Apologética

Tolerante ou Intolerante?

PF_19.06.26_RKSquiz_featuredPor Amy Orr-Ewing

Todas as crenças são iguais e válidas?

Na cultura ocidental do século XXI, vivemos em um contexto de anseio espiritual. Mas essa abertura espiritual nem sempre se traduz em pessoas que seguem a Cristo. As pessoas têm uma variedade estonteante de opções quando se trata de religião. A cultura ao nosso redor acredita que todas as religiões são igualmente válidas. Parece bizarro para as pessoas que alguém afirme que apenas um caminho é a verdade e a única verdade.

Na minha experiência, as pessoas geralmente têm três motivações para rejeitar a ideia de que Cristo é o único caminho para Deus. Precisamos ser capazes de lidar com cada uma delas. A primeira objeção é que é intolerante acreditar que o cristianismo é verdadeiro. Isso pode ajudar a definir a tolerância. Tolerância é a vontade de aceitar ou tolerar alguém ou algo, especialmente opiniões ou comportamentos com os quais você pode não concordar, ou pessoas que não são como você. Em outras palavras, eu só preciso tolerar outras religiões se eu discordar delas. Se todos os caminhos levam a Deus, eu não preciso ser tolerante, pois concordo com todas as religiões e pontos de vista.

A ironia é que as pessoas religiosas de todos os lados sofrem com esse paradigma. Sempre que alguém tenta fazer com que todos os grupos religiosos digam as mesmas coisas e tenta suprimir a diversidade existente, ele marginaliza e pinta os fiéis ortodoxos como intolerantes. Na realidade, o movimento para homogeneizar e relativizar é intolerante às visões reais de diferentes religiões. Se eu acredito que Cristo é o único caminho para Deus, ainda posso ser tolerante, demonstrando respeito àqueles que discordam de mim.

A segunda motivação por trás da rejeição de Cristo como o único caminho para Deus é que esta reivindicação é percebida como arrogante. Como poderíamos ser tão arrogantes a ponto de dizer que todas as outras religiões estão erradas e que Jesus é o único caminho para Deus? As pessoas muitas vezes usam a parábola do elefante para ilustrar como os cristãos são arrogantes: Escribas cegos estão tocando diferentes partes de um elefante. Um está segurando sua cauda e dizendo: “Isto é uma corda”.

Outro está segurando perna dianteira do elefante, e dizendo: “Não, isto não é uma corda. É um tronco de árvore.”

Uma terceira pessoa está segurando seu tronco e dizendo: “Vocês dois estão errados. É uma cobra”.

A moral desta história é que todas as religiões são como esses homens. Cada um deles tocava uma parte diferente da realidade última. Portanto, os cristãos são arrogantes quando afirmam que somente eles têm a verdade.

Ao considerarmos essa ilustração, descobrimos duas diferenças principais entre a pessoa que conta a história e as pessoas na história. A primeira diferença é que os escribas que tocam no elefante são cegos e o narrador pode ver.

A segunda é de perspectiva. Os escribas cegos estão perto do elefante, mas o narrador está para trás e tem o quadro completo. A afirmação de deslumbramento que o narrador faz é que Jesus, Buda, Krishna, Moisés e Muhammad são todos cegos, mas eu posso ver. Eles tinham uma perspectiva pequena, mas eu vejo o quadro completo – todos os caminhos levam a Deus. A questão é agora: Quem é o arrogante?

É tão arrogante afirmar que Buda, Muhammad e Jesus estavam errados em suas reivindicações exclusivas, como é dizer que Jesus é o único caminho. A questão, então, não é sobre quem é arrogante ou não, mas sobre o que é realmente verdadeiro de fato.

A terceira motivação diz respeito à exclusão. Como você pode excluir todas as outras religiões? Jesus disse que Ele era o caminho para o Pai, mas eu não posso segui-Lo porque não quero ser uma pessoa intolerante que exclui os outros. Mais uma vez, precisamos pensar cuidadosamente sobre isso porque, na realidade, qualquer que seja a posição que ocupamos, excluímos alguns pontos de vista. Mesmo a pessoa que acredita que todos os caminhos – incluindo Idi Amin, Pol Pot, Stalin e Osama bin Laden – levam a Deus exclui a visão de que apenas alguns caminhos levam a Deus ou apenas um caminho leva a Deus. Da mesma forma, a pessoa comum no Ocidente provavelmente gostaria de excluir alguns dos extremistas, tais como Hitler ou Milosovich. Ele pode acreditar que apenas alguns caminhos levam a Deus, tais como as principais religiões do mundo. Isto exclui a visão de que todos os caminhos levam a Deus ou que apenas um caminho leva a Deus. E o cristão que diz: “Eu sigo Jesus porque Ele disse que Ele é o único caminho para o Pai”, exclui a visão de que todos os caminhos ou alguns caminhos conduzem a Deus. Toda visão exclui algumas. A questão não é quem exclui as pessoas, mas, novamente, o que é verdadeiro e real.

Jesus disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim” (João 14.6). Existem muitas possibilidades aqui. Talvez ele fosse uma pessoa genuinamente boa, mas estava iludido. Ele foi sincero, mas errado. Ele acreditava que era Deus e enganou as pessoas porque, na realidade, estava mentalmente desequilibrado. Talvez Ele soubesse que não era Deus, mas continuava dizendo às pessoas que era o único caminho para Deus; nesse caso, Ele era um personagem sinistro. Ou, Ele era quem Ele disse que era e é o único caminho para Deus.

Amy Orr-Ewing é diretora do Centro Oxford de Apologética Cristã (OCCA). Artigo originalmente publicado no Enrichment Journal, órgão oficial das Assembleias de Deus dos EUA.

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