Notas Reflexivas

Notas reflexivas (1)

Por Gutierres Fernandes Siqueira

Algumas reflexões sobre diversos temas:

ARTESÃOS DO ÊXODO E A NOSSA ICONOCLASTIA

Amanhã, na Escola Bíblica Dominical, vamos estudar uma das passagens mais interessantes do livro de Êxodo (31.1-11). Deus levanta dois artesãos e concede a eles dons para trabalhar na arquitetura e na arte do Tabernáculo. Infelizmente, a nossa tradição evangélica é excessivamente iconoclasta e confunde arte cristã com adesão ao catolicismo romano. A ignorância é tão grande sobre o assunto que se esquece que a tradição protestante, especialmente o anglicanismo, também trabalha com uma vasta iconografia. Se esquece também que em outros países igrejas evangélicas e pentecostais cultivam vitrais, cruzes, velas, pinturas etc. desde sempre. Nessa passagem de Êxodo vejo que o nosso Deus se importa com a beleza.

O EVANGELHO NÃO MITA NEM LACRA

Todo dia vejo alguns cristãos postando vídeos de embate de seus políticos de estimação com frases cheias de entusiasmo: “Humilhou o adversário”, “calou a boca de Fulano”, “esmagou o Sicrano”, “jogo no lixo Beltrano”. O problema é que no domingo estão cantando dizendo que querem um coração igual ao de Jesus. Lendo os Evangelhos vejo nisso uma contradição.

MR. SPOCK E O CULTO CARISMÁTICO

Spock é o personagem mais conhecido da série “Star Trek” (Jornada nas Estrelas). Ele, que é meio humano e meio vulcano, é um ser altamente inteligente. Os habitantes do planeta Vulcano eram conhecidos pelo pensamento racional e frio, isso porque eles reprimiam qualquer manifestação emocional. A ideia por trás desse personagem é que quanto menos emocional é o homem, mais racional ele é. Essa ideia estava presente na filosofia grega e permeou o pensamento moderno, mas a teologia hebraica não fez essa dicotomia entre afeição e razão, inclusive, para os hebreus, o coração era o centro unificado do pensamento, dos sentimentos e da vontade. Muitos crentes hoje, influenciados pela cosmovisão moderna, acreditam nessa separação e rivalidade entre emoção e razão e acabam interpretando, por exemplo, que o culto racional mencionado pelo apóstolo Paulo (Romanos 12.1, a melhor tradução seria “razoável”) é sinônimo de um culto sem manifestações emocionais. Diferente do que se convencionalmente se pensa, a emoção mais ajuda do que atrapalha nas ações racionais. A emoção não substitui a razão, obviamente, mas sem a emoção, o homem tenderia a tomar mais decisões erradas na vida (sobre isso veja o ótimo livro “O Erro de Descartes” do neurocientista e filósofo António Damásio). O problema do culto em Corinto, por exemplo, não era a emoção, mas a falta de consideração pela edificação do próximo. Todas as vezes que produzimos um culto individual em ambiente coletivo cometemos o mesmo erro dos coríntios e isso serve, inclusive, para pregadores que falam uma linguagem excessivamente rebuscada diante de uma comunidade simples.

CANSATIVAS CARICATURAS DOS CESSACIONISTAS 

Já estou sendo chato sobre esse assunto, mas estou cansado de caricaturas sobre a teologia pentecostal. Agora há pouco estava ouvindo um irmão reformado dizendo que nós pentecostais dizemos que o selo do Espírito (Efésios 1.14) é sinônimo de Batismo no Espírito Santo (Atos 1.8). Mas isso é uma inverdade. Eu sempre aprendi na Escola Dominical que o selo do Espírito acontece no momento da conversão. Nem estou falando de livros acadêmicos, mas de uma simples revista de EBD. É o que diz, por exemplo, o Antonio Gilberto nas “Lições Bíblicas” de 13 de agosto de 2006: “Este selo, portanto, não é o batismo com o Espírito Santo, mas a habitação do Espírito no crente, como prova de que o mesmo é posse ou propriedade particular de Deus” (p 55).

A HARPA CRISTÃ É CONTRA A PREGAÇÃO COACH 

Quando o apóstolo Paulo fala sobre a segunda vinda de Cristo, ele conclui dizendo: “Consolai-vos uns aos outros com estas palavras” (1 Tessalonicenses 4.18). Hoje há uma verdadeira epidemia de depressão, ansiedade e tédio na sociedade contemporânea e muitos pregadores, alguns bem intencionados ou outros picaretas, fazem das suas pregações verdadeiros centros motivacionais. Motivar, consolar e encorajar não é e nunca foi o problema. O problema, isso sim, é apelar para uma excessiva valorização do ego humano como modo de encorajamento. Quando pregamos o amor, a soberania, a grandeza de Deus, e não do homem, estamos realmente consolando os corações de maneira bíblica. Lembro-me, certa vez, onde eu estava profundamente triste e naquele dia ouvi um hino clássico, cantado pelo coral da nossa igreja sede, e o hino dizia: “O governo está firmado nos Seus ombros”. Aquela simples frase, exaltando a Deus e não ao homem, foi suficiente para consolar o meu coração. Outra coisa, observe na Harpa Cristã quantos hinos falam de motivação não exaltando o homem, mas lembrando da vinda de Cristo. Um dos hinos do nosso hinário diz: “Nossa esperança é sua Vinda, o Rei dos Reis vem nos buscar; nós aguardamos, Jesus, ainda, té a luz da manhã raiar”.

POPULAÇÃO CONECTADA, IGREJA OFFLINE

Certa vez estava em uma cidade do interior do Rio de Janeiro e busquei na Internet qual era o endereço e o horário do culto da Assembleia de Deus local. Não encontrei. A igreja não tinha site e nem alimentou a base do Google Maps com o endereço dela. Encontrei apenas o site da Igreja Batista local, onde ali fui congregar naquele domingo. O brasileiro é o povo mais conectado do mundo, mas algumas igrejas, como a minha querida denominação, ainda não perceberam. Um relatório da empresa McKinsey & Company aponta que os brasileiros ficam em média nove horas por dia conectados na Internet, enquanto os norte-americanos ficam “apenas” seis horas. O Brasil é o segundo ou terceiro maior mercado de empresas como Google, Facebook, Netflix, Amazon, etc. Diante de um povo tão conectado, há ainda pouco conteúdo do nosso meio. A missão da Igreja no ide e ensinai de Jesus se aplica à Internet também.

Reflexoes

CRISTÃOS, HORÓSCOPOS E O GÊNESIS

Inúmeras religiões politeístas e animistas do passado viam os seus poderosos deuses nos astros. A etimologia da palavra “desastre” nasce justamente da ideia que agir contra a vontade dos deuses encarnados nos astros provoca o caos (dis + astro). O sol, por exemplo, foi cultuado e temido no antigo Egito e pelos indígenas americanos. A astrologia contemporânea continua a acreditar que os astros influenciam as nossas vidas. E, curiosamente, o horóscopo é o único resquício religioso que ainda resta nos grandes jornais e revistas seculares. Por outro lado, no Gênesis, Moisés escreveu que Deus criou as estrelas (1.16) e que os astros não são deuses, mas apenas parte da criação de Deus. Quando Moisés escreveu isso todos as religiões vizinhas divinizavam os astros. Gênesis é uma resposta a esse tipo de crença. O mais incrível é observar hoje os inúmeros cristãos que diariamente consultam os astros para organizarem o seu dia a dia. Com isso, concluímos que o tempo passa, a tecnologia avança, o homem vive cada vez mais uma vida confortável, mas o coração idólatra que busca segurança nas estrelas é o mesmo da época distante de Moisés.

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