Bancada Evangélica · Cultura

As campanhas de boicote revelam uma igreja evangélica infantil

Por Gutierres Fernandes Siqueira

(Este texto foi publicado originalmente no site Gospel Prime)

Li hoje que o pastor e deputado Marco Feliciano (PSC-SP) propõe um boicote à Natura, empresa de cosméticos, e, como vocês sabem, isso se deve ao patrocínio da empresa ao folhetim “Babilônia”.  Essa ação visa, mais uma vez, protestar contra a promoção da homossexualidade na novela global. Essa ação é temerária. Vejamos os motivos:

Os crentes andam tão noveleiros que as igrejas precisam aderir aos boicotes? Ora, um crente realmente saudável precisa ser alertado para as porcarias das novelas brasileiras? Diferente de muitos filmes e séries que retratam o pior do ser humano para alimentar um roteiro rico, as novelas nacionais visam certa militância. A militância nunca funciona como boa arte, pois é apenas uma espécie de proselitismo secularista. Todavia repito: numa igreja saudável e madura não haveria a necessidade dessas campanhas de boicote. Ora, se existe boicote isso só mostra uma igreja evangélica infantil, incapaz de discernir entre a mão direita e a mão esquerda e, também, onde os crentes precisam ser conduzidos como crianças.

Marco Feliciano e outros deputados não deveriam promover boicotes. Os parlamentares são figuras públicas eleitas para o bem comum da sociedade. Ao promover essas campanhas os deputados alimentam o medo de alguns na sociedade sobre a mistura no papel de líderes religiosos e políticos eleitos para crentes e não-crentes. Os parlamentares evangélicos não foram eleitos como a polícia moral da sociedade. Se essas campanhas nas igrejas já transparecem a falência do consumo evangélico de arte, agora imagine o que isso não representa dos próprios parlamentares. Ou daqui a pouco esses vão promover algum tipo de “regulação da mídia”? Ora, esse seria o pior dos mundos, muito pior do que um beijo lésbico. A nossa melhor maneira de evitar aquilo que não gostamos na TV não é mandando na programação pela força coercitiva do Estado, mas apenas usando um instrumento simples: o controle remoto.

Combate-se cultura ruim com boa cultura. E não com censura, campanhas e outros tipos de histerias coletivistas. Por que não estamos envolvidos na produção de boa arte? Arte capaz de ser simplesmente arte e, assim, indiretamente influenciar positivamente a sociedade? Hoje um dos maiores cineastas do cinema independente é o norte-americano Terrence Frederick Malick. Ele é cristão, escreve roteiros segundo uma ótica cristã, mas a sua arte é bem feita e não transparece proselitismo. Ainda que a mensagem seja sutil, porém é clara e igualmente bela. Ora, precisamos de mais Malicks, ou seja, pessoas capazes de produzir arte sem militância, mas ao mesmo tempo representando uma boa cosmovisão cristã.

E para encerrar sempre precisamos recordar as palavras de Jesus: “sede prudentes como as serpentes e inofensivos como as pombas”. [Mateus 10.16].

2 comentários em “As campanhas de boicote revelam uma igreja evangélica infantil

  1. Não posso deixar de concordar com cada linha. Além disso, admiro muito o Malick e é bom ver ele ser mencionado na blogosfera nacional, o que anteriormente eu nunca tinha visto.

    Deus continue lhe abençoando, e que os cabeça-oca de nossa bancada acordem pra burrada que estão fazendo.

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  2. Há tempos que o Sr. Marco Feliciano usa questões supérfluas de nossa sociedade para se auto promover como o defensor da fé cristã. Encontrou abrigo em igrejas(denominações) despreparadas em seu propósito, se tornou numa mistura perigosa entre ignorância e fundamentalismo, não vejo com bons olhos a atual situação do cristianismo brasileiro.

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