Devocional · Natal

O juízo da manjedoura

Por Gutierres Fernandes Siqueira

O teólogo canadense Clark Pinnock (1937-2010), ainda em sua fase ortodoxa, dizia que “Cristo é o guia hermenêutico no significado das Escrituras, e não seu bisturi crítico”. Como isso, Pinnock apontava que a Escritura não poderia ser dissecada e considerada apenas em suas partes claramente cristocêntricas. A Escritura aponta a “unidade trina” de Deus em cada página. Ora, há quem faça uso do bisturi dividindo o “Deus do Antigo Testamento”, que parece um tanto cruel, ciumento e iracundo, da figura mansa e doce de Jesus de Nazaré. A Escritura não faz essa divisão: no Antigo Testamento Deus é aquele que volta atrás diante do arrependimento de Nínive, que considera a intervenção de Moisés, que usa laços de amor para com Israel por meio do profeta Oseias etc. Ele sempre foi amoroso, sempre! Mas a manjedoura no Novo Testamento, embora seja uma expressão de amor, é também juízo. Não há como olhar para aquele bebê sem pensar como a sua doce santidade nos revela. Muitos falam da hipocrisia que reina nas festas de fim de ano. Todavia, na verdade, o bebê desnuda a nossa própria hipocrisia. Ficamos incomodados com o pecado alheio porque sabemos que no fundo essas pessoas são parecidas conosco.

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“Adoração dos Pastores” (1622) de Gerard van Honthorst

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