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Resenha: “Onde a Luta se Travar”

Por Gutierres Fernandes Siqueira

O pentecostalismo no Brasil nasceu em 1910 com a Congregação Cristã do Brasil na cidade de São Paulo (SP), mas um século depois é a Assembleia de Deus, nascida em Belém (PA) em 1911, quem se destaca como a mais importante igreja pentecostal brasileira – sendo seis vezes maior que sua coirmã. Por qual razão vemos essa discrepância entre duas igrejas que tiveram um início parecido?

O pastor assembleiano Maxwell Farjado, doutor em história pela Universidade Estadual de São Paulo (UNESP), recentemente publicou o livro “Onde a Luta se Travar” (Editora Prismas). O livro é fruto da tese de doutoramento e nos apresente a perspectiva de um historiador que, ao mesmo tempo, é membro da Assembleia de Deus desde a infância.  O ponto alto do livro é que Fajardo nos oferece uma interessante resposta sobre o fenômeno do crescimento assembleiano, hoje o segundo maior grupo religioso do país, atrás apenas da Igreja Católica.

O “segredo”, ao que parece, está justamente no esgarçamento da instituição. Diferente de outras igrejas, a Assembleia de Deus encontra sua força na divisão. Parece contraditório, pois, como disse Jesus, um reino dividido não subsiste, mas essas divisões não produzem o rompimento total com a matriz teológica, doutrinária e litúrgica das Assembleias de Deus. Há sempre alguma inovação, mas há, também, um fio condutor que une os diversos ministérios da denominação pelo país. Ou, como diz um velho hino conhecido pelos assembleianos: “Muitos ministérios a Assembleia tem, mas um só Espírito apascentando vem…”.

Outro ponto alto do livro é como o autor faz a leitura das tradições assembleianas, especialmente a tradição litúrgica. Nesse aspecto, é incrível a unidade e a coesão entre os diversos ministérios. As diferenças são menores do que as semelhanças, mesmo entre aqueles que se vendem como modernos ou conservadores. Maxwell descreve ricos detalhes como um bom pesquisador e, também, como um membro ativo da igreja. 

A parte histórica é acrescida de artigos e textos produzidos nos periódicos assembleianos. Algumas falas causam surpresa para quem nutre preconceitos contra os assembleianos. É interessante observar que havia debates intensos nos jornais e revistas da denominação. Nos seus primeiros 50 anos fica claro o caráter congregacional da AD que, aos poucos, passou a um modelo centralizador. O congregacionalismo deu espaço a um modelo que espelha o presidencialismo brasileiro, que valoriza figuras fortes, mas negociadoras.

Portanto, se você procura um livro que reúne rigor histórico e sociológico, mas que ao mesmo seja escrito por alguém “de dentro”, leia com urgência essa obra.

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