Devocional

A fé é um dom de Deus

Por Camila Rauber

A fé: o que vem a nossa mente quando nos deparamos com essa palavra? De todas as informações e imagens que dela obtemos pela Palavra de Deus, ao menos duas costumam saltar aos nossos olhos: que ela é um dom de Deus e que, se ela fosse comensurável, seu tamanho seria semelhante a de um grão de mostarda. Contudo, apesar dessa descrição, temos por vezes a sensação de que o alcance da fé e o tamanho dela não parecem simples nem de entender nem de conceber, como aquelas informações sugerem. Uma vez que a Bíblia nos leva ao entendimento da fé por imagens a partir de experiências no lugar de um conceito bem definido da mesma, precisamos olhar, ao invés de teorizar, uma das imagens de vivência real da fé que a Bíblia nos dá.

Quando somamos em nossa mente esses dois termos, Abraão + Fé, é quase certo que o resultado seja igual ao momento em que Abraão toma seu único filho, Isaque, para sacrifica-lo em obediência a Deus. Como associar esse ato de fé de Abraão a um grão de mostarda? Somos levados a pensar que, se essa é a fé do tamanho do grão de mostarda, dificilmente podemos começar nossa vida de fé sem desanimarmos, afinal, nos vemos a mil anos luz de distância de um exemplo como o de Abraão. E sem percebermos, esquecemos-nos daquelas duas verdades que a Bíblia nos dá sobre fé: É um dom de Deus e equivale ao tamanho de um grão de mostarda. Equivocadamente, pensamos que a fé é algo que nós produzimos, e que a fé só é autêntica quando se mostra grandiosa aos nossos olhos.

A história de Abraão, todavia, não começa a caminho de Moriá (Gn 22.2) para sacrificar seu filho. Inúmeras vezes tendemos a ignorar o processo da história desse pai da fé, que se estende dos capítulos 12 a 25 de Gênesis, que é a visualização do próprio processo da fé. No capítulo 12 lemos as seguintes palavras de Deus a Abraão: “Saia da sua terra, do meio de seus parentes (…) farei de você um grande povo.” (Gn 12. 1,2 NVI). Deus manda Abraão sair do seu local familiar, para um destino desconhecido com a promessa de fazer dele pai de um grande povo. Nessa hora podemos pensar: com uma promessa dessas, dificilmente alguém deixaria de acatar a ordenança de Deus. Minimizamos a realidade das coisas, sem perceber que a realidade que Abraão viveu, por mais que as circunstâncias e fatos mudem, não está longe do que muito de nós vivemos e das nossas escolhas diárias que enfrentamos.

Abraão ouviu a voz de Deus e atendeu. A fé começou na obediência de Abraão, quando este decidiu viver pela promessa de Deus ao invés de viver segundo as circunstâncias ao seu redor, que eram totalmente adversas. Um exemplo: Deus lhe promete ser pai de um grande povo, e, de outro lado, sua esposa, Sara, era estéril. Impossibilitada de ter filhos. Impossibilitada de dar início a geração de uma nação. As primeiras escolhas de Abraão, portanto, as primeiras ações dele, muitas vezes passa despercebida aos nossos olhos, assim como um grão de mostarda. Apesar dos medos e dúvidas que o assomaram ao longo da caminhada com Deus, Abraão decidiu viver e agir não pelo ditado das circunstâncias, mas pela palavra de Deus. Em cada etapa da vida de Abraão, sua fé, que começa do tamanho de um grão de mostarda, se solidifica, até atingir a última prova, que é levar seu filho para o holocausto, e ver o livramento do Senhor. Essa fé ocorre em cada prova que Deus dá a Abraão total condições de passar. Essa fé não é produzida por Abraão, mas vem de Deus. É uma escolha diária entre viver segundo a palavra de Deus, ou viver segundo as circunstâncias. Se decidirmos viver nossa vida ditada pelas adversidades do momento, ou até mesmo pelo que é aparentemente agradável aos nossos olhos, escolheremos viver longe modo que não se enxerga com olhos carnais, mas pelos olhos da fé.

Do contrário, viver segundo a palavra de Deus, é deixar cair o grão de mostarda nessa terra que é nosso coração, sair do ambiente regido pelos hábitos e circunstâncias familiares, e transpor a barreira do nosso próprio entendimento, enxergando e reconhecendo o Senhor em cada caminho, em cada cruzamento, em direção a uma realidade eterna, em que cada ação, nos aproxima a cada dia mais do propósito de Deus para nossa vida, nos afastando da imposição desse mundo e de tudo o que é contrário a verdade de Deus que excede todo o entendimento.

Camila Rauber é bacharel e licenciada em filosofia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mestranda pela mesma universidade e pela Universidade de Buenos Aires, Argentina.

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