Batismo no Espírito Santo · Teologia Lucana · Teologia Pentecostal

Subsequência na Relação do Batismo no Espírito

20180511_215351Série: A Pessoa e a Obra do Espírito Santo. Cheio do Espírito – parte 2
PARTE 2: Subsequência na Relação do Batismo no Espírito

Por Antony D. Palma/ Tradução: Moisés Xavier

O artigo aborda a questão sobre a subsequência em relação ao Batismo no Espírito Santo. Existe, para um crente, uma experiência distinta e identificável do Espírito separada da regeneração? A tese apresentada aqui é dupla: (1) O Novo Testamento ensina a existência, disponibilidade e atratividade de tal experiência para todos os cristãos. (2) Esta experiência é logicamente e teologicamente separada da experiência da conversão, embora possa ocorrer imediatamente após a conversão ou após um lapso de tempo. O foco neste artigo será sobre o fato de tal experiência.

Nos estudos bíblicos é axiomático, para qualquer área da teologia, a necessidade em ir primeiramente às passagens bíblicas que tratam do assunto extensivamente. Lucas, especialmente no livro de Atos, lida com o assunto do batismo do Espírito mais do que qualquer escritor bíblico. Sua reputação como historiador preciso foi adequadamente estabelecida; portanto, incidentes que ele registrou devem ser vistos como genuínos. Além disto, ele também é um teólogo, usando o meio da história para transmitir a verdade teológica. Portanto, o que Lucas diz e ensina deve ser colocado ao lado de outros escritos bíblicos e não deve ser interpretado como antitético para eles. Os escritores bíblicos complementam uns aos outros – eles não se contradizem. Procedimento apropriado é determinar o que um escritor ou escrito diz e depois relacioná-lo a outras partes da Escritura.

EXEMPLOS NARRATIVOS EM ATOS

O livro de Atos é mais do que um registro objetivo da história da Igreja Primitiva. Muitos dos eventos que ele contém tem um propósito teológico – para mostrar a propagação do evangelho por todo o mundo mediterrâneo pela capacitação do Espírito Santo (1.8). Os dois temas de evangelização e capacitação do Espírito Santo estão tão interligados que um não pode ser entendido à parte do outro. Lucas certamente estava ciente de outros aspectos da obra do Espírito; sua estreita associação com Paulo o teria exposto a muitos dos pensamentos de Paulo sobre o Espírito Santo. Mas no livro de Atos, Lucas escolheu se concentrar no aspecto dinâmico, alguns dizem carismático, do ministério do Espírito.

O primeiro exemplo de discípulos que receberam uma experiência de fortalecimento do Espírito ocorreu no Dia de Pentecostes, conforme registrado em Atos 2.1-4. Lucas relata mais tarde quatro outros incidentes nos quais os convertidos têm experiências espirituais iniciais semelhantes às do dia de Pentecostes. 1 Será instrutivo rever e investigar esses cinco exemplos, depois serão tiradas inferências e conclusões.2

O DIA DE PENTECOSTE (ATOS 2.1-4)

A chegada do Espírito Santo sobre os discípulos que esperavam no Dia de Pentecostes não teve precedentes. Em um sentido muito importante, houve ali um evento único, uma vez por todas profetizado especialmente por Joel (2:28,29) e concedido pelo Jesus ascendido (Atos 2:33). Os fenômenos audiovisuais do vento e do fogo lembram o recebimento da Lei no Monte Sinai (Êxodo 19.18; Deuteronômio 5.4) e outras manifestações especiais do Antigo Testamento (teofanias) da presença de Deus (2 Samuel 22.16; Jó 37.10; Ezequiel 13.13). O vento é um símbolo do Espírito Santo (Ezequiel 37.9; João 3.8); de fato, a palavra hebraica ruach significa tanto vento quanto o espírito, assim como a palavra grega pneuma. A palavra pno (usada em Atos 2.2) é uma forma da mesma palavra grega. O fogo também é associado com o Espírito Santo no Antigo Testamento (Juízes 15.14), na promessa de que Jesus batizaria no Espírito Santo e fogo (Mateus 3.11; Lucas 3.16), e na identificação das “sete lâmpadas de fogo” com o Espírito Santo (Apocalipse 4.5 ; note que a menção do Espírito Santo em conexão com a visão de Zacarias das sete lâmpadas [Zacarias 4.25-6]).

O significado histórico do Dia de Pentecostes não pode ser subestimado. Alguns consideram como o aniversário da Igreja, outros como a contrapartida do recebimento da Lei e, portanto, a instituição da nova aliança. Nossa preocupação neste artigo é com o significado pessoal do Dia de Pentecostes para os discípulos a quem o Espírito veio.

A experiência do Pentecostes dos discípulos avonteceu após a conversão deles? Se aqueles discípulos tivessem morrido antes do derramamento do Espírito, eles teriam ido com o Senhor? A resposta é óbvia. Em certa ocasião, Jesus disse aos setenta: “alegrai-vos, antes, por estar o vosso nome escrito nos céus” (Lucas 10:20).3 Mas os seguidores de Jesus, antes do Dia de Pentecostes, experimentaram a regeneração no sentido neotestamentário dessa expressão?

Pentecostais frequentemente apontam João 20.22 como o ponto no tempo em que eles experimentaram a regeneração. Jesus “assoprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo.”. O raciocínio é que eles foram cheios do Espírito sete semanas depois. Na minha opinião, é questionável se o evento registrado em João 20.19-23 deve ser identificado como o novo nascimento.

Os seguintes pontos devem ser observados:
1. O verbo incomum para assoprar (emphysao) ocorre somente aqui no Novo Testamento, mas é encontrado na Septuaginta em conexão com a criação do homem: “o SENHOR Deus … soprou em seus [do homem] narizes o fôlego da vida;” (Gênesis 2.7). Alguns argumentam que, assim como, o sopro de Deus deu vida a Adão, o sopro de Jesus deu vida espiritual àqueles dez apóstolos. Embora exista um paralelo verbal entre as duas passagens, isso em si não pode sustentar a posição de que os discípulos nasceram de novo. Os escritores do Novo Testamento costumam usar a linguagem do Antigo Testamento quase inconscientemente.
2. Uma tradução alternativa diria: “Ele respirou [exalou] e disse a eles: ‘Recebei o Espírito Santo’” (tradução minha)
3. Apenas 10 pessoas teriam nascido de novo nessa ocasião. Quando todos os outros crentes nasceriam de novo?
4. O contexto não diz que aconteceu alguma coisa àqueles discípulos naquele momento. O sopro de Jesus era antecipatório do que aconteceria no dia de Pentecostes. O fenômeno de “um ruído como um vento veemente e impetuoso” (Atos 2.2) muito provavelmente os lembrou do sopro de Jesus sete semanas antes.
5. O contexto imediato, tanto antes como depois, relaciona a fala de Jesus ao serviço, não à salvação: “Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós.” (João 20.21). “Àqueles a quem perdoardes os pecados, lhes são perdoados; e, àqueles a quem os retiverdes, lhes são retidos” (versículo 23). Isso é semelhante à afirmação posterior de Jesus: “Mas recebereis a virtude do Espírito Santo… e ser-me-eis testemunhas” (Atos 1.8).
6. Pentecostais devem ser cautelosos ao tentar provar o conceito de subsequência com base em João 20.22. Uma alternativa, que eu sugiro, é que não somos obrigados a apontar o momento em que os discípulos de Jesus experimentaram um novo nascimento no sentido do Novo Testamento. É possível, em vista da situação histórica única na época, que a descida do Espírito no Dia de Pentecostes incluísse sua obra regeneradora, tipificada pelo vento (João 3.8), que precedeu a experiência de ser cheio do Espírito. Porém, devemos notar que o vento e o fogo não faziam parte dos discípulos quando foram cheios do Espírito. 4

A questão permanece, no entanto, porque houve um intervalo de 10 dias entre a ascensão de Jesus e a descida do Espírito Santo. Jesus instruiu os discípulos: “ficai, porém, na cidade de Jerusalém até que do alto sejais revestidos de poder” (Lucas 24.49). A explicação mais satisfatória é que a festa de Pentecostes teve um significado tipológico que foi cumprido no Dia de Pentecostes, assim como a festa da Páscoa foi cumprida na morte de Jesus. Tanto a morte de Jesus como a descida do Espírito Santo foram divinamente marcadas para coincidir com as festas do Antigo Testamento que as prenunciavam. A festa de Pentecostes era uma festa da colheita, na qual as primícias eram oferecidas ao Senhor. Atos 2 celebra uma colheita de 3000 almas que foram reunidas no reino de Deus. Vale a pena notar que peregrinos de todas as partes do Império Romano estariam em Jerusalém.

O PENTECOSTE SAMARITANO (ATOS 8.14-20)

Se devemos procurar por um incidente que ilustra a doutrina da subsequência, nenhum é mais decisivo do que a experiência dos samaritanos. Esta passagem é a mais clara de todas para os pentecostais e a mais problemática para os não pentecostais.

Considere minhas observações e comentários.

1. A mensagem de Felipe para os samaritanos foi clara. Ele proclamou Cristo a eles (Atos 8:5); ele pregou as boas novas sobre o reino de Deus e o nome de Jesus Cristo (versículo 12).
2. O ministério de Filipe foi atestado pelos “sinais que ele fazia” (versículo 6), que incluíam expulsões de demônios e curas.
3. Os samaritanos que acreditavam foram batizados. É impensável que Filipe os tivesse batizado ou permitido que eles fossem batizados se não tivessem sido genuinamente convertidos.
4. Os apóstolos em Jerusalém ouviram que Samaria “recebera a palavra de Deus” (versículo 14). Esta expressão é sinônima de ser convertido (Lucas 8.13; Atos 2.41; 11.1; 17.11, 12; 1 Tessalonicenses 1.6; 2.13; Tiago 1.21).
5. A aprovação da liderança de Jerusalém era de fato desejável, quase imperativo, em vista da antiga rivalidade entre judeus e samaritanos. Este incidente mostra que nem a conversão, nem o batismo implicam em receber o Espírito no sentido em que Lucas usa a expressão.
6. As Escrituras em nenhum lugar ensinam ou implicam que a salvação é recebida pela imposição de mãos (Atos 8.17). O livro de Atos mostra, no entanto, que às vezes uma experiência pós conversão do Espírito é recebida após a imposição de mãos (9:17;19:6).
7. Essa experiência do Espírito pelos samaritanos não foi a mudança interna que ocorre na conversão. Ela tinha um aspecto externo e observável. Como F.F. Bruce, um eminente estudioso do Novo Testamento, comenta: “O recebimento do Espírito Santo em Atos está conectado com a manifestação de algum dom espiritual”.6

A experiência incomum e identificável dos samaritanos com o Espírito, algum tempo depois de sua conversão e batismo, é um forte argumento a favor da doutrina da subsequência.

SAULO DE TARSO (ATOS 9.17)

Três dias após sua conversão, Saulo foi visitado por Ananias que impôs suas mãos nele e disse: “O Senhor Jesus… me enviou, para que… sejas cheio do Espírito Santo.”

Minhas observações incluem:

1. Ananias não convocou Saulo a se arrepender, mas disse a ele para ser batizado, o que simbolizaria a lavagem dos pecados de Saulo (Atos 22.16).
2. A imposição das mãos de Ananias era para que Saulo fosse cheio do Espírito, não para ser salvo. A imagem de ser cheio do Espírito ocorre no Livro de Atos primeiramente em Atos 2.4. As Escrituras em nenhum lugar usam essa terminologia “de ser preenchido” como sinônimo “de ser salvo”.
3. Houve um intervalo de tempo de três dias entre a conversão de Saulo e o fato de ele ser cheio do Espírito.
4. Um indivíduo, não um grupo, é cheio do Espírito. Muitas vezes, aqueles que enfatizam a abordagem histórico-redentora concentram-se apenas em grupos, que eles dizem ser representativos, sobre os quais Deus concedeu o Espírito de maneira especial quando os incorporou à Igreja.

CORNÉLIO E SUA FAMÍLIA (ATOS 10.44-48)

A narrativa intrigante sobre Cornélio atinge seu ponto alto com o derramamento do Espírito sobre ele e sua família. Cornélio não era cristão antes da visita de Pedro; ele era um gentio que havia abandonado o paganismo e abraçado o judaísmo, na medida em que era um homem temente a Deus. No momento em que Pedro falou de Jesus como aquele através do qual “todos os que nele creem receberão o perdão dos pecados” (versículo 43), Cornélio e sua casa aparentemente responderam com fé. Simultaneamente, ao que parece, eles experimentaram um derramamento especial do Espírito semelhante ao recebido pelos discípulos no Pentecostes, como Pedro disse mais tarde à liderança em Jerusalém. (11.17; 15. 8,9).

A terminologia empregada por Lucas para descrever esta experiência do Espírito não é usada em outros lugares no Livro de Atos para descrever alguma conversão: “o Espírito Santo desceu sobre” (10.44), “o dom do Espírito Santo” (10.45), “batismo com o Espírito Santo” (11.16). Essas expressões são intercambiáveis com termos como “cheios do Espírito Santo”, encontrados em conexão com o Pentecostes e Saulo (2.4; 9.17) e “receber o Espírito Santo”, encontrada na narrativa de Samaria (8.15,17,19). Além disso, o incidente de Samaria fala do Espírito “caindo sobre” os crentes (8.16), bem como a experiência sendo um “dom” (8.20) – duas conexões terminológicas com o relato de Cesareia.

A experiência do Espírito dos novos crentes em Cesareia é semelhante à dos seus antecessores em Jerusalém, Damasco e Samaria. Mas, diferentemente das experiências dos samaritanos e de Paulo, sua ocorrência foi praticamente simultânea com a experiência da salvação.

OS HOMENS DE ÉFESO (ATOS 19.1-7)

Duas importantes questões inter-relacionadas são cruciais para um entendimento apropriado desta passagem: (1) No momento em que Paulo encontrou estes homens, eles eram discípulos de Jesus ou de João Batista? (2) O que Paulo quis dizer quando os perguntou “vocês receberam o Espírito Santo?”. Precisamos lembrar a nós mesmos que Lucas, escrevendo com precisão, sob a inspiração do Espírito Santo, deu essência ao questionamento de Paulo.

Quando Paulo chegou em Éfeso, ele encontrou “alguns discípulos”. A palavra discípulo (grego mathetes) ocorre 30 vezes no Livro de Atos. Tanto antes como depois dessa passagem, significa discípulo de Cristo7. Não há razão para que Lucas tenha se desviado de sua aplicação consistente da palavra. Alguns argumentam que seu uso da palavra algum/certo (o pronome indefinido grego) implica que eles não eram discípulos de Jesus. Mas Lucas usa a mesma palavra no singular quando fala a Ananias e Timóteo chamando cada um de “um certo discípulo” (9.10; 16.1). A explicação mais simples para seu uso de “alguns” é encontrada em Atos 19.7, que diz que havia “cerca de doze homens”; Lucas não tinha certeza do número exato.

A situação desses homens é comparável a de Apolo (18:24-28), que já era um crente que “falava e ensinava diligentemente as coisas do Senhor, conhecendo somente o batismo de João” (versículo 25). Priscila e Áquila “o levaram consigo e lhe declararam mais precisamente o caminho de Deus” (versículo 26). Ele era um cristão que precisava de mais instrução, assim foi com os homens de Éfeso.

Uma discussão considerável gira em torno da pergunta de Paulo: “Recebestes vós já o Espírito Santo quando crestes?” (Atos 19:2). Algumas traduções têm “desde” ou “depois” ao invés de “quando”. Uma tradução mais precisa, e que evita favorecer determinada linha de interpretação teológica, é “vocês receberam o Espírito Santo tendo acreditado” (tradução minha). No Livro de Atos, a terminologia de “receber o Espírito” é encontrada nos relatos de Samaria e Cesareia (8.15,17,19; 10.47; ver também 2.38). Paulo, portanto, está perguntado aos homens de Éfeso se eles tiveram uma experiência do Espírito comparável a dos crentes de Cesareia e samaritanos.

Paulo não estava jogando um jogo de palavras teológicas com esses homens. Ele reconhece que eles realmente acreditavam. Muito tem sido escrito sobre os tempos das duas formas verbais na pergunta de Paulo e se, do ponto de vista gramatical, o recebimento do Espírito deve ser entendido como ocorrendo no momento que se tem fé ou, alternativamente, em um momento posterior ao crente. 8
O contexto fornece a melhor resposta. A experiência do Espírito sobre a qual Paulo perguntou é a experiência registrada no versículo 6. Nesse caso, ela surgiu pela imposição de suas mãos e foi acompanhada por manifestações externas, semelhantes àquelas previamente experimentadas pelos crentes (2:4; 10:46). A experiência registrada em 19.6 não coincidiu com a salvação deles. Mesmo se alguém esteja convencido de que Paulo, por sua pergunta, tenha reservas quanto à veracidade da salvação dos efésios, permanece o fato de que essa experiência do Espírito seguiu o batismo em nome do Senhor Jesus e foi precedida pela imposição de mãos.
Sustenta-se frequentemente que o retrato que Lucas faz do Espírito Santo, especialmente com referência a ser cheio do Espírito, difere do de Paulo em suas cartas. O incidente em Éfeso, no entanto, mostra que Paulo, assim como Lucas, acreditavam em uma experiência do Espírito para os crentes que se distingui da obra do Espírito na salvação.

É significativo que esse incidente tenha ocorrido mais de 20 anos após o Dia de Pentecostes. Entre outras coisas, ensina que a experiência pentecostal ainda estava disponível para os crentes bem afastados daquele dia, tanto temporal como geograficamente.

DECLARAÇÕES SUMÁRIAS

A experiência pós conversão de ser batizado no Espírito é uma obra do Espírito distinta da regeneração. Isto não implica que a salvação é um processo em dois estágios.

Em três dos cinco exemplos (Samaria, Damasco, Éfeso), as pessoas que tiveram uma experiência identificável do Espírito já eram crentes. Em Cesareia, a experiência foi praticamente simultânea à fé salvadora de Cornélio e sua casa. Em Jerusalém, os receptores já eram crentes em Cristo, embora seja difícil (é mesmo necessário?) determinar com absoluta precisão o ponto no tempo em que nasceram de novo no sentido neotestamentário. Há uma variedade de terminologia intercambiável que é usada para a experiência: “batizado no Espírito”, “recebendo o Espírito”, “cheio do Espírito” e “o Espírito vem sobre”.

A experiência é registrada por grupos (Jerusalém, Samaria, Cesareia, Éfeso) assim como por um indivíduo (Paulo em Damasco).

A imposição de mãos é mencionada em três exemplos (Samaria, Damasco, Éfeso) – pelos apóstolos em duas ocasiões (Samaria, Éfeso) e por um não apóstolo em uma (Damasco).

Em três exemplos houve um claro lapso temporal entre a conversão e batismo no Espírito (Samaria, Damasco e Éfeso). O intervalo de espera pelo derramamento de Jerusalém foi necessário para que o significado tipológico de Pentecostes fosse cumprido. No caso de Cesareia, não houve lapso de tempo.

Essa experiência após a conversão é chamada de dom (2.38; 8.20; 10.45; 11.17). Portanto, não pode ser conquistada, nem é uma recompensa ou crachá de santidade.

É uma dádiva, mas é inapropriado chamá-la de “uma segunda obra da graça”. Tal linguagem implica que um crente pode não ter experiências da graça de Deus entre a fé inicial em Cristo e o preenchimento inicial do Espírito. No entanto, toda benção recebida vem do Senhor como resultado de Sua graça. Essa obra distinta após a conversão não descarta outras experiências do Espírito que possam precedê-la ou segui-la. 9

Um padrão emergiu desse estudo indutivo apontado para uma realidade de uma obra do Espírito, identificável e após a conversão na vida de um crente, que às vezes é chamada de Batismo no Espírito Santo.

NOTAS FINAIS
1. Em 22:1–4; 8:14–20; 9:17; 10:44–48; 19:1–7.
2. Para facilitar a expressão, as seguintes designações abreviadas para eventos nos respectivos capítulos serão algumas vezes usadas: Jerusalém ou Pentecostes (capítulo 2); Samaria (capítulo 8); Damasco ou Paulo (capítulo 9); Cesaréia (capítulo 10); Éfeso (capítulo 19).
3. Citações da Escritura são da New American Standard Bible, salvo indicação em contrário.
4. Uma investigação complementar sobre o significado do fogo é legítima. Um ponto de partida é uma consideração do fogo nas escrituras como um elemento purificador e santificador.
5. Os pentecostais responsáveis ensinam que uma pessoa é habitada pelo Espírito no momento da conversão (Romanos 8:9; 1 Coríntios 6:19), mas que o batismo no Espírito é uma experiência do Espírito distinta da Sua habitação.
6. F.F. Bruce, The Acts of the Apostles: The Greek Text With Introduction and Commentary, 2nd ed. (Grand Rapids: Eerdmans, 1952), 187. Veja a parte 1 desta série Enrichment Journal, Summer 98) que trata da diferença entre as profecias de Joel e Ezequiel, quando se referem ao prometido Espírito Santo.
7. A única exceção é 9:25, onde os “discípulos” são qualificados por “seus”, significando que eles são discípulos de Paulo.
8. Uma discussão das questões na gramática grega, embora necessária, não pode ser abordada neste breve artigo. A mesma construção gramatical ocorre duas vezes mais nessa passagem, e, em ambos os exemplos, indica uma ação que segue, e não acompanha, a ação do particípio. Os homens foram batizados no nome de Jesus depois que ouviram, não enquanto ouviam (versículo 5). O Espírito Santo veio sobre eles depois que Paulo colocou suas mãos sobre eles, não necessariamente no momento em que suas mãos os tocaram (versículo 6)
9. A parte 4 dessa série abordará aspectos mais amplos da terminologia “preenchido pelo Espírito” e “cheio do Espírito”.

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Um comentário em “Subsequência na Relação do Batismo no Espírito

  1. Ótimo post, estou começando a estudar teologia e esses assuntos tem me interessado,acompanho vc pelo insta e te conheci falando sobre o Espírito Santo é batismo em línguas pelo you tube do bibo talk, muito obrigado me esclareceu algumas dúvidas. Sou assembleiano não falo em línguas e as veze tenho problemas com isso mas valeu.

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