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O que não é santidade?

Por Gutierres Fernandes Siqueira

A santidade é um tema simples, mas ao tempo tempo é incrivelmente distorcido na mentalidade evangélica. Infelizmente, a santidade  ainda é vista como parte do esforço humano e não como uma graça advinda do Senhor. A santidade é vista como um muro a ser construído e não como um presente imerecido a ser agradecido. Portanto, popularmente ser santo é exercer boas coisas- evitando um montão de mundanismos- e é transformar o interior a partir do exterior. Além de construir um caráter a partir do próprio eu, ou seja, uma atividade impossível, tresloucada e irrealista. “Vocês, fariseus, limpam o exterior do copo e do prato, mas interiormente estão cheios de ganância e da maldade”(Lucas 11.39), advertiu severamente Cristo em um debate com os fariseus.

Agora, neste texto quero discutir em pontos o que não é santidade. Vejamos:


1. Santidade não é sinceridade irrestrita. Falar sem medir consequências é tolice, não santidade. É estupidez, não virtude. O contrato social muitas vezes demanda silêncio, tolerância e, também, certa ignorância.
2. Santidade não é o uso de um determinado modelo de roupa. Até quando alguns evangélicos vão insistir nesse erro básico? A questão é o pudor, a modéstia, a moderação. Não é o modelo X ou Y. Não é a moda contemporânea ou a moda do século XIX.
3. Santidade não é o exercício do evangeliquês. Não é porque você fala na linguagem da Almeida Corrigida que isso o torno mais puro ou santo. Não é porque você chama alguém de “varão”, “vaso”, “irmão”, “bênção” que isso o torna mais iluminado. Lembre-se, o evangeliquês é apenas linguagem de gueto. É gíria. Sim, apenas isso.
4. Santidade não é cara de “limão azedo”. Não é a gravidade de uma expressão ou a sisudez que nos aproxima do Senhor. Ser sempre grave, sisudo ou sério não é santidade, mas chatice. Ou, como dizem, pode ser falta de um(a) namorado(a).
5. Santidade não é o modo Hillsong de louvor. Eu, particularmente curto a banda australiana Hillsong, mesmo discordado da teologia água com açúcar pregada na igreja de mesmo nome. Agora, alguns acham que cantar de olhos fechados e com as mãos levantadas em uma simulação de transe é santidade. Não, meu amigo, isso é apenas um estilo. Isso mesmo, um estilo.
6. Santidade não é privação da cultura e das atividades sociais. Se você exerce um “puritanismo” anticultural certamente seria daquele grupo que criticou Jesus: “Aí está um comilão e beberrão, amigo de publicanos e pecadores” (Lucas 7.34). Jesus exerce o seu primeiro milagre numa festa. Isso em si já é uma grande mensagem.


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A Série “O que não é santidade?” continua em mais dois artigos.



12 comentários em “O que não é santidade?

  1. Paz do Senhor irmão, faz-se necessário o estudo da santidade, pois o que vemos muito hoje em dia é a troca da doutrina bíblica, baseada no amor de Deus por “doutrinas” baseadas em conhecimento, regras e costumes humanos, gerando com isto, frutos raquiticos. Deus o abençoe.

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  2. A Paz do Senhor amado irmão, sou pentecostal e assembleiano, e tenho tentado levar na minha congregação um esclarecimento sobre diversos temas e o seu blog e o do Pr. Ciro, tem sido uma ferramenta de ajuda.
    Moro em Laranjal do Jari – AP, mas sempre visito seu blog como uma boa referencia pentecostal.
    Parabéns, DEUS em CRISTO lhe abençoe.

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  3. Saudações em Cristo!, parabéns pelo excelente texto, pena que é difícil colocar isso na cabeça de muitos “evangélicos”, nos cultos de doutrina na minha igreja ouço cada coisa, que tem hora que me pergunto “não é possível que estou ouvindo isso”.
    Na nossa igreja ainda reza a velha cartilha “mulher que usa calça e brinco vai para o inferno”, desculpe-me a sinceridade mas ainda ouvimos cada estupidez, tem hora que da vontade de levantar do culto e ir embora pra casa assistir o jornal nacional que a gente ganha mais.

    Abraços no amor de Cristo.
    Pb. João Eduardo Silva – AD Min. Belém – SP.

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  4. Irmão Gutierres, gostaria de lhe fazer uma pergunta com base em seu artigo. Quer dizer que não há participação humana no processo de santificação?

    O ato de vigiar, a meu ver, seria um esforço humano(Lc 21.36), e crescer no conhecimento da Palavra do Senhor e na intimidade com Ele (2 Pd 3.18) também (é o Senhor quem concede essas duas dádivas, mas há empenho nosso em contrapartida, buscando, orando, lendo a Bíblia, etc.).

    A Bíblia também fala que devemos operar a nossa salvação com temor e tremor (Fp 2.12) – a participação humana aqui fica bem claro – e Ezequiel 23.13 diz: “Na imundícia está a infámia, porquanto te purifiquei, e não permaneceste pura; nunca mais serás purificada da tua imundícia, enquanto eu não fizer descansar sobre ti a minha indignação”. Veja em Ezequiel que o Senhor purificou, mas que o alvo desse ato de Deus não permaneceu pura.

    Bem, esse é o meu pensamento sobre o assunto (risos).

    Atenciosamente,

    Gilmar

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  5. Grande Gutierres, tenho uma dúvida completamente off topic. Não conheço muito de teologia mas como Cristão as vezes me pego refletindo sobre certos temas. Tenho descoberto que a teologia judaica é bastante distante da nossa (cristã) em inúmeros temas. Me parece que grande parte do judaísmo não acredita na figura do Diabo. Como você isso em relação a como nós vemos o assunto?

    Eduardo

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  6. Caro Gutierres, você deve receber inúmeras mensagens assim, em função do seu blog, vou repetir o mesmo feito na tentativa de compartilhar um questionamento.

    Na tradição protestante, especialmente a pentoncostal (pra não falar dos extremos neopentenconstais) a cultura judaica se faz muito presente e usamos os trechos do antigo testamento alinhados com a nossa fé, falando de céu, inferno, vitórias, diabo etc…

    Ora, o judaísmo moderno nega inúmeras dessas coisas (mesmo não existindo UM judaísmo, mas, vários). Tendo como base as poucas amostras que tenho (via blogs e conversas pessoais) percebo que os Judeus veem os mesmos textos bíblicos de maneira muito diferente da nossa.

    Como um tradição do antigo testamento pode ser lido de maneira tão distinta? Nós tentemos a enxergar Davi, os profetas e todos os outros personagens como nossos irmãos imbuídos em batalha espiritual semelhante a nossa. Vemos Elias como um servo clamando ao Céu para que o fogo de Deus consumisse a manifestação do mal etc… Ora, os Judeus advogam que se quer existe diabo na teologia judaica. Mais que isso, não existiria nem mesmo a noção de paraíso e inferno que nós usamos.

    Como você vê tudo isso? Como a tradição judaica que para nós (na leitura da Biblia) parece tão próxima de nós quando lemos a Biblia é tão distante quando nos deparamos com Judeus contemporâneos?

    Não parece inquietante que os mesmos textos (no AT) sejam lidos com conotação tão distinta?

    Paz em Cristo e desculpas pelo texto longo

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  7. Caro Eduardo e Anônimo, a paz!

    Toda essa discussão pode ser resumida no fato: os cristãos leem o Antigo Testamento a partir do Novo Testamento. Alguns assuntos, como o próprio inferno e o papel claro dos demônios são mais usuais no Novo Testamento, ainda que a figura do diabo seja bem presente na literatura mosaica. Logo, sempre houve grupos judaicos descrentes de inferno ou mesmo de uma existência satânica. Os saduceus, que tanto perturbaram Jesus, não acreditavam em uma vida além.

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  8. Obrigado Gutierres, o anonimo e eu são a mesma pessoa, acabei postando duas vezes coisas parecidas porque pensei ter havido erro na minha primeira postagem.

    Fica com Deus

    Eduardo

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  9. A paz do Senhor!
    Muito bom e pertinente essa série de artigos, ao meu ver muito do que se julga “santidade” e “doutrina” é na verdade usos e costumes, isto é, o maldito legalismo. O legalismo que anestesia consciẽncias, onde a pessoa tem um mau caráter, é adúltero, trata filhos e cônjuge com violência, é fofoqueiro, acusador, mais diz pra si mesmo:”mais eu me visto da forma padrão, falo dentro do padrão, me comporto da forma padrão DENTRO da igreja, já está bom!” Não defendo a libertinagem que outros chamam de “liberdade”, mais esses erros devem ser erradicados.
    Deus abençoe à todos!!!!!

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