Jesus Cristo

A cristologia estranha do Granconato e um chamado à humildade!

Por Victor Leonardo Barbosa

As redes sociais e os teólogos facebookianosestiveram à flor da pele nesta semana com a divulgação do trecho de uma pregação do famoso e polêmico professor Marcos Granconato, onde este, baseando-se em textos como Mateus 24 e Atos 1, afirma que dentro do relacionamento intratrinitariano (ou como tecnicamente é conhecido em teologia, dentro da Trindade Imanente) há uma submissão (ou até mesmo uma certa inferioridade) no que tange as pessoas do Filho e do Espírito Santo ao Pai.  No caso em questão, Jesus não possui plena onisciência junto com o Pai, ou melhor, não é plenamente onisciente acerca da mente e dos pensamentos do Pai, apenas no que tange à mente dos homens e dos anjos e dos acontecimentos terrenos.
Não é à toa que a polêmica se alastrou grandemente. É preciso primeiramente analisar a proposição do príncipe dos cessacionistas e antipentecostais brasileiros para depois tecer alguns comentários.

1.      O debate recente sobre a “Submissão Eterna do Filho”
Atualmente o meio reformado vem debatendo acerca dos posicionamentos de alguns de seus mais prestigiados teólogos, como Bruce Ware e Wayne Grudem, que defendem que, no relacionamento entre as três pessoas da trindade, o Filho apresenta uma submissão funcional (não essencial) com relação ao Pai não somente na encarnação, mas igualmente na eternidade. Ainda que essas afirmações não sejam tão recentes, ao que parece vêm ganhando grandes proporções nestes últimos dias, ganhando inclusive comentários em blogs como a Alliance of Confessing Evangelicals[1] e gerado polêmicas com teólogos como Mark Jones e Carl Trueman. 
2. A visão granconiana: muito além da submissão.
Ainda que haja um debate relevante que envolva Grudem, Ware e outros, vejam bem, em nenhum momento tal posição macula essencialmente o cerne da fé cristã. A visão que Granconato defende, porém, vai muito além de uma simples submissão funcional, expressando, a bem da verdade, uma verdadeira inferioridade na pessoa do Filho e Espírito em relação ao Pai. O grande problema é o texto-prova apresentado por ele.
3. Uma exegese pobre e anômala ao texto bíblico.
No vídeo em questão, Granconato apela para Atos 1.6-7, quando os discípulos perguntam se Jesus iria restaurar imediatamente o Reino a Israel. Granconato vê na resposta de Jesus uma ignorância acerca dos planos estabelecidos por Deus: “não vos convém saber os tempos e as estações que o Pai estabeleceu pelo seu próprio poder…” (At 1. 7a).
Não é preciso ser profeta ou filho de profeta para saber que nosso Senhor, ao dar essa resposta, não está nem um pouco preocupado em falar acerca de sua suposta ignorância acerca dos planos escatológicos de Deus (que nada tem a ver com a economia da salvação), e sim que não cabia aos discípulos saber quando se dariam essas coisas. Cabia a eles, na verdade, pregar o Evangelho a todas as nações e deixar o resto com Deus.  Achar mais coisas do que o texto diz torna-se eisegese, ou seja, é uma mera declaração teológica carente de respaldo bíblico.
4. Os perigos desse tipo de entendimento.
A posição teológica apresentada por Granconato toca em algo extremamente caro para qualquer cristão, a diminuição da glória de Jesus Cristo, e consequentemente, abre as portas do pensamento teológico para as piores (e bastante antigas) heresias que já desafiaram a igreja cristã. Defender o pensamento teológico deste autor é incorrer em um caminho perigoso, em um campo minado. Dentro desse campo minado, vemos que princípios preciosos podem ir pelos ares. Dentre os quais podemos destacar:
a) Mina o entendimento ortodoxo da pessoa de Jesus: Que Jesus é plenamente igual ao Pai e compartilha de todos os seus atributos fica claro nas declarações escriturísticas: “Ninguém conhece o Filho a não ser o Pai, e ninguém conhece o Pai a não ser o Filho, e a quem o Filho quiser revelar” (Mateus 11.27). Não há segredos dentro dos relacionamentos trinitarianos ou algo obscuro entre as pessoas. O Filho conhece plenamente o Pai, sua vontade e seus pensamentos, e por isso, cumpriu plenamente a vontade de Deus e faz o que lhe agrada.  Glória a Cristo!
b). Mina o entendimento ortodoxo da Pessoa do Espírito: O pensamento de Granconato fere diretamente 1 Coríntios 2.10, onde o apóstolo Paulo, de maneira inequívoca, mostra claramente o pleno conhecimento do Espírito acerca do Pai. O crente tem apenas uma opção, aceitar a opinião do príncipe cessacionista ou do apóstolo Paulo. Não há meio-termo.
c). Mina a adoração a Cristo: O apóstolo João nos diz que todos os que honram o Pai devem igualmente honrar o Filho da mesma maneira (João 5.20). Se aceitarmos a posição de Granconato, não há como exaltar todos os atributos do Senhor Jesus Cristo como Deus plenamente onisciente.
5. Um chamado ao alerta evangélico.
Diante das questões apresentadas, surge aqui uma conclusão latente: a visão de Granconato é extremamente perigosa, se não perigosamente herética. O Jesus apresentado por ele possui um “kenosticismo” não somente na terra, mas também eternamente no Céu. Tal visão se aproxima de uma visão perigosamente ariana de inferioridade. Ainda que de maneira alguma afirmemos que Granconato esteja nessa categoria, sua visão certamente abre perigosas brechas para um entendimento como esse.
O caso Granconato nos leva a refletir sobre o papel muitas vezes desempenhado por aqueles que, por vezes, se mostram extremamente belicosos em questões secundárias no meio evangélico conservador, assim se apresentado como guardiões da santa doutrina e desprezando os “hereges”, mas que acabam por apresentar em seu bojo teológico algo muito mais pernicioso. O pastor Granconato é conhecido por sua chacota aos pentecostais, taxando-os como ignorantes supersticiosos e sem Deus. Todavia, propaga algo que fere a ortodoxia cristã em seus próprios fundamentos. Que possamos orar por ele, e que ele tenha igualmente a humildade de reconhecer seu grave erro. Quanto a nós, oremos para que não aconteça conosco algo pior. Que esse caso possa nos alertar para não sermos especialistas em tirar os supostos “ciscos” teológicos de nossos irmãos, enquanto cultivamos traves heréticas em nossas próprias pupilas.
Amém!
Soli Deo Gloria.

7 comentários em “A cristologia estranha do Granconato e um chamado à humildade!

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