Assembleias de Deus · Frida Vingren · Movimento Pentecostal

A teologia de Frida Vingren

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Frida Vingren

Por Gutierres Fernandes Siqueira

Frida Maria Strandberg Vingren (1891-1940) foi uma missionária sueca que deixou a sua marca nas Assembleias de Deus do Brasil. Enfermeira, ela conheceu Gunnar Vingren (1879- 1933), o fundador da denominação, quando esse estava extremamente doente. Compositora, tradutora, musicista e redatora, Frida Vingren foi uma mulher a frente de seu tempo. Até hoje ela é a única colaboradora da principal revista de Escola Dominical das Assembleias de Deus, conhecida como Lições Bíblicas (CPAD), que informalmente define a teologia assembleiana.

O protestantismo tradicional, assim como o catolicismo romano, nunca aceitou bem a ideia de mulheres pregadoras, ainda mais no começo do século passado. Mas Frida Vingren rompeu dentro das Assembleias de Deus com essa ideia de restrição feminina nos púlpitos. Embora até o presente momento a Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil (CGADB) não reconheça o ministério pastoral feminino, a denominação sempre contou com mulheres anônimas ou famosas na tarefa do ensino e pregação pública.

Em janeiro de 1930, a missionária Vingren escreveu um interessante artigo sobre dons espirituais no jornal “Som Alegre”. Nesse texto podemos ver como Frida justifica teologicamente a sua função de pregadora e professora das Sagradas Escrituras. Numa breve passagem ela comenta:

Mas estes defeitos (a dureza masculina e o sentimentalismo feminino) podem ser tirados pela educação do Espírito Santo que dá o dom de profecia para a mulher e pode também dar-lhe o da ciência, pois não é o homem, nem tampouco a mulher que faz o ministério, mas é o dom. Isto é um fato simples e claro. E qualquer que tenha recebido um dom torna-se responsável diante do Senhor. A mulher recebendo-o entra assim no ministério da palavra, e pode então pregar e ensinar, conforme a direção do Espírito Santo. Não desejamos outra coisa, senão liberdade no uso dos dons espirituais. (grifos dela)

Veja que para Frida Vingren os dons espirituais em seu propósito edificador e construtor não fazia distinção de gênero e, portanto, colocava a mulher em patamar de ministra da Palavra. No raciocínio dela, se Deus usa mulheres em dons de elocução, então por que devemos restringir o ensino e a pregação de mulheres?

Frida insistia em seus artigos e notas que não havia mandamento que proibisse o trabalho feminino na igreja, especialmente como expositora das Escrituras. Numa nota no jornal “Boa Semente” ela diz:

Nos diferentes países onde existe a obra pentecostal, as mulheres tomam grande parte do trabalho. Nos países europeus, nos Estados Unidos e até nos países pagãos elas têm penetrado. […] Oxalá que as mulheres brasileiras, que certamente não são inferiores às suas irmãs estrangeiras, se consagrassem de tal forma que o Espírito Santo as pudessem chamar para pregar o evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo. […] Às irmãs, queremos dizer que não convém contenderem pelo seu direito, somente fazerem o que o Espírito dirigir. Assim, estamos certo de que, com humildade, prudência e pelo poder de Deus, vencerão todos os obstáculos.

Embora fosse combativa, a preocupação de Frida era justificar teologicamente sobre o porquê da validade do ministério feminino exercido por ela. Há em Frida uma tentativa de atenuar qualquer imagem de militante de uma causa. Vingren lembra muito bem que o Movimento Pentecostal, em si, sempre abriu espaço para a pregação feminina.

É interessante como a doutrina dos dons espirituais despertou não só em Frida Vingren, mas em muitos outros pentecostais, a consciência que Deus não faz acepção de pessoas na missão de transmitir o Evangelho e ensinar as Escrituras. Embora o ministério ordenado feminino não seja o objeto desse texto, podemos observar como o pentecostalismo, de fato, colocou a doutrina do sacerdócio universal em prática na vida da igreja.

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