Calvinismo · Pelagianismo; Calvinismo; Arminianismo · Sectarismo

Amigos reformados, cadê a autocrítica?

Por Gutierres Fernandes Siqueira

Não sou calvinista, mas, como todos sabem, respeito e admiro muitos mestres dessa vertente. Escrevo essa nota como um amigo, pois sou colega de inúmeros reformados.

Muitos teólogos calvinistas estão espantados, e com razão, com as reações agressivas de arminianos e pentecostais nas redes sociais. O comportamento de muitos jovens, evidentemente, é condenável. Mas o que provocou essa agressividade tola?

1. ANTAGONISMO. O calvinismo no Brasil tende a ser muito fechado. Fala de si para si. Olha com desprezo grupos antagônicos e não preza pelo diálogo, que é a vontade de absorver a verdade que está no outro. Não há uma preocupação legítima em ler outra teologia com o intuito de aprender, mas apenas com motivação apologética. Assim, o antagonismo atrai antagonismo.

2. AGRESSIVIDADE. Essa mesma agressividade que vemos hoje em arminianos desmiolados, infelizmente, já era vista outrora em calvinistas (e ainda hoje está presente nesta rede social). Evidentemente, não se paga o mal com o mal, mas, também, é necessário reconhecer o mal em toda a sua amplitude.

3. CLUBISMO. Alguns amigos reformados divulgam com prazer a agenda quando vão pregar em igrejas pentecostais. Outros ficam alegres ao anunciarem que determinado congresso de fé reformada estava cheio de carismáticos, mas essa interação para por aí. Quando os mesmos são promotores de eventos, não há ninguém fora do “clube” entre os palestrantes. É mais fácil ver até não-evangélico entre os preletores, do que um pentecostal arminiano, por exemplo. É necessário entender que não existe inteiração de mão única. Não temos nada a ensinar?

4.  FALTA DE ELOGIO. O calvinista médio brasileiro é rabugento. Ele só critica. Nada está bom. Se um grupo carismático grava uma música como “Oceans”, o calvinista não recomenda a ninguém, mas se uma banda reformada faz uma música parecida, logo essa canção é a “melhor coisa do mundo”. O que é meu, logo pode ser classificado como “the best”, mas o que é alheio, não é bom.

5.  ELOGIO ESNOBE. O calvinista médio elogia pouco e quando elogia costuma demostrar certo elitismo. Eu, como pentecostal, já li inúmeros liberais rasgando elogios ao pentecostalismo, mas é raro ver algum calvinista exaltando o movimento. No máximo, vejam só, falam que “podemos aprender com os pentecostais no entusiasmo da evangelização”, mas na teologia, nada de nada. Como apelar à união sem reconhecimento sincero de legitimidade?

Nem todos merecem essas observações, é claro, mas falo de um quadro geral. Escrevo como alguém que milita pela unidade da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo.

6 comentários em “Amigos reformados, cadê a autocrítica?

  1. Muito bom artigo! Sou “calvinista” e tenho que concordar, porque o que mais vejo é o “nosso lado” só falando mal dos outros, mas se algum pastor calvinista, reformado prega algo errado, geralmente eles se calam. Não podemos ter essa imparcialidade, não somos superiores e nem melhores que ninguém, todos carecemos da misericórdia de Deus.

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  2. A Paz do Senhor. Infelizmente o que você escreveu é a mais pura verdade… Eu amo os pregadores e escritores Reformados, como Spurgeon e Bunyan, e, confesso, sou até mais Calvinista no que tange a Soteriologia, ainda que sendo Diácono da AD… Mas me espanta como os reformados de hoje subestimam os Pentecostais, o que é uma pena pra eles e principalmente para a Obra do Senhor.

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  3. Gutierres, sou da IPB e posso afirmar que os reformados são apenas mais peritos em jogar suas sujeiras pra debaixo de tapete, até porque são (beeem) menos visíveis que os pentecostais. Pouco se fala da conivência de diversos presbitérios do RJ em ordenar liberais que poriam as heresias neopentecas no chinelo, como nosso amadíssimo Caio Fábio. Hoje não sei qual o estado deles, mas isso era um problema sério há umas décadas.

    Isso sem contar os estragos que essa estratégia tem feito mundo afora, como vimos na PCUSA. A questão é que, como vivemos numa sociedade pautada por acadêmicos, parece que o erro deles é menor, apesar da perspectiva do Reino ser bem mais catastróficas que qualquer Paipóstolo ou profetada.

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  4. Cara…
    Boa tarde! Bom saber que há alguém que se posiciona com relação a esse assunto. Gostaria de me apresentar, me chamo Gabriel, me considero calvinista e entendo seu posicionamento perfeitamente. Sou dono do blog Papel, tinta e caneta, um modesto blog de meditações bíblicas e poesias bíblicas. Se quiser acessar, será um prazer sua visita – http://papeltintaecaneta.blogspot.com.br/ – Quero te parabenizar pelo posicionamento. Realmente, meu irmão em Cristo, temos que saber lidar com as diferenças. E, hoje, esse é um desafio para nós, a igreja de Cristo. Estou a disposição para compartilhar conhecimentos! Valeu! Abração!

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  5. Confesso que cansei, cansei de ouvir e ver como calvinistas, reformados tratam com desdém e ironia os pentecostais e neopentecostais. Se autoproclamam defensores do evangelho, mas não sei qual é este evangelho que eles defendem, porque se for o de Jesus estão bem distantes. O que vejo é arrogância teológica, desrespeito e muito relativismo, sem falar no absurdo teológico (ou melhor, heresia) que a maioria deles defende: o cessacionismo.

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