Livros · Recomendações

Leituras para 2013

Por Gutierres Fernandes Siqueira

“Não há limite para a produção de livros”
[Eclesiastes 12.12]

Caros amigos e leitores do Blog Teologia Pentecostal, eu já quero desejar a todos vocês um feliz 2013. Que o Senhor derrame sobre todos a Sua infinita graça e misericórdia.

Neste post quero falar sobre os melhores lançamentos no mercado editorial e recomendá-los como leitura e consulta de estudos em 2013. Alguns, infelizmente, ainda não consegui terminar a leitura, porém espero fazê-lo o mais breve possível. Nem todos os livros são teológicos, mas todos podem contribuir para o desenvolvimento do pensamento cristão. Eu, sinceramente, espero não ter esquecido algum. E ó lembrando que são livros lançados em 2012.


Cristianismo e Liberalismo (Shedd Publicações). O teólogo John Gresham Machen escreveu esse livro no início do Século XX, mas ele continua atual. O liberalismo teológico não é um movimento criativo, mas cíclico, portanto, a crítica é antiga e nova ao mesmo tempo.  

Deus, a Liberdade e o Mal (Edições Vida Nova). Essa é a primeira obra em português do filósofo protestante Alvin Plantinga. É um livro sobre teodiceia, mas com o toque especial de quem acredita no livre-arbítrio (risos!).

O Problema do Mal no Antigo Testamento: O caso de Habacuque (Editora Hagnos). O autor Luiz Sayão faz um grande e breve passeio pelas principais ideias sobre a teodiceia. Além disso, é um comentário técnico sobre Habacuque.

Faça Alguma Coisa (Editora Mundo Cristão). Leia esse livro do jovem teólogo Kevin DeYoung. Se você é evangélico certamente passou pelo conflito “vontade de Deus” em algum momento de sua vida. É um livro gostoso de ler, pois é sempre possível se identificar com os conflitos relatados por DeYoung. É, também, um pequeno tratado contra o determinismo.

Apagando o Inferno (Editora Mundo Cristão). Se você achou que os insights de Rob Bell foi o máximo da teologia, isso na defesa do universalismo em sua obra “O Amor Vence” (Sextante), então você precisa ler esse livro de Francis Chan, onde cada ponto é desconstruído com muita base.

Léxico Grego do Novo Testamento (CPAD). O léxico de Edward Robinson tem um diferencial em relação a muitos léxicos do mercado, pois é claramente mais detalhista nos verbetes. Escrito ainda no Século XIX a obra traz uma auxílio importante para o estudo do Novo Testamento. 


Novo Manual dos Usos e Costumes dos Tempos Bíblicos (CPAD). O livro de Ralph Gower foi relançado pela editora assembleiana em uma nova edição. Com um tamanho maior é mais fácil apresentar seu conteúdo em aulas de Escola Dominical. É um belo resumão dos costumes presentes nos tempos bíblicos. 

Dicionário Teológico do Novo Testamento (Edições Vida Nova e Edições Loyola). O dicionário editado pelo teólogo Daniel Reid traz estudos sobre a teologia do Novo Testamento.  Não é um dicionário com muitos verbetes, mas apresenta a vantagem de ter um aprofundamento maior em cada assunto citado.

Uma Força Medonha (Edições Martins Fontes). Da trilogia cósmica de C. S. Lewis esse livro é uma espécie de 1984 de George Orwell. Portanto, nada melhor.

Temor e Tremor (Editora Saraiva). O clássico do existencialismo cristão de Soren Kierkegaard foi relançado em uma edição completa e de bolso pela Editora Saraiva. O livro, como vocês sabem, não é fruto propriamente de uma teologia bíblica, mas sim de uma reflexão filosófica, ou seja, é mais filosofia do que comentário bíblico. Certamente é um dos mais importantes livros da teologia contemporânea em uma edição mais acessível.

O Jesus dos Evangelhos. Mito ou Realidade? (Edições Vida Nova). O debate entre William Lane Craig e John Dominic Crossan é uma conversa de nível elevadíssimo sobre a figura do Jesus Histórico e o Jesus dos Evangelhos. Craig representa a ala conservadora e Crossan a ala mais liberal. Um aspecto que Craig levanta, por exemplo, sobre a ressurreição de Jesus era que o fato que tal ideia não cabia na crença judaica e, portanto, dificilmente poderia ser fruto da evolução mística do judaísmo como muitos liberais alegam.

Apologética Contemporânea (Edições Vida Nova). Uma das principais obras de William Lane Craig foi relançada para a defesa racional da fé cristã. Já adianto que não é um livro básico. O debate, como é natural em Craig, parte para aspectos mais técnicos e até para disciplinas das ciências exatas.

Cristo e Cultura: Uma Releitura (Edições Vida Nova). O teólogo D. A. Carson certamente é um dos meus prediletos. O que impressiona em Carson é a sua erudição e capacidade crítica. Mas antes de ler esse livro é necessário voltar para o “Cristo e Cultura” de H. Richard Niebuhr (Editora Paz e Terra). O livro de Carson não é apenas uma releitura, mas também trata sobre aspectos contemporâneos, como a relação Igreja e Estado.

O Deus Presente (Editora Fiel). Esse, certamente, é um dos livros mais básicos do D. A. Carson. Se você nunca leu nada de teologia sistemática comece por esse livro.

A Cruz do Rei (Edições Vida Nova). Se possível, leia tudo de Timothy Keller. O pastor Keller é erudito sem a “síndrome do bacharelismo”. Além disso, sempre trata de assuntos que realmente estão em sintonia com as preocupações contemporâneas. Outro fato marcante em sua obra é a advertência contra a moralização da salvação, e ele volta a esse assunto no referido livro.

Chesterton: Autobiografia (Editora Ecclesiae). Apesar do latente antiprotestantismo de Chesterton e dos editores, a obra é importante como apologética cristã. Além, é claro, divertida. É quase impossível não rir lendo Chesterton.

A Infância de Jesus (Editora Planeta). O último livro da ótima trilogia  “Jesus de Nazaré” escrita pelo teólogo católico Joseph Ratzinger.

O Racismo: A Cruz e o Cristão (Edições Vida Nova). Esse livro é como um testemunho pessoal de John Piper com o racismo. É claro que a experiência de segregação norte-americana não se compara com o racismo “cordial” no Brasil, mas a obra também fala sobre a diversidade ética e sobre a nossa dificuldade para lidar com diferenças.

Vincent: Estudo no Vocabulário Grego do Novo Testamento (CPAD). O texto de Marvin R. Vincent é um comentário exegético e um estudo léxico-gramatical. Outro importante auxílio para estudos mais aprofundados.

—————————————————
Temática secular

Guia Politicamente Incorreto da Filosofia (Editora Leya). A obra do Luiz Felipe Pondé é quase um deboche contra o pensamento politicamente correto que domina a academia, a imprensa, os formadores de opinião e os literatos, além de alguns teólogos. Certamente você vai aprender e se divertir bastante.

Tremendas Trivalidades (Editora Ecclesiae). Obra de G. K. Chesterton com ensaios e crônicas.

Alegoria do Amor: Um Estudo da Tradição Medieval (É Realizações). É raro em português obras do crítico literário C. S. Lewis. Conhecemos mais o Lewis como apologeta cristão e escritor de literatura infanto-juvenil. A obra é um estudo da literatura, principalmente inglesa, na Idade Média.

As Ideias têm Consequências (É Realizações). O clássico de Richard M. Weaver é um tratado contra as ideias totalizantes e, portanto, totalitárias, como as principais utopias do século XIX e XX- socialismo, nazismo, fascismo etc.  Mas nada trata da história das nações, mas sim sobre ideias simples e cotidianas que afetam a relação de justiça na sociedade para utopias opressoras. Ele mesmo define o livro como sobre a “dissolução do Ocidente”.

O Que o Brasil Quer Ser Quando Crescer? (Editora Paralela). Você acha que o Brasil gasta pouco com educação? E se você descobrir que, proporcionalmente, o país gasta mais do que o Japão e a Coreia do Sul – que são exemplos de qualidade. Além de gastar mal, o real problema é a estrutura pedagógica que idealizou o ensino como uma espécie de “escola para o novo homem”. O economista Gustavo Ioschpe mostra essa ferida em nossa educação e, também, porque mais e mais verbas não tirarão o país desse atraso monumental.

O Que o Dinheiro Não Compra (Civilização Brasileira). O famoso professor de direito de Harvard, Michael J. Sandel, fez sucesso com vídeos no YouTube. Eu sei que os meus amigos libertários não vão gostar dessa obra, mas Sandel mostra uma obviedade: o dinheiro não compra tudo. Ele não é contra o livre mercado, mas mostra que há limites morais para as leis de demanda e oferta.

Privatize Já (Editora Leya). O economista Rodrigo Constantino escreve sobre um tabu no Brasil: as privatizações. É uma defesa apaixonada, mas racional sobre a geração de riquezas de um país pelo capital privado. O melhor: é diminuir a influência do poderoso Estado sobre nossas vidas.

As Leis Secretas da Economia: Revisitando Roberto Campos e as Leis do Kafka (Editora Zahar). Um dos livros de economia mais fluídos que li. O autor é o professor Gustavo Franco, ex-diretor do Banco Central e especialista em literatura. Só que o Kafka mencionado não é o mesmo da Metamorfose. Você entenderá melhor o país lendo esse livro.

O País dos Petralhas II (Editora Record). O título não faz justiça ao conteúdo do livro de Reinaldo Azevedo, pois não é meramente implicância com um determinado partido político, mas sim uma obra que revela e desnuda toda uma cosmovisão autoritária presente neste país.

Por que Virei À Direita (Editora Três Estrelas). É outro livro que pode assustar pelo título, mas uma vez que você abre não vai querer parar de ler. A obra é composta de três ensaios sobre o conservadorismo escritos por João Pereira Coutinho (sendo o melhor ensaio, na minha opinião), Luiz Felipe Pondé e Denis Rosenfield.

Belínda 2.0. (Civilização Brasileira). O economista Edmar Bacha, um dos país do Plano Real, mostra o país de contrates e explica porque somos assim.

Feliz 2013 e boa leitura!

4 comentários em “Leituras para 2013

  1. Excelentes recomendações!!!!

    Desses citados pretendo ler a autobiografia do Chesterton bem como o seu livro Tremendas trivialidades. Ele é, sem dúvida, um dos meus autores prediletos.

    Também tenho interesse na leitura do livro do Plantinga. Esse livro foi o responsável por calar a grande maioria dos ateus.

    A paz.

    Curtir

  2. Ótimas dicas. Aos interessados, sugiro os títulos da série “A verdade e o imaginário cristão” (já publicados: “Criação”, “Encarnação” e “Redenção”), de Alister McGrath e “O Sermão do Monte”, de John Wesley. Feliz leitura a todos.

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s