Cristianismo Cult · Teologia Liberal

O “bem comum” forçado é apenas a maldade compartilhada…

152 p./ 14×21 cm/
Editora Shedd Publicações

Por Gutierres Fernandes Siqueira

Há algum tempo estou para recomendar algumas ótimas obras teológicas lançadas pelas principais editoras evangélicas. Um desses livros é o clássico Cristianismo e Liberalismo (Shedd Publicações, 2012) do teólogo John Gresham Machen (1881-1937). O título já havia sido lançado em 2001 pela editora Os Puritanos, mas estava esgotado.

Machen tem ótimos insights sobre o conhecido “liberalismo teológico”. Concordo com Machen que o termo é insuficiente e inadequado para expressar essa escola de pensamento religioso. Há muito tempo penso que é uma vitória de marketing se colocar como “liberal”, seja porque o termo é normalmente associado com aspectos positivos ou seja porque “liberal” não combina com uma teologia onde a autonomia e o indivíduo são desprezados em nome do coletivismo.

A crítica de Machen é bem pensada. Não é superficial e nem repetitiva como em muitos autores fundamentalistas. Penso que há uma necessidade de divulgarmos essa obra para teólogos leigos e seminaristas. Falo isso porque vertentes desse pensamento estão cada vez mais populares nas terras tupiniquins. Ora, quem nunca ouviu clichês como “eu quero seguir uma Pessoa e não uma doutrina”?

Certamente escreverei vários posts sobre os pensamentos de Machen, mas hoje começo com um trecho inicial do livro onde o autor defende brilhantemente a autonomia do indivíduo perante “os burocratas da bondade”. Machen lembra sobre o perigo na falsa propaganda do “bem comum” enquanto o “cara de bem” suprime a liberdade individual.

‎”Todo o desenvolvimento da sociedade moderna tende fortemente para limitação da esfera de liberdade da pessoa como indivíduo. […] A partir do momento em que uma maioria determinou que certo regime é benéfico, esse regime, sem hesitação, será forçado brutalmente sobre os indivíduos. Parece que nunca ocorreu aos legislados modernos que apesar de o ‘bem comum’ ser bom, o bem comum forçado pode ser mau. […] No interesse do bem-estar físico, os grandes princípios da liberdade têm sido lançados aos ares.” [1]


A frase é fantástica porque escrita foi antes do ápice experimental do nazismo(Alemanha) e do fascismo (Itália). O livro é de 1923. Esses regimes expressaram a força totalitária de uma sociedade moderna na implantação de um suposto “bem comum”. A frase acima poderia, também, resumir o espírito da crítica distópica do clássico 1984 de George Orwell, mas que foi escrito somente em 1948.

Portanto, leia, leia e leia J. Greshan Machen… 



Referência:

[1] MACHEN, John Gresham. Cristianismo e Liberalismo. 1 ed. São Paulo: Shedd Publicações, 2012. p 16.

2 comentários em “O “bem comum” forçado é apenas a maldade compartilhada…

  1. Gutierres, fiquei em dúvida no trecho: “'liberal' não combina com uma teologia onde a autonomia e o indivíduo são desprezados em nome do coletivismo”.

    Ora, o liberalismo teológico não enfatiza exatamente a autonomia e independência do teólogo frente à tradição historicamente aceita pela comunidade cristã?

    Forte abraço,

    Rodrigo

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  2. Olá Rodrigo,

    Quero dizer com essa frase que o liberalismo teológico, sendo ancorado no iluminismo francês, vem de uma tradição onde o indivíduo é visto como descartável em nome de soluções coletivistas. Não é à toa que muitos teólogos liberais apoiaram o nazismo, pois viam no sistema totalitário um casamento perfeito com o Estado forte.

    Abraço

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