Notas Reflexivas

Notas Reflexivas (2)

Por Gutierres Fernandes Siqueira 

Algumas reflexões sobre temas diversos:

Reflexoes

O PROFETISMO DO CAOS

A primeira obra de apologética que li, ainda pré-adolescente, foi o livro “O Caos das Seitas” (Imprensa Batista Regular, 1985) de J. K. Van Baalen, publicado originalmente em inglês no ano de 1936. O interessante desse tipo de obra era certo alarmismo com o crescimento de algumas seitas que simplesmente sumiram nas últimas décadas. Outras seitas populares na época da escrita do livro hoje são grupos ínfimos. No começo dos anos 2000 lembro-me de ter lido vários artigos sobre a ameaça da cientologia, uma seita esotérica famosa em Hollywood, mas até a presente data não conheci um único cientologista. De tempos em tempos, observo, os cristãos estão anunciando uma nova ameaça capaz de “destruir a nossa fé” e a “última ameaça” sempre parece a pior. O profetismo do caos virou uma espécie de esporte em nosso meio. O profetismo precisa ser exercido, mas sempre com muito cuidado e responsabilidade.

BONS ARGUMENTOS NÃO BASTAM…

Vivemos na chamada “era da autenticidade” (para usar uma expressão do grande filósofo canadense Charles Taylor) onde as pessoas estão mais interessadas em vidas que inspiram imitação do que em indivíduos com argumentos bem articulados e logicamente racionais. O apóstolo Paulo já tinha entendido isso há dois milênios quando escreveu a um jovem pastor: “tende cuidado de ti mesmo e do teu ensino” (1 Timóteo 4.16). A nossa geração não pergunta primeiramente se isso ou aquilo “é logicamente verdadeiro?”, mas eles se perguntam diante de um interlocutor que quer convencê-los: “eu quero ser parecido com você?”.

BILLY GRAHAM E A VERDADE COM HUMILDADE

Faz um ano e poucos dias que Billy Graham (1918-2018) faleceu. O legado evangelístico dele é fantástico, assim como o seu exemplo de vida isento de escândalos financeiros, sexuais ou de abuso de poder (algo tão comum entre pregadores famosos). Todavia, o que mais admiro em Billy Graham foi a sua capacidade de transitar em diversas tradições cristãs com muito respeito. Ele não era um relativista, mas sabia defender a verdade com graça e humildade. Graham seguia aquela máxima do filósofo cristão Blaise Pascal (1623-1662): “Devemos saber em que duvidar, em que ter certeza e em que ceder”. Não é à toa que fundamentalistas chamavam Graham de “liberal” e liberais chamavam Graham de “fundamentalista”.

ENSINADORES MONOTEMÁTICOS

Quem me acompanha pela Internet pode ter a impressão errada que eu falo apenas de assuntos ligados à doutrina do Espírito Santo e ao Movimento Pentecostal. Embora essa seja a minha “especialidade”, na congregação onde eu atuo como professor de Escola Dominical e como pregador eventual, eu tento ao máximo diversificar os temas ensinados e pregados. No último domingo, por exemplo, eu preguei em 2 Pedro 2.1-4, onde falei das características dos falsos profetas, mas no sermão de dezembro eu preguei no Evangelho de João 19.17-37, falando sobre os sofrimentos de Cristo na cruz. Eu acredito que ninguém que possui o ministério da Palavra pode ser monotemático, mesmo que o tema seja importante como a “justificação pela fé”, a “graça de Deus”, o “juízo de Deus” etc. Devemos ser como o apóstolo Paulo que nunca deixou de pregar TODO o conselho de Deus (Atos 20.27).

“OS JOVENS SÃO O FUTURO DA IGREJA”. SERÁ MESMO?

Você já percebeu que toda igreja “relevante” precisa ser “jovial”? A linguagem, as cores, as gírias, a arquitetura do templo… tudo remete ao jovem. Mas seria isso uma real valorização do jovem ou uma espécie de “marketing da juventude”? O teólogo Andrew Rott, no livro “Faith Formation in a Secular Age” (Baker Academic, 2017, p 18), afirma que hoje “a juventude é uma maneira particularmente poderosa de afirmar que você, seu movimento ou sua comunidade são vitais e importantes. A juventude não é um movimento para honrar e abraçar os próprios jovens, vendo-os como necessitados de orientação e apoio ou como aqueles com uma percepção espiritual profunda. Em vez disso, a juventude é uma espécie de endosso de celebridade”. Como disse o grande teólogo alemão Dietrich Bonhoeffer: “O espírito da juventude não é o Espírito Santo e o futuro da Igreja não está na juventude, mas em Cristo, Nosso Senhor”. Portanto, a Igreja pode ser tentada a abraçar o culto à juventude da cultura contemporânea e, paradoxalmente, perder relevância entre os jovens. O motivo? Na ânsia da “relevância” para a juventude muitos deixaram a velha mensagem: Cristo, e este crucificado.

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