Profecia

Profecias de morte?

João Batista
Pintura de Titian (1542)

Por Gutierres Fernandes Siqueira

No último post  escrevi sobre o exercício da profecia e o seu necessário julgamento [leia aqui]. Um comentarista anônimo contestou o texto afirmando que a Bíblia apresenta “profecias de morte”. Será verdade?

Há vários relatos bíblicos sobre profecias de juízo (e morte). O profeta Micaías (cf. 1 Reis 22) e  o profeta Isaías (Isaías 38) foram usados por Deus para falar sobre a morte de reis. Isso é um fato. Mas vamos aos “poréns”:

a) Quando um assunto está exclusivamente no Antigo Testamento devemos observar o “princípio do continuísmo” entre as duas Alianças. Ora, por que em o Novo Testamento não se usa a profecia como juízo diretivo? Há continuidade nessa forma profética entre as duas Alianças? Vemos claramente que não.

b) A profecia entre o Antigo e o Novo Testamento apresenta semelhanças e diferenças. O Ministério Profético acabou em João Batista, o último profeta da Antiga Aliança (cf. Mateus 11.13). A profecia no Antigo Testamento começava como uma autoridade incontestável. A expressão “assim diz o Senhor” não se repete na profecia do Novo Testamento, pois essa não tem autoridade escriturística, ou seja, não é Palavra de Deus como fala definitiva ou oficial. Ágabo, por exemplo, utiliza a expressão “isto diz o Espírito Santo” em lugar do tradicional “assim diz o Senhor” (cf. Atos 21.11).  A mudança é sutil, quase imperceptível, mas mostra claramente a continuidade e descontinuidade do Ministério Profético entre Antigo e Novo Pacto.

c) É claro para o apóstolo Paulo que a profecia tem um tríplice propósito.Mas quem profetiza o faz para a edificação, encorajamento e consolação dos homens”, escreveu Paulo [1 Coríntios 14.3]. A profecia de morte não obedece nenhum desses propósitos. A edificação comunitária da igreja pelos dons, o grande tema de Coríntios, passa por uma profecia que edifica, encoraja e consola. Como a profecia de morte pode ajudar na edificação comunitária? E esses aspectos falam tanto da mensagem como da forma.

PS: Outro leitor fez uma pergunta sobre a “profecia casamenteira” e o texto de Gênesis 24. No texto bíblico há a história de Isaque e Rebeca, onde o servo de Abraão busca a noiva de seu filho com ajuda divina. Assim, esse texto chancela a “profecia de casamento”? Não, o versículo 58 diz: “Chamaram Rebeca e lhe perguntaram: ‘Você quer ir com este homem?’ ‘Sim, quero’, respondeu ela.” Portanto, a liberdade de Rebeca nunca esteve quebrada pelo determinismo que haveria, por exemplo, em uma profecia de casamento. A profecia nunca pode dirigir, sendo possível somente a confirmação de fatos já encaminhados. Leia mais aqui e aqui.

5 comentários em “Profecias de morte?

  1. “Ele mesmo deu uns para…profetas”. Não é difícil entender que esses são os que têm o dom de profecia, de acordo com o livros de Atos e 1 Coríntios 12 e 14. Não adianta fazermos conjecturas. Fica claro que hoje há profetas, mas não como no A.T. e João Batista. “E houve um grande temor em toda a igreja, e em todos os que ouviram estas coisas”. Esse texto se refere à reação da Igreja logo depois da morte de dois membros influentes na comunidade (Ananias e Safira). Eles usavam de engano e foram desmascarados. Pecados mais graves aconteceram na igreja primitiva, mas não houve morte dos culpados (1 Co 5). Por quê? O Espírito é Soberano no uso do dom profecia e o caráter da mensagem. Sabemos que em 1 Co 14, Paulo revela a bagunça, o uso indiscriminado dos dons (línguas e proficia); Não havia edificação. De acordo com Atos, a profecia TAMBÉM era usada para falar de eventos e situações FORA da comunidade; A profecia de Ágabo sobre a fome nos dias de Claudio é um exemplo.”Eis aí, pois, agora contra ti a mão do Senhor, e ficarás cego, sem ver o sol por algum tempo. E no mesmo instante a escuridão e as trevas caíram sobre ele e, andando à roda, buscava a quem o guiasse pela mão.
    Então o procônsul, vendo o que havia acontecido, creu, maravilhado da doutrina do Senhor”. Os DONS ESPIRITUAIS foram dados para serem usados dentro e FORA da igreja, afim de que Deus seja glorificado. Portanto, há sim profecias de juízo em o N.T. Sobre a questão do julgar profecias e tal, você tem toda razão.

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  2. Caro Tadeu,

    Ananias e Safira foram julgados, mas não mediante uma “profecia de morte”, mas claramente tiveram os pecados expostos pela revelação que poderíamos chamar de “dom da palavra da ciência” [1 Co 12.8].

    Pedro não emite sentença para Ananias, mas ele morre ao ouvir o seu pecado desmascarado. Em nenhum momento Pedro fala: “Isso e isso acontecerá com você”. Ele simplesmente mostra a falsidade de Ananias e Ananias morre.

    Somente para Safira vemos uma alusão a sentença quando Pedro diz: “eles levarão também a ti”. Será uma proclamação de juízo ou uma constatação de mesma consequência ou ainda as duas coisas? Difícil saber.

    Ainda é necessário lembrar do debate que esse texto gera. Será que eram apenas sinais que confirmaram a autoridade apostólica? Vamos lembrar da sombra de Pedro e das ressurreições. Repito: Não seriam sinais de autoridade? Por que o mesmo não continua no decorrer da história da igreja mostrada nas cartas paulinas e universais?

    Veja que apesar das semelhanças, ainda há diferenças significativas entre as profecias de juízo diretivo (morte) no Antigo Testamento. Além disso, temos perguntas para um bom e longo debate.

    Abraço

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  3. Eu particularmente creio sim em profecias de juízo, pois já pude presenciar algumas e com um certo tempo depois a mesma se cumpria. Agora há um diferencial: antes (no tempo do antigo testamento) usava-se uma linguagem mais direta quando Deus falava. Hoje (não sei por qual motivo e nem quero saber, pois isso é mistério de Deus), quando há esses tipos de profecia, usa-se uma linguagem mais leve, tipo: Deus vai lhe guardar, vais fazer uma grande viagem, o livro da chamada está aberto, etc.

    Pedro Paulo Santos, ippd

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  4. Ahhhhh…Me lembrei de algo que queria ter dito, muitos usam as chamadas profecias, para colocar seu desafetos em maus lençois!Outros como Hananias profetizam (profetizam?!?), apenas aquilo que seus ouvintes desejam sorvem com suas audições!

    Concordo plenamente com o irmão. Creio que não são poucos os que desejam receber uma mensagem de “giováh” com a data da minha morte tbm! (risos!)

    A big hug!

    Microscopicamente falando (de novo!) (João 3.30),

    Pr. Walter Filho

    http://blogdowaltim.blogspot.com

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