Música · Movimento Pentecostal

A pobreza da Música Pentecostal

Por que o “reteté” nunca acontece
com uma música que fala sobre a cruz de Cristo?

Por Gutierres Fernandes Siqueira

A Música Pentecostal é um gênero bem específico. Se você é de uma igreja tradicional ou até mesmo neopentecostal raramente ouvirá esse ritmo. A chamada Música Pentecostal é marcante no ambiente assembleiano e em igrejas de liturgias parecidas com as Assembleias de Deus. As principais expoentes são as cantoras Cassiane, Lauriete, Damares, Elaine de Jesus, Vanilda Bordieri etc.

O principal compositor desse gênero é o pastor Elizeu Gomes. O músico Gomes estudou no Hosanna International Seminar, o mesmo seminário que publica a “Bíblia Revelada”. Revelada? O nome já diz tudo. O seminário é uma versão “pseudoerudita” de um pentecostalismo dado a extravagâncias litúrgicas e pregações cheias de analogias abusivas. É um daqueles seminários que oferece “mestrado” em um kit com 25 apostilas.

Mas por que falo em pobreza? Ora, a chamada Música Pentecostal é incrivelmente pobre: tanto em estilo como em teologia.

Estilo

É incrível como todas as músicas são perecidas. O ritmo começa lento como se fosse uma seresta (espécie de serenata) ou um brega melódico e depois parte para uma agitação repentina. A agitação normalmente vem em ritmo de forró, sertanejo, axé ou como marcha. A previsibilidade do ritmo é altíssima. Você sempre sabe que na metade da música haverá uma mudança. As notas musicais variam pouco entre uma e outra música. Não é à toa que as igrejas pentecostais estejam cheias de “vocais” e com raros corais.

Teologia

Bom, quem faz mestrado com apostilas recebidas pelo correio não pode ser considerado um mestre. Falta, no mínimo, honestidade intelectual. E fazer músicas com uma teologia pobre de Bíblia e sem a correta interpretação? Ora, são músicas que falam em uma “porção dobrada do Espírito” como se a expressão referisse a todos nós. Onde anda a correta interpretação bíblica? Bom, e eu nem preciso falar sobre a ênfase na vitória, a centralidade nas necessidades humanas, a exaltação da vingança, a ausência de um culto a Deus etc. e tal.

Vale lembrar o velho Donald Gee, ainda na década de 1930, alertava os pentecostais sobre o desvio em sua música:

Gostaria que os nossos hinos fossem mais de adoração. Setenta e cinco por cento de nossos cânticos hoje falam mais sobre nós mesmos, sobre nossos sentimentos e experiências. É tempo de chegarmos à igreja para cantarmos ao Senhor. Seria uma boa coisa realizar uma ou duas reuniões onde chegássemos para ministrar ao Senhor, onde chegássemos para trazer-lhe algo. [1]


Portanto, a pobreza da música torna a nossa igreja pentecostal mais pobre.

Referência:

[1] GEE, Donald. Como Receber o Batismo no Espírito Santo: Vivendo e Testemunhando com Poder. 6 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006. p 71. O título original é Pentecost (Pentecostes, em português). A partir do ano 2000 a editora trocou o título pelo descrito acima. O título é muito infeliz, já que o próprio autor condena a ideia de uma “fórmula” para receber o “revestimento de poder”.

17 comentários em “A pobreza da Música Pentecostal

  1. Caro Gutierres,

    Até existem boas composições (mas muito poucas) no meio pentecostal, mas sem dúvida a mediocridade é a tônica do gênero, se podemos classificar assim.

    Se me permite, lembro aqui o artigo em três partes que escrevi sobre a questão de julgarmos a letra das músicas:

    http://judsoncanto.wordpress.com/2009/10/19/devemos-julgar-as-letras-das-musicas-parte-1
    http://judsoncanto.wordpress.com/2009/10/20/devemos-julgar-a-letra-das-musicas-parte-2
    http://judsoncanto.wordpress.com/2009/10/21/devemos-julgar-a-letra-das-musicas-parte-33

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  2. Gutierres,

    Aí está uma pergunta que sempre fiz e faço:

    “Por que o “reteté” nunca acontece
    com uma música que fala sobre a cruz de Cristo?”

    Lamentável a qualidade musical no meio pentecostal…

    Charles

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  3. É por isso que sempre digo, se fosse para ser pentecostal, preferiria ser católico das antigas, porque não é possível trocar Palestrina, os castratti, Kathleen Battle, Karajan ou Mozart pela breguice inculturada pela incultura brasileira que é a essência dos ritmos gospel e católico carismático.

    Ecclesia reformata et semper reformanda est!

    JOÃO EMILIANO MARTINS NETO

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  4. Atenção, por fim, caros irmãos, porque meu comentário não é apenas estético, mas é de conformidade com nossa boa ética e tradição protestante de sempre. Ora, Lutero defendia o canto congregacional e em língua local (na época da Reforma em alemão) para evitar a ética da egolatria tão presente nos cantores líricos medievais e hoje nos cantalorantes histéricos modernos.

    Ecclesia reformata et semper reformanda est!

    JOÃO EMILIANO MARTINS NETO

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  5. É impressionante como irmão Gutierrez só fala fatos.

    De fato,a musica que em geral faz sucesso nas igrejas pentecostais não é das melhores.

    A questão da similaridade entre as musicas é incrivel: são todas quase identicas. Sempre começa com uma estrofe mais calma e depois vem um refrão que geralmente é gigantesco de de uma animação que destoa de todo o resto da musica.

    Enfim parece faltar criatividade em nosso meio para fazer musicas que realmente sejam de qualidade.

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  6. Gutierres, o que você acha dos hinos da Harpa Cristã que é o hinário de sua denominação protestante?

    Neste ano de 2012 a Harpa Cristã está completando 90 anos. Pessoalmente eu aprecio muito tal hinário. Harpa Cristã poderia servir como exemplo de estilo verdadeiramente cristão e evangélico contra antropolatria de auto-ajuda, autoestima soberba e vingativa presente nas canções gospel atuais.

    Infelizmente, por causa de idiossincrasias, muito mais o centenário da primeira AD no mundo aqui na capital do Pará (Belém) é que obteve grande destaque em 2011 ao contrário da Harpa Cristã que neste seus 90 anos, em 2012, ficou meio relegada ao esquecimento.

    Ecclesia reformata et semper reformanda est!

    JOÃO EMILIANO MARTINS NETO

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  7. Excelente reflexão do Gutierres. Os hinários também não devem ser esquecidos.
    Mas a liberdade de se usar estilos musicais brasileiros não deveria sofrer rejeição ou preconceito. Quando esse país foi evangelizado pelos missionários evangélicos estrangeiros (reformados ou não), eles trouxeram hinos, canções e estilos musicais que eram, obviamente, de seus países. Porém, parece que para alguns brasileiros até hoje o único estilo verdadeiro, puro, santo e supremo é o modelo trazido pelos missionários estrangeiros. Fomos e somos abençoados pelo trabalho que aqueles missionários fizeram. Entretanto, Deus nos deu uma identidade própria, assim como o têm as outras nações. Somos brasileiros e o Brasil tem estilos musicais belíssimos que podem e devem ser usados para se cantar ao Senhor com canções que espelham Sua Palavra. Isso é respeito à cultura de cada país. Não é somente o que “vem de fora” ou o “importado” que é excelente e glorifica a Deus. Há distorções aqui e também lá fora. É só ligar o rádio, ou se conectar a webrádio etc e escutar as canções evangélicas estrangeiras (de crentes reformados e não reformados) duvidosas.

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  8. Excelente reflexão do Gutierres. Os hinários também não devem ser esquecidos.
    Mas a liberdade de se usar estilos musicais brasileiros não deveria sofrer rejeição ou preconceito. Quando esse país foi evangelizado pelos missionários evangélicos estrangeiros (reformados ou não), eles trouxeram hinos, canções e estilos musicais que eram, obviamente, de seus países. Porém, parece que para alguns brasileiros até hoje o único estilo verdadeiro, puro, santo e supremo é o modelo trazido pelos missionários estrangeiros. Fomos e somos abençoados pelo trabalho que aqueles missionários fizeram. Entretanto, Deus nos deu uma identidade própria, assim como o têm as outras nações. Somos brasileiros e o Brasil tem estilos musicais belíssimos que podem e devem ser usados para se cantar ao Senhor com canções que espelham Sua Palavra. Isso é respeito à cultura de cada país. Não é somente o que “vem de fora” ou o “importado” que é excelente e glorifica a Deus. Há distorções aqui e também lá fora. É só ligar o rádio, ou se conectar a webrádio etc e escutar as canções evangélicas estrangeiras (de crentes reformados e não reformados) duvidosas.

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  9. O meio pentecostal representa a grande maioria evangélica brasileira. Esta parcela da população é muito disputada pelas gravadoras “evangélicas”, seus lobos empresários e seus gananciosos “artistas crentes”. A propaganda que acompanha cada lançamento de CD é monstruosa. O empobrecimento musical é proposital, produz pessoas que não pensam, apenas repetem. Compram e consomem material apodrecido sem reclamar.
    É mais visível junto ao povo pentecostal, mas é geral.
    Aos que não seguem a manada, cabe louvar alegremente com riqueza divina e, se possível, livrar outros da mediocridade.

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  10. olha só, concordo contigo quanto a algumas letras indevidas e fora da palavra, também quanto a pessoas que querem ganhar vendendo cds. porém seu comentário quanto a rítimos, e riqueza musical deve ser revisto, ou talvez deva pesquisar melhor pois no meio evangélico temos exelentes musicos, e não devemos despresar hinários como a harpa e o cantor cristão pois tocaram e converteram muitas almas ao longo dos anos.

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