Avivamento · Movimento Pentecostal

Lições dos Avivamentos

109.Ezra_Reads_the_Law_to_the_People
“Esdras Lê a Lei para o Povo”, uma das ilustrações de Gustave Doré para “La Grande Bible de Tours”

Por Gutierres Fernandes Siqueira

A palavra avivamento vem do verbo “avivar” que significa “tornar a viver”. Avivamento é uma poderosa renovação espiritual provocada pelo Espírito Santo em um determinado grupo. É uma ação divina, e não mero produto da vontade humana. Tanto nas Escrituras como na história da Igreja, vários avivamentos ocorreram impactando milhões de vidas. O avivamento é mais do que uma transformação individual, mas diz respeito ao impacto sobre toda a comunidade, seja uma congregação ou mesmo uma nação. Na Bíblia há alguns exemplos de avivamentos, tanto no Antigo como no Novo Testamento (cf. Neemias 8.1-18; Atos 2.1-47).

A primeira lição que precisamos entender sobre os avivamentos é que o homem não pode fabricá-lo. O teólogo metodista Dennis F. Kinlaw (1922-2017) dizia: “Dá-me um momento divino no tempo em que Deus age, e eu digo que esse momento é muito superior a todos os esforços humanos ao longo dos séculos” (1). Podemos clamar e, também, devemos orar sem cessar para que o Senhor avive a sua Santa Igreja, mas o avivamento virá no tempo do Espírito Santo e segundo a Sua soberana vontade. Há quem pense que o avivamento é quando a igreja recebe um pregador famoso ou quando acontece algum grande congresso onde o culto festivo acaba em um fervor barulhento. Mas não se engane, logo porque o avivamento não é um evento de calendário previamente marcado, mas um ato gracioso e poderoso de Cristo em nossas comunidades.

A segunda lição que aprendemos ao observar os grandes avivamentos na história da Igreja é que não existe despertamento sem transformação social. Um exemplo marcante é o Avivamento da Rua Azusa em 1906 na cidade de Los Angeles (EUA), quando Deus usou William Seymour (1870-1922) como catalisador do moderno Movimento Pentecostal. Naquela época, os Estados Unidos viviam debaixo de leis segregacionistas que alimentavam o odioso racismo de brancos contra negros. Mesmo diante desse cenário social tenebroso, os cultos dirigidos por Seymour reuniam brancos e negros em completa harmonia, enquanto outras igrejas se dividiam em questões raciais. Esse avivamento não só trouxe frutos espirituais (o Batismo no Espírito Santo e os dons) como desestruturou o pecado do racismo presente na sociedade americana entre aqueles que foram alcançados pelas pregações de Azusa.

A terceira lição preciosa dos avivamentos é que nenhum permanece para sempre, embora os seus frutos permaneçam entre várias e várias gerações. Sendo assim, não podemos nos conformar apenas em desfrutar dos frutos de um avivamento ocorrido décadas atrás, mas devemos desejar e buscar um avivamento para a nossa própria geração. Deus não tem netos, apenas filhos. Devemos cultivar a memória do passado, mas é a nossa ação no presente que fará diferença no futuro. A vida cristã é um equilíbrio que abraça a tradição sem tradicionalismo, enquanto trabalha pelo futuro sem idealismo e ativismo, mas na completa dependência do Senhor. Jesus nos disse: “É necessário que façamos as obras daquele que me enviou enquanto é dia; a noite vem, quando ninguém pode trabalhar” (João 9.4 NAA).

A quarta lição dos avivamentos é que não existe uma renovação genuína sem uma paixão renovada pela Palavra de Deus. No grande avivamento liderado pelo sacerdote Esdras, o texto nos diz: “Esdras leu o livro em voz alta, diante da praça que fica em frente ao Portão das Águas, desde o amanhecer até o meio-dia, na presença dos homens, das mulheres e dos que podiam entender. E todo o povo tinha os ouvidos atentos ao Livro da Lei.” (Neemias 8.3 NAA). Um “avivamento” sem uma genuína paixão pela Palavra torna-se mero aviltamento, um fogo de palha, cheio de distorções. Vários movimentos carismáticos na história da Igreja surgiram como um necessário renovo do povo de Deus, mas acabaram não se sustentando por causa das fraquezas doutrinárias.

A última lição dos avivamentos é que ele está associado a uma vida mais santa. William Seymour costumava dizer: “O poder pentecostal, quando você resume tudo, é apenas mais do amor de Deus. Se não traz mais amor, é simplesmente uma falsificação”. O profeta Isaías, quando teve um encontro com Deus, disse: “Ai de mim, que vou perecendo! Porque eu sou um homem de lábios impuros e habito no meio de um povo de impuros lábios; e os meus olhos viram o rei, o Senhor dos Exércitos!” (6.5 ARC). O avivamento traz uma repulsa do pecado e um impulso pela santificação.

Que o Senhor possa avivar as nossas congregações, o nosso país e as nossas vidas! “Aviva, ó Senhor, a tua obra…” (Habacuque 3.2).

Referência:

(1) COLEMAN, Robert E. One Divine Moment: The Asbury Revival. 2 ed. Wilmore: First Fruits Press, 2013. p 1.

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