Lições do Êxodo

Lições no Livro do Êxodo [Parte 1]

Por Gutierres Fernandes Siqueira

Ao estudar este maravilho livro para as aulas da Escola Dominical é possível encontrar inúmeras lições para os nossos dias. Por isso, pretendo escrever algumas postagens sobre a riqueza desse aprendizado. 

Deus age. Eis um dos temas presente no Êxodo. Ele é um Deus milagroso. Agora, isso não significa que Deus se faça um interventor na maior parte do tempo. Na verdade, na maior parte do tempo Ele está, digamos, como um observador e oculto transformador. O deísmo prega que Deus não age, pois o mesmo já não está “nem aí” para com suas criaturas. Os místicos deterministas dizem que tudo é uma ação direta de Deus. Ambos estão errados. Deus, por exemplo, mandou Moisés desafiar faraó a libertar o povo de Israel, mas logo de cara isso acarretou ainda mais opressão para o povo israelita (cf. 4). Em um primeiro momento parece que Deus estava distante, mas o Todo-Poderoso nunca abandona o seu povo, mesmo que a aparência seja de desconsolo. 

Ninguém é tão especial que não possa ser objeto da ira de Deus. Portanto, estejamos vigilantes. O capítulo três do Êxodo é sobre a chamada de Moisés, mas já no capítulo quatro lemos: “Numa hospedaria ao longo do caminho, o Senhor foi ao encontro de Moisés e procurou matá-lo” (v. 24). Por que isso? Porque Moisés não havia circuncidado o filho. Moisés, em um lapso de descuido, não tomou para si a representação da aliança. Esse rito era uma tarefa do pai para estender a aliança divina aos seus descendentes, mas quem “salvou a pele” de Moisés fora Zípora, sua esposa, que cortou o prepúcio do garoto. Zípora, na sua obediência baseada em “apuros”, garantiu o ministério do esposo. Logo, tem uma terceira lição: a esposa do líder chamado por Deus é essencial na sobrevivência desse ministério. 

O culto a Deus não pode acontecer sob a égide cúltica de outros deuses. Por que a fé bíblica é exclusiva? Na cultura pós-moderna, ou melhor dizendo, hipermoderna, a tolerância ganhou uma nova conotação: eu preciso não somente respeitar o pensamento alheio, mas também abraçá-lo como meu. É a nova tolerância. Na antiga tolerância eu não precisava abraçar a ideia do outro, pois bastava respeitar o direito de expressão. Só que a nova tolerância quer ir além. Portanto, ninguém deve ser exclusivo, mas todos devem exercer uma atitude “inclusiva”. 

Bom, isso não é somente hipocrisia na prática como impossível- inclusive – na teoria. A ausência de qualquer “choque de visões” demandaria uma completa renúncia de pressupostos. E, como todos sabem, isso é impraticável. Portanto, ao exigir tolerância do outro, logo o exigente pede que o “intolerante” renuncie suas ideias e abrace a própria tese do demandante. Portanto, a nova tolerância é uma forma de exclusividade do ideal e a homogeneidade do discurso disfarçada em “atitude democrática e respeitável”.  A civilidade do homem contemporâneo não depende de uma tolerância irreal, mas sim de um respeito pela liberdade do outro. 

Essa afirmação já virou até clichê, mas é verdade quando se fala “na intolerância dos tolerantes”. Basta ver que, em ambientes “tolerantes” é visível o exercício da intolerância. Faraó disse “Ide, sacrificai ao vosso Deus nesta terra” (8.25). Bom, qual o mal nisso? Ora, o Egito era o ambiente dos inúmeros deuses. O rio, as rãs, o próprio faraó… todos eram deuses. Assim, Yahweh seria mais um deus entre os deuses. E Yahweh perderia Sua identidade enquanto os deuses dos egípcios manteriam a sua forma e essência. A “tolerância” de faraó expressava a verdadeira renúncia do culto de Israel.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s