Antonio Gilberto da Silva, dentre outros. Li debates no arminianismo.com, frases e textos “chocantes” de John Wesley e artigos de arminianos militantes na Internet. Estive bem informado da diferença entre arminianismo e pelagianismo, contudo, muitas dúvidas surgiam em minha cabeça quando me deparava com textos como Romanos 9 (considerado o “terror” de muitos), por exemplo. Aos poucos, fui me aproximando das “Doutrinas da Graça” (como apelidou Spurgeon) até abraçá-las por completo.

    Enfrentei alguns problemas por assumir o “calvinismo”, inclusive nas aulas de EBD, onde leciono pela graça de Deus. Contudo, respeito a posição pentecostal/arminiana sobre a salvação e não tento impôr meu modo de pensar sobre meus alunos. Quando me questionam, procuro dialogar de modo pacífico, buscando somar conhecimentos. E Deus tem sido glorificado!

    No mais, parabéns pelo artigo. Um grande abraço,

    PH

    Soli Deo Gloria! (rs rs… Isso foi só pra descontrair)

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  26. Paz do Senhor irmão Gutierres siqueira – postei um comentário no seu blog – mas este comentário na verdade era para mim ter postado em outro blog – sendo que estou comentando este assunto como outro pessoa. certo. sobre Calvinismo e Arminianismo – sobre os 05 pontos do Calvinismo –

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  27. Paz, Gutierres!
    Esse debate que já se estende há quase dois mil anos nos revela pelo menos duas coisas:
    1) a nossa incapacidade intelectual de compreendermos plenamente como Soberania Divina e Liberdade Humana se interagem
    2)Quando não admitimos a nossa incapacidade intelectual diante desse assunto complexo corremos o risco de ultrapassarmos os limites e podemos nos tornar hiper-calvinistas (não há Liberdade Humana) ou hiper-arminianos (não há Soberania Divina).
    Calvinistas podem aprender com Arminianos e Arminianos podem aprender com Calvinistas e ambos podem fazer muito pelo Reino de Deus (George Whitefield era calvinista e John Wesley era arminiano, John Piper é calvinista e David Wilkerson era Arminiano).
    Calvinismo e Arminianismo tem suas virtudes e suas falhas, mas são tentativas humanas bem intencionadas de explicar aquilo que a nossa mente imperfeita ainda não consegue captar plenamente.
    Também sou adepto da antinomia e também acho que tanto calvinistas quanto arminianos deveriam deixar a arrogância e os insultos de lado, afinal de contas, apesar das diferenças teológicas na Soteriologia, temos apenas um só Senhor e Salvador, Jesus Cristo!
    Ótimo texto!
    Deus te abençoe!

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  28. Joabe,

    Sim, de fato. Mas se eu fosse um arminiano estaria preocupado em refutar temas como “eleição” e “predestinação”, por exemplo, fazendo uma leitura como “Deus predestinou a Igreja” etc e tal.

    Nessa posição intermediária, eu simplesmente aceito tais questões como os calvinistas creem, ao mesmo tempo que creio na plena (plena mesmo) liberdade humana.

    Abraços!

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  29. Gostei de sua conclusão, embora discorde dos fundamentos.

    A “antinomia” em si já não seria uma doutrina típica ou quase que exclusivamento dos calvinistas (infralapsários)?
    Em que linha teológica/doutrinária você se enquadraria? Não consegui identificar, a não ser como Calvinista (moderado) mesmo.

    Sou arminiano, com uma forte influência de Barth, sobretudo nestes textos em que “encontrastes” a antinomia.

    Agora, o contato com o Calvinismo e com outras doutrinas creio ser importante, fortalece, e melhora os fundamentos. Mas isto é para cristãos com algum tempo ou conhecimento das Escrituras, é para quem tem a fé bem definida, a fim de que não ocorra exemplos como o acima.
    Uma posição “neutra”, na realidade não existe. Apelar a incapacidade de compreensão (antinomia), sem demonstrar a prevalescência de qualquer dos argumentos, apenas declarando que os aceita, em si não é uma doutrina e Calvinistas, como o Augusto Nicodemus, já fazem isto, e se consideram calvinistas.

    Cada um adota o entendimento que quer, mas a realidade é que o irmão já tomou uma posição, não entrar no x da questão e não tentar explicar a prevalescência das duas premissas.

    Cumpre salientar que, eu também creio, de certa forma semelhante a você (e Barth também), em que tudo está determinado e ao mesmo tempo o homem é livre, mas com uma diferença essencial, tento provar o valor positivo das duas premissas, não me escuso de defender qualquer delas.

    Abraços.

    Graça e Paz.

    Flávyo Henrique

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  30. Gutierres

    Mas o verdadeiro arminiano, na verdade, tem uma posição centrada. O arminianismo não nega a soberania de Deus.

    Quanto o pelagianismo da AD e outras igrejas populares, é causado pela ignorância, e não pelo arminianismo. Lembro que quando criança, sempre ouvi nas igrejas batistas um forte ensino de salvação pela graça. Mas as igrejas batistas são majoritariamente arminianas (e eram ainda mais naquele tempo).

    A mesma coisa acontece quanto aos usos e costumes. Não são basicamente um problema causado pelo arminianismo, mas são sim uma característica fortíssima das igrejas pentecostais.

    Penso que você tem confundido as coisas, atribuindo certos problemas específicos do pentecostalismo ao arminianismo. Como eu não nasci em igreja pentecostal, pude ver de fora, e sei que o problema é muito mais específico do que você pensa.

    Wesley nos conta sobre certas pessoas que não queriam estudar outros livros, mas só ler a Bíblia, que ao final nem a Bíblia liam. Assim tem sido muitos pentecostais.

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  31. Graça e paz a todos!

    Infelizmente em Nosso meio ainda existe um mal-entendido em Relação a Justificação pela fé e o Testemunho Cristão,onde alguns acham que Calvino rejeita uma vida de Santidade.

    para evitar dúvidas,deixo abaixo um trecho de Calvino falando sobre o Testemunho Cristão:

    “E este é o lugar apropriado para dirigir-me aos que não têm Cristo além de um título exterior, e com isso já pretendem ser tidos como cristãos…Ora, esta não é uma doutrina de língua, mas de vida; não é apreendida apenas pelo intelecto e pela memória, como as restantes disciplinas, mas, afinal, é recebida então quando possui toda a alma e acha assento e guarida no afeto íntimo do coração.”

    Inst, Livro 3, pg 158.

    Calvino neste ponto não está se contradizendo sobre a Justificação pela fé, o que ele está dizendo ai é que um Verdadeiro Cristianismo, Aquele que nasceu verdadeiramente no coração do crente mediante o Espirito Santo, sera aquele tipo de Cristianismo que será evidente por meio de seus atos de dentro para fora e não mera especulação da fé em Jesus.

    Ou seja Calvino não joga o testemunho no Lixo, o que ele fala é que as Obras não são “moedas da Salvação”.

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  32. Vincent Cheung é muito lido no meio reformado, ele afirma que preferia frequentar uma igreja carismática com pouco interesse na doutrina reformada do que uma igreja reformada cessacionista. Ainda chama o cessacionismo de “doutrina de demônios”.
    Acredito ser ele um exemplo claro dessa aproximação, assim como John Piper e Driscoll.

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  33. Rodrigro

    Não sei o que pensam ou pensaram os luteranos mas, segundo aprendi, Lutero cria que o amor de Deus por todos os homens era uma “mentirinha benéfica” para os “fracos”. Segundo tudo o que já lí, ele cria que só Adão teve livre arbítrio, quanto ao resto das pessoas a posição dele era exatamente igual à de Calvino. Isso de forma alguma pode ser classificado como uma “posição intermediária”. A posição arminiana é que a morte de Jesus foi por todos os homens e que Deus amou realmente ao mundo, e que Deus realmente não tem prazer na morte do impio, mas em que se converta e viva. A não ser que eu esteja muito enganado, essas não eram as crenças de Lutero.

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  34. Gostei das palavras e da sinceridade que foi descrita. Fui criado no seio do movimento Pentecostal e tudo que aprendi nele foi, claro, muito util. O ponto é que como vc mesmo descreveu, a teologia pentecostal é fraca em conter mestres bem paramentados que tragam melhor conhecimento de doutrinas basicas ao cristianismo. Muitos como eu tem sede de maior conhecimento e por isso creio que acabem buscando autores e escolas reformadas o que no meu ver é sempre de bom grado acrescentador. Por isso eu tmb me considero um neocavinista pois as doutrinas de calvino (nem todas) me soam sempre como respostas a muitas coisas que sempre carreguei em meu coração. Parabéns pelo texto.

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  35. Excelente texto, caro irmão! Excelente. Também vejo desta forma, a aproximação pode ser saudável, e as doutrinas da Graça tem contribuído também para minha teologia, que também é essencialmente pentecostal.
    Parabéns!

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  36. Olá irmão, a Paz!
    Texto muito bom! Não sei se sua opinião hoje continua a mesma, espero que sim.
    Sou Pastor neocalvinista e acredito que o evangelho no Brasil tem sofrido ameaças muitos maiores do que um dialogo entre calvinistas e arminianos, essa discussão é muito antiga e nunca levou ninguém a lugar algum, pois na verdade “existe muitos calvinistas que acham que serão salvos por serem calvinistas e muitos arminianos predestinados a salvação… kk”. O grande perigo que a igreja está vivendo em nosso tempo chama-se, NEOPENTECOSTALISMO, pois além ser um veneno distribuído diariamente nessas igrejas e em programas na TV esse mal tem contaminados igrejas históricas, pentecostais, tradicionais e até reformadas.
    Os pastores em busca de números e embriagados pelo pragmatismo do século XXI querem resultados rápidos e nada como uma pitada de neopentecostalismo nos cultos para contaminar toda a igreja.
    O neopentecostalismo é pelagiano, é um insulto a Graça, as tradições e a história do cristianismo… é uma mistura de crenças, de religiões e está longe de ser evangelho.
    Nem todos que falam de Jesus em seus cultos são cristãos.
    O neopentecostalismo é antropocêntrico e narcisista, percebam as musicas cantadas atualmente, o homem é o centro do culto.

    Esse é o mal que temos que lutar contra, calvinismo e arminianismo é uma discussão de séculos, todos os dois lados se acham donos da razão… não temos que pregar uma linha teológica, mas a Cristo, todavia temos que está prontos a lutar contra qualquer que ameace a sã doutrina.

    Sobre o texto, como disse gostei muito de sua coerência, você foi sucinto e escreveu como um reformado… rsrsrs Acredito nessa aproximação, temos muito que aprender uns com os outros, pois Cristo nos chama ao equilíbrio.
    As rixas teológicas acontecem quando as pessoas desviam seus olhares de Cristo e do evangelho,e transformam sua teologia em religião, o que é um grande erro. Temos que ter nossa convicções teológicas e em tempo e lugar oportuno ensiná-las, mas a essência do cristianismo que é o amor, a Graça, a santificação, o perdão, a pregação das boas novas etc… precisa está acima de todas as linhas teológicas, (porém fundamentadas por elas).

    Só mais um detalhe, para entendermos melhor a questão da santificação no calvinismo é necessário um estudo sobre o quinto ponto do calvinismo que é a PERSEVERANÇA DO CRENTE, ou seja para o calvinismo o crente precisa buscar por santificação conforme a Palavra nos ensina, porém ele o faz não para salvação, mas por ser salvo. A maioria das pessoas que criticam o Calvinismo não o conhecem ou sabem algo da boca de alguma outra pessoa. Convido os irmãos a estudarem a teologia reformada, o movimento puritano, o calvinismo e tirarem suas próprias opiniões.

    Deus abençoe!

    Pr Jader Faleiro
    jaderhf@gmail.com

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