Devocional

A beleza de Cristo

O Sepultamento de Cristo,
Caravaggio, 1604. 

Por Gutierres Fernandes Siqueira

Cristo é a própria expressão da beleza. Em um dos salmos messiânicos está escrito: “Tu és mais formoso do que os filhos dos homens” (45.2). Em João 10.11 lemos Ele mesmo declarando: “Eu sou o bom pastor” (ἐγώ εἰμι ὁ ποιμὴν ὁ καλός), sendo que a palavra grega καλός (kalos) significa “belo”, “formidável”, “digno”e “bom”. Porém, diante da morte vicária Jesus ficou irreconhecível: “Ele não tinha qualquer beleza ou majestade que nos atraísse, nada em sua aparência para que o desejássemos. Foi desprezado e rejeitado pelos homens, um homem de tristeza e familiarizado com o sofrimento. Como alguém de quem os homens escondem o rosto, foi desprezado, e nós não o tínhamos em estima”, escreveu o profeta Isaías sete séculos antes do evento pascal (53.2b,3). O nosso pecado roubou-lhe por algum momento a Sua própria beleza.
A beleza tem um significado especial para o cristão. Ela nos remete ao próprio Deus. Não é mero estímulo ou espetáculo. Não está escravizado pelo prazer sensorial, portanto, não é nem efêmero nem egocêntrico. A beleza na vida nos joga para a glória formidável do Senhor. Cada beleza que vemos no nosso dia a dia nos lembra sobre o único Ser que é esplêndido, perfeito, simétrico, puro e especial. Ou você nunca teve a experiência de se sentir no céu ao ouvir uma bela canção? Ou mesmo ver anjos ao olhar um bebê sorrindo? “Os céus declaram a glória de Deus; o firmamento proclama a obra das suas mãos”, como canta o Salmo 19.1.

Enquanto isso, infelizmente, o pecado enfeia o mundo. O pecado é expresso em trevas, sujeira, borrões, assimetrias, indignidade. É errar o alvo. É distorção. Não é à toa que sem a graça de Cristo o mundo celebra a própria miséria e a toma como referência. Até nossas cidades, sem a graça comum, ficam cheias de misérias, pichações, poluições, sons ensurdecedores, vícios e violência. A política tradicional transforma-se em um espetáculo de indelicadeza, baixaria e corrupção e os protestos, a politica das ruas, convertem-se numa escatologia (no sentido ruim da palavra). A arte passa a celebrar o estrume de um animal e a música vira mero barulho- como as batidas do funk – que mais lembra o som irritante de uma britadeira. O mundo sem a graça é a própria celebração da indignidade. “Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos, e trocaram a glória do Deus imortal por imagens feitas segundo a semelhança do homem mortal, bem como de pássaros, quadrúpedes e répteis” (Romanos 1.22,23).

Já em Cristo o homem não só discerne o bem do mal, mas também o belo do feio. Nos diz um antigo hino:

Que a beleza de Cristo se veja em mim
Toda sua admirável pureza e amor
Ó Tu, Chama Divina
Todo meu ser refina
Té que a beleza de Cristo se veja em mim

Isso mesmo. A beleza de Cristo nos traz dignidade, restauração e ordem na liberdade. Cristo é aquele que não deixa a nossa miséria nos devorar. 

3 comentários em “A beleza de Cristo

  1. Hoje eu não vim aqui para discordar! O post está lindo. A tua sensibilidade é perceptível ao descrever a beleza de Jesus. Em Cantares, o sábio Salomão ricamente nos diz: ”Como você é belo, meu amado! Ah, como é encantador! (…) Sua aparência é como o Líbano; ele é elegante como os cedros. Sua boca é a própria doçura; ele é mui desejável.”.

    Gutierres, é inspirador ver Deus instruindo um jovem como tu com palavras de amor para alcançar almas. Não tem como não notar a beleza de Cristo em ti… Desde o meu primeiro contato com o blog, se fez notório algo diferente, instigante… Que Ele possa refinar a tua vida!

    Paz e Bem!

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