Assembleia de Deus · Movimento Pentecostal

O pentecostalismo raiz contra o pentecostalismo modinha!

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Frida e Gunnar Vingren

Por Gutierres Fernandes Siqueira

 

Ler a história dos pioneiros pentecostais, assim como conversar com crentes que conheceram o Evangelho a 50 ou 60 anos atrás, é perceber que existe hoje um abismo enorme entre o pentecostalismo movido à moda com a solidez e seriedade dos nossos primeiros pais. É evidente que antigamente havia muitos problemas, especialmente o legalismo casado com o anti-intelectualismo, mas hoje temos um caminhão de distorções, e, ainda em muitas comunidades, incrivelmente, nem mesmo o legalismo e o anti-intelectualismo foram superados.

Os líderes pioneiros não eram ricos. Embora alguns possuíssem até mesmo boa bagagem intelectual, nenhum pioneiro fazia parte do seleto grupo de milionários da época. A riqueza não é um problema em si, mas a riqueza à custa do sacrifício de fiéis certamente é anátema. Não havia nepotismo e os laços familiares não determinavam o carreirismo ministerial. O filho do Gunnar Vingren, por exemplo, não assumiu nenhuma grande igreja no Rio de Janeiro (RJ), mas foi enviado como missionário para pobre e pequena Bolívia.  

Os pioneiros pentecostais tinham consciência da fragilidade e vacuidade da vida. Algumas frases toscas de autoajuda como “você nasceu para conquistar” jamais são vistas no vocabulário dos primeiros fiéis. Ao contrário, a tônica sempre era o céu, a glória divina, o futuro na presença de Deus. Determinar? Fazer prova de Deus? Isso soava como blasfêmia que só poderia surgir de um coração ímpio.

Os pioneiros viam o revestimento de poder como um grande impulso evangelístico. Se perguntassem a algum pioneiro porque se deveria buscar o Batismo no Espírito Santo a resposta era clara e objetiva: a causa missionária! Não se buscava o Batismo para ficar no “manto”, ou seja, em um transe emocional! Aliás, nenhum pioneiro inventou essas palavras bizarras e sem significado como “reteté”. Nenhum deles gritava como louco um “receeeeeeeeeeeeeba”! Gunnar Vingren ao ver o protótipo de “reteté” chamou esse movimento de “baixo espiritismo”.

Os pioneiros tinham ótimo gosto musical. Ora, basta ver a ótima qualidade das letras da Harpa Cristã. E a melodia? Como não amar o piano de calda, os violinos e toda a sinfonia de uma pequena ou grande orquestra? Nas últimas duas décadas o que sobrou na chamada “música pentecostal” é muito triunfalismo com melodia pobre.

Os pioneiros amavam estudar as Escrituras. É verdade que existia uma forte desconfiança com a academia e muitos militavam no anti-intelectualismo. Emílio Conde, por exemplo, escreveu inúmeros textos contra o academicismo, mas curiosamente era um erudito, poliglota que escrevia bem e estudava a Bíblia com afinco.

Vamos voltar às raízes?

4 comentários em “O pentecostalismo raiz contra o pentecostalismo modinha!

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