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Assembleiano e calvinista convicto: uma entrevista com Geremias do Couto

Por Gutierres Fernandes Siqueira

Ontem publicamos uma entrevista com o teólogo Silas Daniel, como um arminiano convicto, sobre a ascensão do Calvinismo nas Assembleias de Deus e outros assuntos correlatos [leia aqui] e hoje leremos outro ponto de vista sobre a mesma questão. 

O objetivo dessas entrevistas é fomentar um debate sério, com nível elevado e sem o calor irracional característico em muitas redes pela internet. É certamente um momento novo nas Assembleias de Deus, um tempo de discussão entre posições antagônicas, mas sempre com uma postura de cortesia. O Blog Teologia Pentecostal espera que o mesmo tom de civilidade dos entrevistados se mantenha entre os leitores dessas matérias, independente da posição assumida. O meu desejo, como membro desta denominação, é que os debates dentro dela não sejam sobre mesquinhez e disputas de poder, mas sim sobre assuntos importantes da teologia, tradição e ética. Há inúmeros debates que necessitam entrar em nossa pauta, inclusive a “mecânica da soteriologia”. Não é uma conversa trivial, desnecessária, como muitos numa pseudoespiritualidade tentam passar, mas é essencial para o amadurecimento teológico da denominação. 

Hoje o teólogo Geremias do Couto nos concede uma entrevista sobre o impacto do crescente calvinismo nas Assembleias de Deus e entre pentecostais de maneira geral, normalmente identificados com o Arminianismo. Ele conta a própria experiência como um pentecostal, pastor assembleiano e calvinista convicto. Como será essa relação?

Geremias do Couto em palestra.
 Um dos poucos pastores assembleianos de expressão nacional assumidamente calvinista.
Geremias do Couto é pastor na Assembleia de Deus em Teresópolis (RJ), mestre em teologia pelo conceituado Gordon–Conwell Theological Seminary (GCTS) onde foi aluno do conhecido exegeta assembleiano Gordon Donald Fee, autor do livro “A Transparência da Vida Cristã” e coautor do obra “Teologia Sistemática Pentecostal”, ambos publicados pela CPAD (Casa Publicadora das Assembleias de Deus). Foi um dos editores da famosa Bíblia de Estudo Pentecostal (BEP) do norte-americano Donald Stamps. Couto também presidiu o Projeto Minha Esperança Brasil da Associação Evangelística Billy Graham.

Blog Teologia Pentecostal: Como pastor das Assembleias de Deus, conhecido escritor entre os assembleianos e de uma família de tradição pentecostal, como foi aderir ao Calvinismo? Qual a causa e a circunstância dessa guinada teológica?

Geremias do Couto: Creio que a expressão “aderir” é muito simplificadora, sobretudo para quem constrói a sua história de vida à luz da coerência. Isso foi mais resultado de um processo iniciado ainda na minha adolescência do que uma mudança propriamente dita. Sempre fui questionador e ledor voraz desde quando ainda era criança. Fui da época em que se marcavam os versículos a lápis de cor durante a leitura. Mantenho ainda o mesmo hábito.

Embora se diga que a AD seja tradicionalmente arminiana, pelos muitos de seus escritos em nossos órgãos oficiais, na prática, na rotina dos nossos púlpitos, regra geral, a verdade é que sobrepujava uma tendência para o semipelagianismo, sem que os pastores soubessem até o que isso significa. É só nos lembrarmos dos antigos “cultos de doutrina”, onde o que menos tínhamos era doutrina, mas a insistência na pregação dos usos e costumes, de forma opressora, com o risco de “perder” a salvação, se incorrêssemos na quebra de uma daquelas regras, mesmo que fosse jogar bola de gude ou soltar pipa. Cresci nesse ambiente em que durante o dia me via “perdendo” a salvação várias vezes, com drama de consciência, pois não conseguia cumprir à risca o que era necessário para manter-me salvo. A noite, tentando dormir, sofria com medo de ir para o inferno, se morresse, por causa das falhas cometidas.

A primeira vez em que se ensinou sobre a diferença entre doutrina e costumes em nossa igreja foi através do pastor Antonio Gilberto. Eu tinha por volta de 13 anos. Nos dias seguintes foi só confusão. O ministério foi até reunido, de forma protocolar, para discutir a questão. Para mim, no entanto, tratou-se de um divisor de águas até porque, em conversa particular com o conhecido mestre, enquanto almoçava com ele no restaurante, pude lhe expor um problema que então me atormentava: a masturbação. Ali, com a sua sabedoria, começou a descortinar-se para mim, como numa penumbra, o sentido da verdadeira salvação. Mas se contasse o problema para um dos presbíteros da igreja, seria sumariamente excluído da igreja. Pelo menos era o que eu pensava pela forma como éramos ensinados a viver a vida cristã. Ora, isso nunca foi arminianismo, mas com bastante complacência identifico como semipelagianismo: a salvação obtida pelo esforço humano.

Com o tempo passei a ter contato com as doutrinas da graça, a ler os mesmos livros citados pelo pastor Silas Daniel em sua entrevista, além de alguns outros, a fazer perguntas e mais perguntas, em diálogos imaginários com os autores das respectivas obras, com lógica e método na exposição do raciocínio, sem nunca abandonar a Bíblia, até que abraçar a fé reformada tornou-se algo natural, sem que houvesse necessidade da qualquer ruptura “explosiva”.

TP: Na sua opinião, quais são os motivos que levam inúmeros jovens assembleianos a abraçarem o Calvinismo e a cosmovisão presbiteriana aqui no Brasil?

GC: Algumas razões já apresentei de forma implícita na resposta anterior, como a predominância do semipelagianismo em nossos púlpitos. Esse era o “arminianismo”que nos ensinavam. Mas convém sinalizar que a liderança assembleiana, com as honrosas exceções de praxe, sempre teve uma atitude refratária à educação teológica formal. Temos de ser realistas e encarar o fato sem maquiagem. Não éramos estimulados ao estudo acadêmico. João Kolenda Lemos e Ruth Dorris Lemos pagaram elevado preço para implantar o IBAD – Instituto Bíblico das Assembleias de Deus, a primeira instituição do gênero nas Assembleias de Deus, localizado em Pindamonhangaba, SP. É só folhear as páginas do Mensageiro da Paz do período, que serão encontrados artigos contrários e favoráveis ao ensino formal. Aliás, essa era uma qualidade que precisa ser exaltada. O Órgão Oficial assembleiano abrigava esse debate. Hoje, infelizmente, isso não mais acontece.

Outra questão a ser considerada é que a literatura pentecostal assembleiana, no Brasil, também era parca. Tínhamos poucos livros, a maioria de natureza devocional, mas praticamente nenhum de caráter acadêmico. Na verdade, uma de nossas maiores igrejas não adotava sequer a revista da Escola Dominical. A primeira obra sistemática de que me lembro, traduzida do inglês, foi “As Grandes Doutrinas da Bíblia”, de Myer Pearlman, que se tornou o livro de cabeceira dos pastores assembleianos. Já aqueles que conheciam o idioma de Shakespeare eram privilegiados e se tornavam a nossa fonte de conhecimento, visto que não tínhamos acesso a essas fontes primárias. Mas como os tempos mudam, houve também mudanças positivas, com a chegada dos seminários, faculdades teológicas, a publicação abundante de livros, as redes virtuais etc. Até mesmo a CPAD tornou-se a maior editora da América Latina, publicando também diversas obras de autores reformados, sem que eu tivesse qualquer influência nisso durante a minha gestão como Diretor de Publicações. Elas começaram a ser publicadas em fase posterior.

No vácuo que acabei de mencionar, de um lado, e a explosão das fronteiras da educação teológica formal, de outro, além da inexistência de obras em português tratando do arminianismo de forma consistente, nossos jovens começaram a ter contato com a literatura e a teologia reformadas, até mesmo através de professores de origem reformada em cátedras de nossos seminários e faculdades, criando assim todas as condições para o surgimento desse interesse. Não acredito que tenha sido algo orquestrado e desconheço que haja pessoas fazendo proselitismo, querendo “calvinizar” as Assembleias de Deus. Isso é forçar a barra. Mas aonde chego, encontro jovens e pessoas já maduras na idade, com boa formação, que acreditam na doutrina reformada, sem qualquer vestígio de proselitismo, e não criam nenhum problema nas igrejas onde professam a fé. Não acho que isso tenha sido um mal. Ao contrário, isso trouxe o nosso meio de forma mais efetiva o “espírito bereano” de cotejar a Escritura em busca de seu respaldo (ou não) para o que está sendo ensinado. Vejo também de modo muito positivo a aproximação entre a fé reformada e a fé pentecostal, partilhando a mesma trincheira em defesa das verdades do Evangelho.

TP: É visível uma reação arminiana entre os pentecostais. Ainda pequena, é bem verdade, mas com um potencial fantástico. Todavia, seria uma reação tardia?

GC: A rigor, a reação arminiana entre os pentecostais é tímida, na defensiva, a não em discussões de grupos no Facebook, onde mais predomina a carnalidade do que um debate sério e consistente entre as duas correntes. O próprio pastor Silas Daniel, na entrevista concedida ao blog, afirmou que sua manifestação era particular, embora contasse com a aprovação da direção superior da CPAD por tratar-se de uma revista institucional destinada aos obreiros da igreja. Mas é bom que essa reação aconteça e posso analisá-la sob duas perspectivas:

  1. Se o arminianismo for ensinado tal como Armínio o formulou ou com as características wesleyanas, isso permitirá que muitos pentecostais percebam o quão diferente é do semipelagianismo que ainda predomina em muitos púlpitos assembleianos. Quem fez essa excelente observação foi o irmão Clóvis Gonçalves, a quem considero o melhor expoente da fé reformada no meio pentecostal. Ao descobrir isso, verão também que o calvinismo não é o tal “monstro” que alguns tentam criar em suas cabeças.
  2. A outra perspectiva é que se o intuito for cercear a liberdade cristã ou promover uma “caça às bruxas”, a reação já nasce com espírito carnal e de forma tardia, pois as Assembleias de Deus, atualmente, enfrentam sérios problemas institucionais, de gravíssima monta, diga-se de passagem, além de estarem extremamente fragmentadas, que lançar um debate com esse propósito acabará por dilacerar o pouco de unidade que resta. Goste-se ou não, o número de reformados, hoje, é muito grande no meio assembleiano. Isto sem qualquer proselitismo.

TP: Alguns pastores assembleianos reagem ao Calvinismo tratando-o como “vento de doutrina”, “novidade perniciosa”, “heresia” e  outros adjetivos não amigáveis. Como você responde aos seus colegas de ministério?

GC: Radicais há de ambos os lados. Sob o guarda-chuva do calvinismo abrigam-se diferentes tendências. O mesmo pode-se dizer do arminianismo. Até o Teísmo Aberto encontra guarida sob o sistema, como deixa explícito Roger Olson em seu livro: Teologia Arminiana – Mitos e Realidades, e teve como um de seus principais expoentes Clark Pinnock, um dos autores da obra: “Predestinação e Livre-Arbítrio”, ao lado de Norman Geisler. Mas neste ponto, prefiro ficar com a posição que o pastor Silas Daniel expressou em sua entrevista, ao afirmar que o calvinismo honra a Deus tanto quanto o arminanismo – ele enumera as razões – e que em suas leituras de obras reformadas sempre apreciou a “paixão por Deus, pela pureza, pela santidade de Deus, pelo viver para a glória de Deus” de seus autores.

Só me soa contraditório, depois dessa afirmação extremamente conciliadora, propor que os calvinistas pentecostais deixem a Assembleia de Deus e busquem outra denominação, onde a fé reformada seja o cerne da doutrina. Aí acabou por jogar fora a água da bacia com o bebê e tudo. De minha parte, sempre cri que reformados e arminianos podem dar-se as mãos como cristãos, sem contradição alguma, sem ataques e agressões mútuas, que nada engrandecem a Deus e edificam o Reino. A título de ilustração, ontem mesmo vi no Facebook um arminiano chamando a fé reformada de demoníaca, enquanto um calvinista usava o mesmo epíteto para o Arminianismo. Há necessidade disso? É cristão agir dessa forma? Se ambas honram a Deus – repito – por que se digladiar tanto ao invés de lutarmos em defesa do evangelho. Fico com um pé atrás se essa reação “particular” não estaria sendo movida por segundas intenções, uma espécie de cortina de fumaça para encobrir graves problemas que a instituição assembleiana enfrenta.

TP: Como calvinista convicto você sempre mantém uma postura conciliatória.  Sendo assim, qual ponto positivo você poderia apontar no Arminianismo?

GC: Se estamos falando de arminianismo clássico ou wesleyano, encontro os mesmos pontos positivos que o pastor Silas Daniel encontrou na fé reformada. Mas em se tratando da “mecânica da salvação, prefiro ficar com a essência do aforismo peculiar ao veterano pastor José Isaías Neto, vinculado ao Ministério do Belenzinho, em Sorocaba, SP, que do alto dos seus 80 anos, grande parte deles vivido ao lado de Cícero Canuto de Lima, assim afirma: “Não sou calvinista , nem preciso de Calvino para ir ao céu, mas em questão da salvação Calvino estava 100 % certo”.

TP: E a Assembleia de Deus é tradicionalmente arminiana, embora lhe falte a formalização de uma confessionalidade. É possível ser calvinista e assembleiano? Não seria uma distorção de identidade?

GC: Já expressei o meu ponto de vista sobre a questão logo na primeira pergunta. Embora tradicionalmente arminiana, o que sempre predominou nos púlpitos da AD, regra geral, foi o semipelagianismo. Dito isto, vamos a algumas indagações: todos os arminianos são pentecostais? São todos cessacionistas? Ora, assim como há arminianos cessacionistas e arminianos pentecostais, não vejo dificuldade alguma em que haja calvinistas pentecostais, assim como há calvinistas cessacionistas. Em relação à identidade assembleiana, cabe refletir: qual? A do reteté, com suas expressões cultuais estranhas ao genuíno pentecostalismo, como descrito em 1 Coríntios 12, 13 e 14? A do neopentecostalismo, que grassa em nosso meio a olhos vistos, com a introdução de ritos judaicos na liturgia? A do liberalismo, que já encontra eco em diversas cátedras de alguns dos nossos seminários? A do engessamento institucional e político-religioso, que tem devastado a unidade da igreja em nosso país? Ora, se o calvinismo honra a Deus, como bem expressou o pastor Silas Daniel, não vejo porque a presença de reformados na Assembleia de Deus, que não vivem por aí a fazer proselitismo, possa ferir a identidade da denominação.

127 comentários em “Assembleiano e calvinista convicto: uma entrevista com Geremias do Couto

  1. Como disse Champlin: Segundo Champlin, tanto o calvinismo quanto o arminianismo, bem como todas as outras denominações cristãs, são sistemas fechados, que manipulam textos de prova selecionados, não levando em conta trechos bíblicos que não se harmonizam com o seu sistema doutrinário (Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia, 6ª ed.- 2002, 1º Vol. p. 604). Isto acontece, segundo Champlin, “porque o Novo Testamento não é tão homogêneo como certos estudiosos gostariam de fazer-nos crer” (Idem).

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  2. Heraldo Bezerra de Almeida

    Eu creio que a salvação se manifesta mediante a pregação do Evangelho,o qual infunde fé e transmite vida espiritual vivificante, pois é o poder de Deus; nesse sentido, creio, que Deus quer que todo o homem se salve e venha ao conhecimento da Verdade, independentemente de classe, posição social ou cultural.Por isso, não sou calvinista, nem arminiano e nem pelagiano, isto é; não creio em predestinação, nem em eleição para a salvação ou para a condenação, nem na eleição condicional baseada na fé ou na incredulidade prevista, ou que o homem tenha a capacidade de ser salvo sem o auxílio da Graça de Deus. ( Rom. 1.16; 10.17; I Tim.2. 1-6 )

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  3. Graça e Paz Irmão “Veredarius”,

    Afim de esclarecer alguns pontos sobre suas convicções expressas em sua mensagem, gostaria que o Irmão considerasse responder as seguintes questões:
    a)O irmão Crê que Deus é Soberano sobre tudo e sobre todas as coisas?
    b) O Irmão crê que a Bíblia (em seus originais) constituem a Palavra de Deus?
    b) O Irmão crê que a Bíblia (em seus originais) é inerrante e suficiente?
    Caso as respostas a estas questões sejam positivas, peço ainda a consideração do Irmão em responder mais uma questão:
    a) Como o Irmão harmoniza sua crença expressa em sua mensagem com as seguintes passagens das Escrituras?
    Ex 33:19; Dt 7:6-7, 10:14-15; 1 Rs 8:53; Sl 33:12, 65-4, 78:67-70; Pv 16:4; Is 41:8-9; Mt 11:27; 22:14, 24:22 e 31; Mc 4:11-12; Jo 8:46-47, 13:18, 15:16 e 19, 17:2-24; At 13:48; Rm 8:29-30, 9:11-24, 11:4-36; Ef. 1:4-12; Fp 2:13; 1 Ts 1:4-5, 5:9; 2 Ts. 2:13; 2 Tm 1:9, 2:10; Tt 1:1-2; 1 Pe 1:1-2, 2:7-10; 2 Pe 1:5-11; Jd 4; Ap 13:8, 17:4.

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  4. Graça e Paz Irmão Erick,

    Suponho que o Irmão, ao mencionar meu nome em uma de suas postagens, o faz referindo-se a algumas indagações que fiz em minha anteriomente.
    Caso seja assim, permita-me considerar que:
    a) não faço defesa apaixonada de nenhum sistema teológico nem bandeira denominacional;
    b) procuro pautar-me pelo estudo da Palavra de Deus orando para que o Espírito Santo ilumine minha mente e quebrante meu coração para receber com júbilo as Verdades das escrituras sempre me submetendo inteiramente a Elas, não importando se, a priori, goste ou não do que Elas me dizem;
    c) quando não compreendo integralmente algo na Palavra de Deus, entendo que Ela é perfeita e que o limitado e incapaz sou eu;
    d) vejo que muito mais importante é o que nos une como Irmãos em Cristo do que algumas divergências denominacionais, hermenêuticas e eclesiológicas;
    e) entendo, contudo, que o objetivo do Gutierres, com a criação desse fórum de debates é muito mais que expressarmos posições pessoais, é podermos analisar os pontos teológicos defendidos pelas correntes Arminiana e Calvinista, à luz das Escrituas e podermos crescer na Graça e no conhecimento de Nosso Senhor Jesus Cristo;
    f) Isso somente poderá ocorrer, primeiro se nos desarmarmos de nossas convicções apriorísticas e estivermos dispostos a “ouvir” os Irmãos, analisarmos os argumentos de ambas as partes confrontando-as com Todo O Conselho de Deus e se pudermos partir de pressupostos mínimos, sem os quais não adiantará nada debatermos, pois não passará de um “bate bocas” sem crescimento espiritual, que mais distanciará Irmãos em Cristo;
    É com esse espírito aberto que pretendo estabelecer com os Irmãos esse diálogo, buscando ouvir e aprender.
    Dito isso, peço que o Irmão contribua para o debate, e caso seja da vontade do Irmão, apresente argumentação Bíblica para explicar o que pedi na minha postagem anterior dirigida ao Irmão “Veredarius”.
    Peço isto porque, caso eu esteja equivocado, não vi na sua manifestação fundamentação Bíblica para suas afirmações.

    Em Cristo,

    Paulo Lásaro

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  5. Heraldo Bezerra de Almeida

    Graça e Paz, caro irmão Paulo Lásaro de Carvalho Filho.

    1) Deus é absolutamente soberano sobre tudo e todos. No tempo, no espaço, e na eternidade.

    2) Sim,a Bíblia na sua essência é a Palavra de Deus, não contém erros de qualquer natureza, graças a sua plena inspiração, sob a supervisão do Espírito Santo.

    3) Eu creio que a Bíblia nos seus originais é: Autoritativa, Inspirada, Inerrante e Suficiente.

    Continua no item 4..

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  6. Heraldo Bezerra de Almeida

    Graça e Paz, caro irmão Paulo Lásaro de Carvalho Filho.

    Continuação:

    4) Quanto ao problema interpretativo da Soteriologia, que até hoje é discutido por todos os teólogos, dos quais muitos são catedráticos e de grande cultura e conhecimento técnico, sobre esse difícil tema, sem que, com todos esses predicados cheguem a um consenso único, haja visto as principais escolas calvinistas, arminianas e pelagianas. Por isso mesmo , eu decidi crer naquilo que a Bíblia diz claramente e diretamente sobre o assunto da salvação, sem me ater a tudo o que a mesma Bíblia diz e que aparentemente seja diferente daquilo que eu aceitei conscientemente por escolha deliberada, ou seja,aquilo que eu entendi ser a revelação de Deus, sobre o assunto.
    Quanto as dificuldades teológicas que não consigo explicar, nem entender; deixo para os teólogos que tem-em mais capacidades para isso e também entrego nas mãos de Deus, que pode trazer mais luz e entendimento sobre isso. Por hora eu fico com o conselho do apóstolo Pedro: “Falando disto,como em todas as suas epístolas, entre as quais a pontos difíceis de entender, que os indoutos e inconstantes torcem, e igualmente as outras Escrituras para a sua própria perdição.” II Pedro 3. 16.
    Posto isso, posso explicar no que realmente creio sobre este assunto:

    A) Eu creio integralmente no que está escrito em I Timóteo 2. 3-4: “Porque isto é bom e agradável diante de Deus, nosso Salvador. Que quer que todos homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade”
    Então: DEUS QUER QUE TODOS OS HOMENS SE SALVEM, E VENHAM AO CONHECIMENTO DA VERDADE; eu decidi crer nisso que aqui está escrito e aceitar como a plena verdade sobre o que realmente Deus pensa sobre esse assunto. Portanto se, Deus quer que todos os homens se salvem, como eu poderia acusá-lo de proceder contrariamente a isso, dizendo que Ele escolhe alguém para a salvação e a outro não? Deixando-o entregue a sua própria sorte? Esta forma de procedimento não se coaduna com o Deus Verdadeiro.

    Continua…

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  7. Heraldo Bezerra de Almeida

    Continuação ao Irmão Paulo Lásaro,

    B) Poderia então objetar: Porque duas pessoas ouvem o mesmo Evangelho e uma aceita e a outra não? Não seria porque aquela que aceitou, teria sido escolhida previamente por Deus, que lhe proporcionou uma capacitação especial, a fim de que fosse sensibilizada pela Sua Graça Salvadora e a outra não?
    Porque sendo as duas pecadoras, não teriam nenhuma possibilidade de ouvir e crer no Evangelho, pois estão mortas em seus delitos e pecados. Então a que é porque houve uma interferência da parte de Deus sobre ela, por causa de ser a mesma predestinada para a salvação, enquanto que a outra não.
    O que eu entendo sobre isso é que: “Todos os homens estão mortos em delitos e pecados.” Efésios 2.1 (parte b)Nesse verso nós podemos ver que todos os homens estão na mesma situação, além disso: “Deus encerrou a todos debaixo da desobediência para com todos usar de misericórdia” Romanos 11.32, e mais ainda:”Todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” Romanos 3.23.Por estes versos Deus nos revela que todos os homens estão: Mortos nos seus pecados, encerrados sob a desobediência e destituídos da glória de Deus, sem excessão. Por isso não podem ouvir a Deus, nem buscá-lo e mesmo aceitá-lo, sem que haja uma capacitação da parte do próprio Deus.

    C) Então como se dá esta capacitação?

    Através da pregação do Evangelho: “Porque não me envergonho do Evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê.” Romanos 1. 16, então quando dois pecadores, mortos em delitos e pecados ouvem o Evangelho de Cristo, este Evangelho tem poder para infundir fé naqueles mortos , instantaneamente e capacitá-los para a salvação.
    Então porque um aceita e outro não? Se os dois receberam a mesma capacitação de Deus? Jesus Cristo disse algo muito interessante sobre isso: “E a condenação é esta, que a Luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas que a Luz, porque as suas obras eram más.” João 3.19.
    Então quando dois pecadores veem a Luz de Deus, através do Evangelho de Cristo; um deles ama mais as trevas e escolhe deliberadamente ficar nelas, porque não quer a Luz, pois o amor que está no seu coração é que determina a sua escolha, enquanto o outro com menos amor pelo mundo, que o primeiro, aceita a Luz que contempla. Então a salvação tem a ver com a escolha do indivíduo, impulsionado pelo amor que está no seu coração. Agora eu não posso explicar o porque um ama tanto o mundo, a ponto de rejeitar a Luz de Deus, e outro a aceita. Esse mistério só Deus pode saber, porém ninguém pode acusar a Deus de ser o responsável por isso, pois seria uma leviandade sem limites.
    No meu caso particular, eu considero tanto os calvinistas, como os arminianos e até os pelagianos, dignos de todo o respeito, ainda que não me alinhe com nenhum deles, mas eu penso que todos eles tem partes da verdade em suas teorias, mas não toda a verdade, e é por isso que há tanta disputa nesse campo. De formas que eu decidi em que devo crer e não me preocupo com nada disso.

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  8. Com práticas que contrariam frontalmente ás Escrituras, acredito que alguns assembleianos só podem se considerar calvinistas, mesmo confessando o contrário, visto que parece terem perdido o temor de que a salvação é condicional, e pintam e bordam. Só pode ser.

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  9. Discordo veementemente do pastor Silas Daniel. Nem a Assembléia de Deus e nem a Igreja de Deus, da qual sou pastor, igrejas estas as mais tradicionais e antigas pentecostais do mundo, tem em seu arcabouço teológico qualquer definicao soteriológica que as façam arminianas ou calvinistas. Ambas não se definem documentalmente por nenhum dos lados. Sendo assim, convidar os calvinistas assembleianos a saírem das suas igrejas não se sustenta pela ética nem tampouco pela logica documental e doutrinária. Sou pastor na Igreja de Deus, uma denominação pentecostal clássica e em nosso meio e em nossos institutos teológicos temos abertura para os arminianos e calvinistas e isso nunca trouxe divisão em nossa igreja e muito menos esfriamento.

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  10. Semi-Pelagianismo e Semi-Agostinianismo:
    Uma resposta aos assembleianos calvinistas

    É incrível como ainda temos teólogos insistindo na possibilidade de combinar o calvinismo com o pentecostalismo, porque o que se deve propor é uma análise da teologia do Espírito Santo, em Calvino, pois no que diz respeito à teologia da salvação, fica complicado tal afirmação, considerando que, diferentemente do calvinismo o pentecostalismo possui uma doutrina de caráter teológico-social, que é a doutrina da salvação. Por conseguinte, já a doutrina da salvação, via de regra, no pentecostalismo, especialmente na Assembleia de Deus, a ideia de uma dupla responsabilidade: Deus e o homem. Sendo assim, a fé a resposta do homem a graça de Deus. A graça de Deus salva aquele que tem fé.
    Após a morte de Agostinho, uma forma mais moderada do pelagianismo persistiu que alegava que a fé do homem era um ato de livre-arbítrio não assistido pela graça prévia interna. O Segundo Concílio de Orange (529) foi convocado para resolver se esta forma moderada de semi-pelagianismo poderia ser afirmada, ou se as doutrinas de Agostinho seriam afirmadas.
    A determinação do Concílio pode ser considerada “semi-agostiniana”. Definiu-se que a fé, apesar de um ato livre, resultava em seu início da graça de Deus, que ilumina a mente humana lhe permitindo que creia. No entanto, o Concílio também negou a predestinação estrita, afirmando: “Não só não cremos que qualquer pessoa seja preordenada para o mal pelo poder de Deus, mas também pronunciamos em absoluto repúdio que, se há aqueles que querem crer numa coisa tão má, que eles sejam anátema.”
    Os reformadores calvinistas usaram os cânones do Concílio para demonstrar que suas formulações do pecado original e depravação já haviam sido ensinadas há muito tempo na igreja. Os teólogos arminianos também se referem ao Concílio de Orange como um documento histórico que afirma fortemente depravação do homem e a graça preveniente de Deus, mas não apresenta a graça irresistível e nem adere a uma visão estritamente agostiniana da predestinação.
    Na Assembleia de Deus no Brasil o grande problema que a liderança enfrenta é no campo da formação teológica dos seus obreiros, pois muito mais interessante é a teologia luterana, onde podemos discutir questões metafisicas sobre a natureza de Deus em relação ao problema do mal , bem como a doutrina da salvação, para não dizer também, de questões pneumatológicias. A teologia da cruz é um tema que merece atenção da Assembleia de Deus. Portanto, quando se diz que é possível ser um assembleiano calvinista, deve-se pergunta: quais são as implicações calvinistas dos cinco pontos assembleianos? Por exemplo: Jesus Salva, Jesus Cura, Jesus Batiza no Espírito Santo e Jesus breve voltará. Na questão: Jesus salva, podemos perguntar aos supostos assembleianos calvinistas: O que é a salvação? Se Deus é o Salvador Absoluto como fica a responsabilidade do homem? É possível viver em santificação cristã sem ter que responsabilizar-se por ela? Se a graça é irresistível, porque é necessário confessar, ter fé, orar, santificar-se, andar em temor e tremor diante de Deus ou, simplesmente, crer?
    Por fim, uma das causas da deficiência da pobreza de conteúdo da teologia assembleiana, com certeza, é o resultado de uma denominação que não soube ensinar que a fé pode ser tanto sentida quando pensada.

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  11. A mesma fé que salva é a mesma que santifica. Salvação, que inclui justificação, regeneração e santificação são obras da graça, obtidas por meio da fé. Essa é a resposta à sua duvida se um pentecostal oriundo do mivimento de santidade pode ser calvinista.

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  12. Eu cortava os cabelos com um irmão que tornou-se calvinista, e sempre que ia ao seu salão, ele me falava sobre a doutrina calvinista, certo dia olhei para ele pelo espelho e disse;estou com saudade dos tempos em que falavamos de Cristo, ele parou por um tempo e eu continuei a dizer-lhe, sabe do que mais, eu sou calvinista, ele olhou espantado e então completei; creio que sou pré-destinado a ser Armeniano, ele sorriu e dissse-me, não tem jeito, vai na paz.

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  13. Nunca vi tanta besteira escrita em um mesmo lugar sobre o calvinismo. Percebo que alguns aqui não sabem se quer do que se trata. É uma pena. Nós, pentecostais, ganhariamos muito com uma discussão de melhor nivel e com a aceitação, se não plena, mas abrangente do monergismo (prefiro usar este termo ao calvinismo).

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  14. Olá! Sou batista e calvinista… Tenho irmão na mesma igreja e somos respeitosos uns com os outros, sabendo que o calvinismo nem o arminianismo salvará ninguém, apenas Jesus Cristo!

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